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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 874

mcr, 12.01.24

este país não é para velhos.

Nem para novos!

mcr, 12-01-24

 

 

850.000 jovens saíram do país nos últimos dez anos! 

É obra! Sobretudo se tivermos em linha de conta que o país que repele os seus jovens (que pelos vistos fazem parte da "geração mais bem preparada de sempre") trata de modo infame os seus velhos atirados para a terra de ninguém das reformas baixíssimas, das casa energéticamente deficitárias, das terras abandonadas do interior onde boa parte dos serviços já não funcionam, bem que temos um retrato que contrasta violentamente com a imagem prazenteira que o dr costa vai mostrando agora correndo de inauguração em inauguração, de pré inauguração em outra pré que pode mesmo ser pré-pré, num esforço de mostrar que fez obra  (até o tgv em bitola portuguesa. valha-nos Deus...) que de tão feita nem se vislumbra.

O destino dessa juventude que desanda daqui para fora e encontra na Europa e no Canadá perspectivas de emprego que cá não se encontram (até na Noruega onde o frio é de rachar, ou no Reino Unido que está fora da UE) é indubitavelmente tornarem-se estrangeiros com uma vaga lembrança da língua do país onde nasceram, cresceram mas não encontraram trabalho decentemente retribuído nem casas a preço acessível.

É verdade que desde, pelo menos, o seculo XVIII, Portugal foi país de emigrantes que fizeram o Brasil, mais tarde outros países americanos, depois as colónias e finalmente descobriram as franças e araganças. todavia, na maioria dos casos estes emigrantes saíam do campo sáfaro e pobre, de famílias pobres, analfabetas e numerosas. Algumas vezes os que estavam a mais nas zonas menos ricas conseguiam empregar-se nas cidades do litoral ou nas zonas que se ima industrializando lentamente. 

Porém no final do século XX e nestes vinte e tal anos do XXI  foi o interior que quase morreu, e, apesar  de a fixa litoral ter crescido populacionalmente, houve excedentes importantes que tiveram de "dar o salto" de fugir, de emigrar, de com isso fazer a natalidade baixar desmesuradamente ( e não vale a pena vir anunciar triunfalmente que este ano findo nasceram mais quase 2500 bebés pois muitos deles sairam da emigração de desgraçados ainda mais pobres do que nós, vindos de países longínquos, Nepal, Bangladesh ou de África onde governos indignos atiram populações inteiras para os braços de guerrilhas impiedosas ou para o mar mediterrâneo quando não é para o Atlântico onde é cada vez maior a quantidade de barcos miseráveis a aportar miraculosamente nas Canárias. 

Portugal corre o sério risco de se transformar numa espécie de entreposto. manda embora os seus e substitui-os por outros damnés de la terre ainda menos agraciados pela sorte e que vão enchendo os campos alentejanos ou os subúrbios da grande Lisboa.

Os novos ghettos florescem, a pobreza mantem-se ou piora, o racismo espreita e, claro, a direita mais radical explora a situação, enquanto uma esquerda absurda discute o sexo já não dos anjos mas de minorias pequeníssimas  ou aponta o dedos aos efeitos mas nunca às causas de algum ressentimento popular . Um desastre casa vez mais próximo e cada vez mais ameaçador.

Em boa verdade, os velhos lá vão cuprindo o seu papel de morrer por aí, um pouco ao Deus dará ou graças à gripe (registam-se nestes ultimos tempos, acréscimos significativos de óbitos cujo número já começa a ser comparado ao da pandemia. 

Morrem mais velhos fogem mais jovens mas as autoridades e quem com elas convive só tem olhos para o turismo que cresce também ele desordenadamente e graça ao baixo preço comparado com outros destinos mais exóticos e, agora, temporariamente, menos tranquilos.   

 

 

estes dias que passam 873

mcr, 10.01.24

de 20 para 0,12% e em cinco anos!!!

mcr, 10-01-24

 

 

Um programa pomposamente chamado "de renda acessível" conseguiu, em cinco anos (!) este admirável resultado: cerca de1 em cada mil novos contratos de arrendamento entra nesta especial e miraculosa categoria . 

Em seu tempo, as críticas a esta facécia governamental não foram meigas e as profecias sombrias dos habituais "inimigos" do PS ultrapassaram todos os maus prognósticos então apresentados.

A coisa passava pelos senhorios concordarem em arrendar as casas com um desconto de 20% nos preços praticados pelo mercado.  O Governo isentaria totalmente de IRS os rendimentos dos generosos proprietários que mais uma vez, eram chamados à patriótica missão de se substituírem ao Estado no apoio às famílias da classe média.

Pelos vistos os maldosos  e sôfregos proprietários recusaram-se a cumprir o seu histórico papel de agentes benévolos do Estado remetendo para este a tarefa de construir as casas que faltam os dados preços tolos  que algum imaginativo ministro ou secretário de Estado entenderam propor. 

É o que da pensar em medidas traçadas à pressa, no joelho, sem sequer perceber que boa parte do mercado de arrendamento vive de rendimentos miseráveis que não chegam sequer para pagar a reabilitação dos imóveis. Se reabilitação houve, e houve, isso só se deve ao mercado também já ameaçado do arrendamento por curtos prazos.

O mesmo jornal que avança com este tristíssimo resultado traz outra notícia deveras embaraçosa. 

O sempre providencial e generoso Governo criou uma rede de casas a baixo preço para professores com a finalidade de atrair estes profissionais para zonas do país onde a sua falta é gritante (basta recordar os mais esquecidos) que este 2º período começou com milhares de alunos sem professor pelo menos a uma disciplina (é bom salientar que isto vem desde o primeiro dia de aulas!...) Oorre que apesar da corrida de candidatos ser gigantesca as casas atribuídas ainda não foram ocupadas pelos raros mas felizes contemplados que já levam quatro meses de espera. E de desepero porquanto entretanto foram pagando as rendas  voluptuosas que estão em vigor nas regiões onde foram colocados. 

Os leitores (homens e mulheres que me aturam) tem agora mais uma oportunidade única para compulsar os programas eleitorais que serão brevemente apresentados. Se tais propostas forem idênticas às anteriores (e eu refiro especialmente, porque da minha família política se trata, as do PS)  bem se pode augurar que os que procuram casa estarão "feitos ao bife".

entretanto, para que não se pense que isto é tudo a dizer mal, parece que o programa "porta 65 jovem" terá chegado a 28.133 jovens. É pouco dirão. É pouco mas pelo menos estes jovens até aos 35 anos já tem sitio onde poisar a cabeça e o resto do corpo .  Isto representa em média  210 euros por mês sobre o custo total da renda.

É desconhecido (ou cautelosamente não divulgado) o número de famílias que estão em situação de carência habitacional- Porém, contas apresentadas por cerca de 273 municípios referem 87.000 famílias a viverem em "situação indigna". Quanto a isto noticia-se que há 2087 habitações concluídas (menos de 2%...) a que se juntarão,  não se sabe exactamente quando mais, 7559 em processo de construção ou de reabilitação  (ou seja menos de 10% das necessidades  só do grupo de que há dados).

Estes números deveriam fazer reflectir aquela jovem senhora muito rebiteza que faz de ministra da Habitação. Melhor, deveriam fazer-nos reflectir nós todos sobre as escolhas do pessoal político ao fim de oito anos de Costa. 

(eu apenas cito este cavalheiro que agora se passeia pelo pais a mostrar obra feita ou, mais propriamente, a fazer porque, creio, que não vale a pena continuar a disparar sobre o "horrível" í governo que se finou em 2015 depois de ter herdado um país falido às mãos de um senhor chamado Sócrates cuja sombra ainda se passeia por aí... e cujos amigos, e não serão assim tão poucos, continuaram a prosperar viçosamente durante o consulado de Costa.

 

(qualquer tentativa de considerar que este texto redoura o sr Passos Coelho ou anuncia a vinda do Messias de Espinho deve ser evitado. Porém também não se espera nada de especial do "fazedor" que durante sete anos foi criando a sua agora vencedora rede de contactos que o tornam finalmente candidato. quanto aos restantes cavalheiros e gentis senhoras que compõem o ramalhete de políticos com aspiraçoes nas próximas eleições apenas me apetece dizer que não passam de vagas e e cinzentas figuras na paisagem.)  

estes dias que passam 872

mcr, 08.01.24

o grau zero da patetice crónica

mcr, 8-1-24

 

Televisões, hor nobre, noticiário das 8: depois da longa repetitiva crónica do congresso do PS, eis que a televisão mostra um rapazola a alanzoar um discurso ridiculo e absolutamente incapaz de focar a realidade do momento, afirmando que as notícias sobre o calamitoso estado das urgências hospitalares  ou, para ser ais exacto da maioria delas, é apenas um ponto de vista de certos órgãos da comunicação social. E um ponto de vista redutor, parcial, desinformado e desindformador ou algo no mesmo género.

Pelos vistos, para o junior mal alcandorado à comissão executiva do SNS tudo vai bem ou quase. As 13,15, 18 horas de espera por uma consultade espera que monotonamente se repetem desde há dias nas urgências, o pandemónio que vai pelos corredores com doentes apinhados em macas, em cadeirões ou mesmo no chão, encostados às paredes é um ponto de vista errado e provavelmente inexistente. Há mesmo a sugestão que este quadro negro é fruto apenas da má vontade das televisões que apontam para uma árvore mirrada sem ver a floresta jovem e cheia de força!

Eu não sei, nem sequer me darei ao trabalho, quem é este ovni que parlapia em nome de um organismo que tem a seu cargo a difícil tarefa de orientar o SNS. Todavia, com um saber de experi^rncia feito não deverei errar muito se apostar que a criatura deve ser oriunda de uma qualquer jota, aliás de uma específica jota e que deve a promoção a tão alto cargo por via dos habituais empenhos políticos.

Não seria o primeiro caso, não será decididamente o último dada a cultura aparelhistica que domina as nomeações para o aparelho de Estado. aquilo, a alta função pública de assessores, consultores, rapazes e raparigas para todo o serviço é já uma prática e estamos todos fartos de ver essa rapaziada mal promovida, ansiosa, inexperiente e muitas vezes bem pouco dotada, a fazer asneiras, a dizer barbaridades e a meter o meigo pé em todas as argolas possíveis. 

Contudo, este caso, que sobressaltou até o dr Marques Mendes no seu comentário e o fez mesmo duvidar da capacidade da criaturinha poder continuar a desenvolver a sua actividade na dita direcção do SNS, é ainda mais grave porque toca num aspecto sensível da nossa vida colectiva, a saúde.

Que a saúde anda pelas ruas da amargura é um facto de tal modo evidente que até os políticos, que agora se preparam para medir forças nas próximas eleições, desataram a prometer tudo e mais alguma coisa, como se a simples eleição deles resolvesse um problema que começa na falta de profisdionais, nos baixos salários deles, na desorganização patente dos hospitais, na corrida desenfreda às urgências, nas bichas infames à porta dos centros de saúde, na falta crescente e constante de médicos de família para não falar nos concursos que ficam semi-desertos.  

Eu não vou sequer referir o Ministro, uma pobre diabo que não resiste ao primeiro microfone que lhe apontam para babosar trivialidades e optimismo que decerto farão uivar os pobres pacientes, ou melhor os pacientes pobres.

O SNS está em riscos de se transformar numa coisa para quem é pobre e desprotegido que agora mais de 30% dos portugueses já tem seguro de saúde, recorre aos horrendos "privados" exactamente como fazem os beneficiários da ADSE que, para o efeito vem os seus ordenados agravados de forte percentagem para financiar esta organização baça e fechada. De qualquer modo, é a existência da ADSE recentemente alargada a mais umas centenas de milhar de funcionários que vai permitindo que os hospitais públicos ainda nõ tenham sido atingidos por uma avalancha de doentes que, à cautla, desaguam nos hospitais privados mesmo que isso signifique, e significa, mais um desembolso por vezes vultuoso de euros. 

O SNS está pois colado a uma imagem que, como o retrato de Dorian Grey, se vai paulatinamente degradando. Com a rapazisse esparvoada do ponto de vista, a coisa piorou vários graus e atingiu mesmo o grau zero da obscenidade tola.  

Eu não quero o mal de ninguém, menos ainda enviar um rapaz para a fila do desemprego mesmo se tudo parece indicar que o seu jeito para o trabalho é escasso mas menos ainda quero que alguém com as suas declarações agrave e ofenda o mal de todos os que não tem outro remédio senão acorrer ao hospital público. 

Espero que o sr Presidente da comissão executiva do SNS tenha um momento de lucidez e salve a comissão daquela presença inútil e provocadora.

 

 

o leitor (im)penitente 262

mcr, 06.01.24

 

 

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Começar bem

(livros novos)

mcr 5-1-24

 

 

Não faço a mínima ideia se terei leitores interessados em África. No caso, mais propriamente em Angola. na Lunda, isto é na terra dos Tchokué  (há quem lhes chame Kiokos) e, fundamentalmente no que foi (ou ainda é) o domínio da Diamang.

Esta empresa de capitais portugueses, belgas e americanos  era quem "todo lo mandava" naquele vastíssimo território. A sua sede local era no Fundo  onde para -dourar um brasão pouco convincente, fundou um museu que ainda hoje existe.

É justo, mais do que isso: louvável, afirmar que o Museu cumpriu a sua missão exemplarmente publicando uma grande quantidade de estudos históricos, etnográficos e antropológicos de assinalável qualidade que hoje  são raros no mercado alfarrabista e, por sso, bastante caros.

Claro que eu gostaria de ter uma mão cheia deles mas a absoluta raridade de alguns e os preços pedidos por outros reduziram em muito as minhas ambições.

Todavia, mesmo sabendo ao que me arriscava, prossegui durante vários anosa minha busca e adquiri alguns exemplares da "publicações culturais da companhia dos diamantes de Angola". 

Todavia, nunca consegui deitar a mão pecadora e gastadora a duas delas ambas organizadas por José Redinha, m etnógrafo sem formação específica (1905-1963), a saber: "Paredes pintadas da Lunda" e "Máscaras da Lunda e do Alto Zambeze". A cotação conhecida (mesmo se nunca apareciam exemplares) andava perto dos 1000 euros ainda que sites misteriosos e ue nunca respondiam aos eventuais compradores anunciassem preços bastante mais em conta

O deus dos maluquinhos por livros entretanto lá seterá amerceado de mim e eis que ontem mesmo, sexta feira, recebo um telefonema do Francisco Belard a comunicar-me que, numa ida ao dentista, encontrara uma alfarrabista que tinha uma grossa quantidade de publicações da Diamang ou do Museu.

Alvoroçado, pus-me em campo e meia hora depois, descobri a loja e entabulava negociações para a aquisição imediata destas duas obras que, pelos vistos tinham estado sempre ainda dentro dos embrulhos enviados pela editor. Ou seja, intocadas, novíssimas em folha. 

A pessoa que me atendeu anunciou-me o preço e, segunda emoção: correspondia a metade, um terço ou um quarto do que antes tinha encontrado ou melhor do que constava nessa altura em que não se punha o olho em nenhuma destas obras.

Hoje mesmo fiz a transferência dos cacauzinhos pedidos e prometeram-me que na segunda feira os livrinhos serão metidos no correio devidamente registados não vá o diabo tecê-las.

Em boa verdade, já há muito tinha desistido destas peças. Anos de procura, de conversas, de tentativas, de promessas incumpridas tinham deixado um rasto de resignação. quando perguntava por elas tinha antecipadamente a quase certeza que a resposta era um não rotundo e um suspiro de vendedor que adoraria esfolar-me vivo ou pelo menos emagrecer-me a fraca carteira.

Curiosamente, ao mesmo tempo, recebi notícias de uma empresa chamada "antiqua book" que me informa que está à minha disposição para tentar encontrar revistas antigas que eu deseje. 

Ora, justamente, e sempre dentro do tema Africa, tenho uma bo dúzia de títulos de que possuo exemplares soltos . Será que esta boa maré continuará?

* na vinheta m´scara Mosi (Burkina Faso)

 

estes dias que passam 871

mcr, 04.01.24

o pai natal  e a verdade

mcr , 4-1-24

Três leitores fazem-me o favor de comentar o meu último post

e apresso-me a responder-lhes já que temo trabalho de me aturar e mais ainda de dialogar comigo.

A resposta, porém sai manca porque é provável que tenham escrito mais do que li no espaço da caixa de comentários a que tive acesso. De facto, bastaria clicar e o texto integral apareceria mas a minha ignorância e algum berbicacho no aparelho reduzem-me às frases iniciais.

Comecemos por esse agente da coca cola de fato vermelho que substitui o São Claus  que deve ter sido relegado para qualquer lugar in partibus como os bispos de antigamente. Gostaria de acreditar em qualquer deles mas sou pouco dado à religião e menos ainda aos seus personagens mais pitorescos. Ao escrever o texto em causa e ao tentar comprar as causas e os desenvolvimentos de duas guerras semi-locais apenas quis, sem veleidades de evangelizar quem quer que seja, fazer ressaltar diferenças e semelhanças e partir das reacções que elas permitem.

Deixei há muito de fazer  apologia de sistemas políticos mesmo se me sinta menos desconfortãvel na chamada democracia ocidental do que em regimes que conheci bem e que suportei indignado no passado século. Ou, por outras palavras, conheci bem o regime conservador, com cheiro a esturro eclesiástico do dr Salazar que todavia não ouso qualificar de fascista por razões que já estou farto de enunciar a começar pela pobreza ideológica do partido único, pela falta de aparelhos de enquadramento político (a menos que alguém ache que a Mocidade Portuguesa ou a Legião eram algo  que longinquamente se assemelhasse aos movimentos italiano e alemão em que se inspirava).  Por outro lado, o manto espesso e clerical salazarista era exactmente o oposto do "paganismo" que os fascismos já citados ostentavam e prosseguiam.

Não quero com isto apoucar a negrura dos tempos vividos entre 26 e 74 mas apenas afirmar que o regime do Estado Novo cedo se adaptou a um certo modo de estar português e  resignado. De certo modo, o desastre da 1ª República com 51 governos em 16 anos, com intentonas periódicas, com a continua perseguição Às forças operárias elas próprias pobres e desorganizadas num país de economia atrasada,  deram a uma população que nunca abandonou a solução da emigração, um modo lerdo de contornar as dificuldades. Nem sequer a guerra colonial abanou decisivamente o país mas tão só a militaragem que, aliás tinha feito o 28 de Maio. Foram os oficiais do quadro permanente que, fartos de apanhar bordoada e motivados por uma querela de promoções entenderam acabar com algo sem, em boa verdade, saberem o que fariam depois. Mais importante terá sido a própria evolução da sociedade civil que a partir de sessenta se viu confrontada com uma imensa emigração e com uma clara modificação da força de trabalho (bastaria recordar que em dez anos as mulheres invadiram em força as fábricas e as empresas  porque os homens, um bom milhão deles estavam emigrados enquanto centenas de milhar cumpriam o serviço militar em África.) vivi esses anos como estudante primeiro e como advogado de sindicatos depois. Com as consequências do costume se me permitem a imagem.

As restantes mudanças  devem-se ao turismo que então começou, a uma pequena industrialização, aos ventos da Europa. E ao abandono dos campos, ao despovoamento para o litoral, à urbanização deste. 

Mesmo estando grato aos militares que, de resto, eram os únicos que podiam vergar um regime que estava podre mas com alguns meios de defesa, devo dizer que a "revolução" ou algo que se pode tomar como tal ocorreu depois do golpe de Abril.

Tudo isso vivido ansiosamente, veementemente, criticamente, deixou a nu, pelo menos para mim, a pobreza ideológica do PREC exaltado que por um breve Verão, pareceu arrebatar o país. Arrebatou por junto Lisboa, a margem sul,  mas  durou pouco e foi desaparecendo sem deixar rasto ou saudades na generalidade da população. E isso viu-se nas duas sucessivas eleições parlamentares  de 75 e 76. E na derrota de Otelo nas primeiras presidenciais. Pinheiro de Azevedo, um marinheiro excêntrico teve mais razão do que supunha ao afirmar diante de uma multidão protestaria  que "aquilo era só fumaça".

Portanto, e abreviando, eu já não acreditei no pai natal de monóculo, nos seus sucedâneos e lá me vou sentindo menos mal na UE . E percebo, que no meio dos destroços a que assistimos, esta seja, para muitos países limítrofes (Ucrânia, incluída)  uma espécie de Eldorado com tudo o que de falso o Eldorado possa ter. Ms sempe a anos luz do que foi o socialismo real  que, também, se esboroou por dentro sem apelo nem agravo. 

A UE também parece um farol para uma multidão de famintos, de perseguidos, de refugiado climáticos, de vítimas de guerras  repetidas e fraticidas. Ou será que se vislumbra uma multidão de "damnés de la terre" rumando à China, à Rússia ao Irão com o fito de permanecerem vivos, livres e sem medo do futuro.

Sem esperar ter a Verdade (com letra grande) do meu lado devo dizer que mesmo advogando uma solução de dois Estados para a Palestina, começo por ter uma pergunta simples: como é que se integra o enclave de Gaza num Estado separado dele por Israel. Alguém acredita  numa mirabolante troca de territórios par permitir a cas um dos actuais contendores um território contínuo e viável?

Uma terceira intervenção diz apenas "Xi, patrão" É pouco ou é muito conforme se queira, mas a uma exclamação não é possível responder

Há todavia coisas que tomo por absolutas: uma invasão é sempre uma invasão sobretudo se rompe tratados, se não foi provocada. E esse é  caso da Ucrânia e a prova de que esta continua a ter razão reside na sua obstinada resistência a algo que se previa durar umas semanas, maxime um mês. E não se diga que é com armas ocidentais porquanto e isso está dramaticamente à vista estas sempre foram poucas, entregues sempre com atraso. É apenas algo que significa que hoje, como em 1917,  a Ucrânia não quer ser russa, soviética, pertença de um império autocrático onde a liberdade foi sempre um mito.

Também creio, sem reservas, que um ataque terrorista é sempre um tiro no pé de quem ataca. nunca dá frutos e permite que à violência se responda com maior violência. QED!

 

 

 

estes dias que passam 870

mcr, 02.01.24

as falsas comparações

mcr, 2-1-24

 

O ano que findou e as primeiras vozes do novo foi fértil em língua de pau, de cassete ou em língua bífida como de resto o anterior século nos tinha habituado.

Desta feita alguma esquerda liberticida veio denunciar os defensores da Ucrânia de duas caras porque não denunciam o que se passa, neste momento, em Gaza.

Convinha lembrar que a Ucrânia foi invadida sem qualquer provocação da sua parte, contra acordos internacionais firmados pelo invasor que entretanto brandiu (ao que chegámos!) uma luta contra o neo-nazimo e outras balivérnias em que nem sequer a população russa acredita.

Gaza foi invadida depois do maior morticínio de judeus desde o fim a Grande Guerra.

Na Ucrânia a desproporção de meios é de quatro para um, sem sequer falar no argumamento nuclear que, aliás, tem sido várias vezes invocado por próceres russos, a começar por um repelente imbecil que não se coibiu de ser um presidente fantoche quando tal foi conveniente para Putin.

Na Ucrânia existe um parlamento livremente eleito com representações de vários partidos onde inclusive aparecia uma quinta coluna russista  que obedecia a ordens vindas do Kremlin e a chefes auto exilados em Moscovo. E bom será lembrar que, apesar de haver uma Duma na Rússia, com um partido e três faldos opositores, toda a gente, russos incluídos, sabe que o país é cada vez mais autocrático e que quem se atreve a criticar é condenado a duríssimas penas de prisão.

Em Gaza, a autoridade Palestiniana foi expulsa manu ,ilitari, os seus representantes foram fisicamente eliminados sem apelo nem agravo. Não há nessa faixa qualquer espécie de oposição política ou social. de resto também, não há qualquer esboço de vida democrática e o partido no poder só tem um programa expulsar os judeus desde o Jordão até ao mar.

O Hamas, proclama orgulhosamente que a sua gente ama a morte enquanto os judeus pelos vistos e segundo palavras deles amam a vida o que os torna vulneráveis e pouco combativos!

De resto que na Ucrânia, quer em Israel há vozes discordantes, o Governo sofre derrotas políticas (ainda agor o Sopremo Tribunal anulou uma lei votada no Parlamento pela maioria conservadora que reduzia boa parte dos órgãos judiciais a meros figurantes. O Mundo assistiu, graças à própria televisão israelita a gigantescas e continuas manifestações de cidadãos contra tal medida governamental . Nem em Gaza nem na Rússia se podem ver ocorrências semelhantes ou porque as não há, ou porque são reprimidas no ovo ou porue não há quaisquer meios de informação independentes.

No exacto dia do ataque a Israel, todos os comentários foram unânimes. Tal acto era uma espécie de acção suicidária mesmo se os seus autores se escondessem no meio de uma população que lhes serve de escudo. E todos sabem de longa data que os centros de poder do partido Hamas se encontram disseminados por túneis construídos com o dinheiro da ajuda internacional ao povo palestiniano que vive miseravelmente e que vê, sabe, que as suas escolas, mesquitas, hospitais abrigam bases militares de toda a ordem.

Não era segredo para ninguém que o Estado hebraico reagiria com brutalidade, violência excessiva e um poder aéreo e terrestre altamente sofisticado perante o qual o grupo terrorista não faz figura sequer de resistente.

De resto, também não é necessário pelo menos para a elite dirigente do Hamas que está longe do teatro de guerra, confortavelmente instalada em paraísos árabes longe da pobre multidão espavorida, faminta e desorientada que não sabe (nem pode) para onde ir. 

Já aqui se disse que os palestinianos não têm para onde ir porque nenhum pais irmão os quer. Nem sequer os países limítrofes Egipto, Síria, Jordânia ou Líbano. E seria bom recordar que, no que toca aos dois últimos o asilo prestado ao refugiados de guerras anteriores terminou em violentos combates contra os hospedeiros que, de resto, ripostaram com igual violência. 

 

Tudo isto é sabido de qualquer pessoa excepto das boas alminhas gentis que adoram usar lenços à Arafat e não podem ver judeus. 

 

É verdade que a propaganda palestiniana é mais bem sucedida do que a israelita sobretudo porque deste lado o poder militar judaico irrita profundamente o espectador. Só tardiamente o Estado judaico percebeu que deveria também usar imagens choque da matança do sul e não apenas casas esventradas por tiros ou manchas de sangue no chão ou carros queimados.  Aliás, nem sequer usaram imediatamente os vídeos apreendidos aos atacantes  feitos prisioneiros, outra novidade do terrorismo só tardiamente percebida pelos agredidos.

Todavia, onde a propaganda do Hamas melhor e mais fortemente se mostrou foi no capítulo dos testemunhos de crianças e mulheres. Convém lembrar que cerca de 70% dos habitantes de Gaza tem menos de vinte anos e que nesse grupo as crianças se destacam numa enorme proporção. Assim sendo, um bombardeamento (que atingirá sempre civis num território tão densamente povoado) terá sempre uma enorme percentagem de vítimas infantis, adolescentes e de mulheres tanto mais que boa parte dos homens ou pelo menos dos terroristas estarão bem abrigados na enorme rede de túneis construídos o longo destes anos  em que já não havia presença israelita no território.

Mais exemplar ainda, outra lição!, é o facto de a propaganda do Hamas enviar continuamente imagens de crianças feridas ou não sendo que estas últimas debitam uma comovente, bem articulada e dolorosa conversa sobre a paz, a infelicidade, o terror das bombas, a família desaparecida.  Com um senão: trata-se de discursos demasiadamente bem organizados para sa. E ainda por cima são discursos com uma duração superior ao que se esperaria de crianças, mais salrem de jacto, sem hesitação da boca de meninos. Mais elaborados e, curiosamente, bem mais próximos no seu conteúdo das pessoas que amam a vida e não a morte como o Hamas sempre ensina.

 Obviamente nada disto permite esquecer a guerra, a brutal destruição de casas e equipamentos, muito menos as mortes que no caso em apreço serão sempre muitas, e a maior parte das vezes de vítimas sem directa ligação aos combatentes.

Raras vezes as imagens palestinianas são de homens e, quando assim sucede, vem maioritariamente de gente idosa e desamparada.

Numa palavra, a guerra da propaganda corre mais do que bem a favor do Hamas  tanto mais que do lado de Israel aparece constantemente o espantalho de Netaniahu um ´lider apoiado pelo que há de mais rançoso e reaccionário na sociedade israelita, alguém que, ainda por cima, tem uma série de processos a correr contra ele e quase sempre por motivo desonrosos.

DE certa maneira pode dizer-se que alguma, a que resta,  russofilia ainda em voga em certas parcelas da opinião pública de Esquerda se alia com naturalidade ao anti-sionismo que, de resto também marcou longamente a vida e as opções de vários dos países em tempos apelidados de "socialistas.

E, para finalizar, gostaria de realçar o facto de a chamada solidariedade dos píses muçulmanos  (esmagadoramente não democráticos ) se ficar por manifestações e protestos contra o "Ocidente" sem todavia se darem ao trabalho de receber qualquer refugiado da palestina. A menos, claro, que se trate de chefes políticos e militares do Hamas e de outras organizações satélites que continuam corajosa e firmemente o combate de quantos morrem longe nos campos de batalha. É o costume em muitas, quase todas, as revoluções que marcaram e marcam estes dois últimos séculos: longe da vista e do perigo mas perto, quase ao lado, do conforto e da tranquilidade!   

 

 

 

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