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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

au bonheur des dames 613

mcr, 12.02.24

 

 

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breve apontamento carnavalesco

mcr, 12-2-24

a televisão, todas as televisões esfalfam-se para nos mostrar o caricato torrãozinho de açúcar a imitar o carnaval do Rio.

Convenhamos que é tarefa impossível: falta o calor, as escolas de samba, as mulatas, oo delírio e os mecenas que vem do sector mais clandestino da sociedade brasileira.

Também faltam os letristas e os compositores  e a tradição .

Por cá os desfiles são pífios, mesmo se atraem gente, a chuva e o frio chateiamo público e torturam os desfilantes. 

No meio daquela tristura ainda aparecem uns pobres diabos vestidos de mulher  vulgo matrafonas invenção que atinge as raias da pobreza de espírito catatónica. 

E no entanto...

E no entanto há algumas velhas, luzidas, coloridas tradições carnavalescas que se conservaram em Trás-Os-Montes e até mereceram distinção da UNESCO. E, pelos vistos atraem também curiosos que aproveitam para petisca o melhor fumeiro de Portugal e um vinho que pede meças aos melhores. 

Viva Podence, vivam os caretos, vivam os artesãos que fazem as máscaras e os fatos. 

(quando refiro Podence, quero falar de todas as restantes aldeias onde os caretos chocalham)

 

o leitor (im)penitente

mcr, 12.02.24

 

 

NOÉMIA de SOSA

Deixa passar meu povo

para João Silva

Noite morna de Moçambique

e sons longínquos de marimbas chegam até mim

– certos e constantes –

vindos nem eu sei donde.

Em minha casa de madeira e zinco,

abro o rádio e deixo-me embalar…

Mas as vozes da América remexem-me a alma e os nervos.

E Robeson e Maria cantam para mim

spirituals negros do Harlem.

“Let my people go”

– oh deixa passar o meu povo,

deixa passar o meu povo! –

dizem.

E eu abro os olhos e já não posso dormir.

Dentro de mim soam-me Anderson e Paul

e não são doces vozes de embalo.

“Let my people go”!

Nervosamente,

sento-me à mesa e escrevo…

Dentro de mim,

deixa passar o meu povo,

“oh let my people go…”

E já não sou mais que instrumento

do meu sangue em turbilhão

com Marian me ajudando

com sua voz profunda – minha irmã!

Escrevo…

Na minha mesa, vultos familiares se vêm debruçar.

Minha Mãe de mãos rudes e rosto cansado

e revoltas, dores, humilhações,

tatuando de negro o virgem papel branco.

E Paulo, que não conheço

mas é do mesmo sangue e da mesma seiva amada de Moçambique,

e misérias, janelas gradeadas, adeuses de magaíças,

algodoais, o meu inesquecível companheiro branco

e Zé – meu irmão – e Saúl,

e tu, Amigo de doce olhar azul,

pegando na minha mão e me obrigando a escrever

com o fel que me vem da revolta.

Todos se vêm debruçar sobre o meu ombro,

enquanto escrevo, noite adiante,

com Marian e Robeson vigiando pelo olho luminoso do rádio 

– “let my people go,

oh let my people go!”

E enquanto me vierem do Harlém

vozes de lamentação

e meus vultos familiares me visitarem

em longas noites de insónia,

não poderei deixar-me embalar pela música fútil

das valsas de Strauss.

Escreverei, escreverei,

com Robeson e Marian gritando comigo:

Let my people go,

OH DEIXA PASSAR O MEU POVO

 

quando referi em post anterior Noémia e Sousa, a "mãe dos poetas moçambicanos" não tinha à mão este poema manifesto escrito provavelmente nos anos cinquenta. Não sei porquê mas tenho a vaga ideia de o ter lido publicado no Notícias de Lournço Marques . Será mesmo assim?

No poema há refer^wncias a Paul Robeson e a Marian Anderson dois grandes cantores negros americanos cuja biografia estará segurente na internet. Se soubesse ºôr música iria pelos discos que tenho deles (acho que só em LP)e arriscava. Mas como já confessei sou um inepto nestas coisas pelo que não há música para ninguém.

Gostaria de dizer quem é João Silva a quem o poema vai dedicado mas de fcto não sei.E provavelmente hoje, setenta anos anos depois, ningu´m saberá. De todo o modo aqui fica Noémia, uma poetisa de corpo inteiro 

o leitor (im)penitente 265

mcr, 11.02.24

 

 

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Mário Pinto de Andrade

um  quase desconhecido em Angola

mcr,  10-2-24

 

 

Há uns dias (4-2.24) o jornal "Público" dedicava duas páginas  a Mário Pinto de Andrade, fundador  do MPLA e intelectual africano de primeira grandeza como se verificará adiante. 

O pretexto era a estreia de um filme  de Bill Woodberry ("Mário") num festival de cinema na Holanda.  

O título do texto era "Mário Pinto de Andrade deveria ser reconhecido como um grande pensador" e dever-se-á ao realizador do filme mencionado. 

Convenhamos: MPA é, pelos poucos que o conheceram lendo-o e acompanhando a sua carreira, de facto um pensador, u intelectual engajado, um escritor que merece ser lido e um revolucionário que o actual poder (e o anterior) em Luanda finge desconhecer. 

Sucedeu-lhe o mesmo que a Viriato Cruz  um poeta atropelado pela "História oficial" de Angola moldada pela clique que se apoderou do MPLA ainda antes da independência. Se eles ainda são referidos é em Portugal que se devem tentar encontrar as notícias escassas  e também os livros que escreveram (e não todos...)

Com a idade que levo ainda apanhei as obras de ambos, nomeadamente os poemas do Viriato, editados, nos anos 60 pela  Casa dos Estudantes do Império bem como uma excelente antologia  "La poeie africaine d'expression portugaise" (Pierre Jen Oswald ed, 1969, mais tarde traduzida em português e publicada em 1983 pela Africa editora (com a participação oo poeta  Francisco José Tenreiro, outro autor negligenciado.

Em 1977, com a preciosa e honrada colaboração de José Eduardo Agualusa surgiu (também traduzido do francês) "Origens do Nacionalismo Africano" (publicações D quixote)

Três anos depois apareceu "Mário Pinto de Andrade, um intelectual na política"  da autoria de   Inocência Maia e Laura Padilha (edições Colibri, 2000).

É provável que haja mais alguma referência editorial mas não consta na minha biblioteca.

MPA, exilou-se cedo em Paris e entre outras actividades foi director da revista "Prºesence Africaine", durante quase uma dezena de anos. Registe-se a enorme importância desta revista, o eco da sua acçãoe a qualidade ímpar dos seus colaboradores neste período.

Foi coordenador de várias organizações africanas e nomeadamente da Conferencia 

das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas mas nada diso impediu o regime angolano e Agostinho Neto de o forçarem a um exílio que durou até à sua morte. 

 

Se agora destaco MPA é não só porque um artigo do Público o vem lembrar mas sobretudo porque a comunicação social portuguesa está inçada por uma quantidade de articulistas que se reclamam da "afro-descendência" e, de passo, ao mesmo tempo, se situam num exacerbado  anti-racismo e anti-colonialismo sem porém, se interessarem pelasorte dos países africanos onde os  seus antepassados nasceram, sofreram e terão porventura lutado ou sido vítimas do sistema "imperial" . De África nada sabem ou muito pouco e de Portugal, pelos vistos, também não vislumbram grane coisa. Note-se que, genericamente pertencem a uma elite cultural e social que tem pouco  a ver com a realidade que atinge as populações africanas e vindas das ex-colónias.  Eu percebo que se sintam um pouco numa "terra de ninguém"  pela cor e pela sensação de não pertencerem a nenhuma das comunidades de onde vieram (a portuguesa, branca e a a africana negra).

Curiosamente, não os vejo a intervir nas antigas colónias, a defender um par de valores hoje em perigo. A começar pela defesa das línguas vernáculas que, a chamada língua oficial nacional  relega para o não uso e para o esquecimento. 

Os leitores talvez não saibam mas é difícil encontrar dicionários  e, creio, os que existem publicados, são todos de autores portugueses, nomeadamente missionários. Durante anos fui-os encontrando e comprando a finada Livraria Portugal em Lisboa e actualmente nem em alfarrabistas se veem.  

Não vale a pena referir literatura africana produzida nas ex-colónias porquanto contam-se poucas edições e muitas delas estão eventualmente disponíveis (e só em alfarrabistas) apenas porque houve co-edição portuguesa, da antiga metrópole do país colonialista, racista e não sei que mais "ista"

Por exemplo, numa consulta à wook verifiquei que de Noémia de Sousa exista apenas uma edição francesa e não há resquícíos de uma bem antiga edição patrocinada pelos Caminhos de Ferro de Moçambique. Apenas refiro a Noémia porque se trata de uma grande autora, perseguida, que acabou por morrer em Portugal. Pelos vistos há, actualmente uma edição brasileira (Kapulana ed) disponível  que reedita os poemas aparecidos em "Coração em África" que mão amiga me conseguiu com fortes empenhos em Moçambique. 

Este rosário de lamúrias poderia prosseguir por páginas e páginas. 

Não vale a pena ou, melhor dizendo, isso é pregar no deserto. Sirva a título de exemplo, a sorte que tiveram algumas excelentes publicações da Diamang, Museu do Dundo, todas sobre o povo kioko  (Tchokué) Foram publicadas uma série de monografias em que se destacam as dirigidas por Marie Louise Bastin,,  José Redinha, Mesquitela Lima ou J Osório Oliveira.

A primeira teve honras de reedição numa colaboração entre os museus do Fundo e Antropológico da Universidade de Coimbra (o problema é conseguir comprar a obra!....)

As restantes pela raridade atingem no mercado preços elevadíssimos e, normalmente, não se conseguem encontrar. Devo dizer que, por um bambúrrio monumental, consegui de uma só penada quatro delas pagando obviamente um preço forte que, todavia, andou, naquele milagroso caso, e surpreendentemente, muito abaixo do que se anunciava. 

Se mais uma vez vim a este género de temas é porque acredito que, apesar de tudo o que penso do fenómeno colonial, algumas coisas houve que correram bem, que permitiram um avanço no conhecimento científico e etnográfico de África e que deveriam ser conhecidas por todos quantos amam África. 

 

vai esta em memória do António Neto asassinado em Luanda durante o golpe nitista, do Mário Brochado Coelho, advogado incansável de Joaquim Pinto de Andrade, , da  Noémia que eu conheci num violento "dia do Estudante", na cantina do Técnico, tão frágil e tão encantadora, da malta de "O Brado Africano de que fui assinante, da "Tribuna" de Lourenço Marques, um jornal muito à frente do seu tempo e do Manuel Fernando  Magalhães, jornalista de mão cheia e autor de uma pequena novela "3x9=21"  (Coimbra, Atlântida ed, 1960), péssimo aluno a matemática e perseguido pelo regime colonial e pela FRELIMO durante o seu auge governamental e anti-popular.

 

Na vinheta: algumas das monografias editadas pela Diamang (A arte do povo cokué, M-L Bastin, Paredes Pintadas do Lunda, Máscaras da Lunda e do Alto Zambeze, Campanha Etnográfica ao Tchiboco, todos de José Redinha, Os Akike de Mesquitela Lima e Cabaças gravadas da Lunda de J Osório Oliveira. Naturalmente a máscara (mácara Muquiche -ua-Puo) é da etnia Tchokué. 

 

 

 

Incursões à mesa

José Carlos Pereira, 09.02.24

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A poucos meses de se completar o vigésimo aniversário do Incursões, os (resistentes) autores do blogue reuniram-se à mesa no restaurante Caravela, em Vila Chã, praia do concelho de Vila do Conde. Um muito agradável convívio que teve na ementa os temas recorrentes da política, com as próximas eleições legislativas em destaque, mas também com tempo para debater temas tão diversos como a Igreja e...as eleições no FC Porto. Entre amigos nunca falta tempo para o debate de ideias!

estes dias que passam 881

mcr, 07.02.24

Noutros tempos...

(e nestes!)

mcr, 6-2-24

 

 

Nos pouco exaltantes tempos em que passei pelas priões do anterior regime, uma das queixas mais frequentes era a demora em iniciar os interrogatórios dos presos. 

A PIDE/DGS tinha o hábito de deixar os presos a "amolecer" nos ""quartinhos" do último andar da sede na r António Maria Cardoso.

Estes "quartinhos" tinham, se é que me lembro bem, uma mobília escassa: uma mesa e uma cadeira onde se sentava o agente que nos vigiava. Eram, geralmente, agentes jovens que estavam ainda a aprender as primeiras regras da profissão. Limitavam-se a estar sentados, às vezes dava-lhes para conversar enquanto o preso ia varando dias e noites sem dormir nem se sentar. Eram os famosos tratamentos da "estátua" e do "sono".

Estreei-me nesse regime na última e mais prolongada detenção que sofri. A coisa durou seis dias e mais cinco. O intervalo ocorreu para me permitirem ter visita da minha mulher e meus sogros e, provavelmente, destinar-se-ia a fazer crer que eu já estava instalado em Caxias, onde esse primeiro encontro decorreu.

Este tratamento "amolecedor" terminou quando oinspector que finalmente se dignou aparecer percebeu que os seus beleguins ou informadores parisienses não tinham conseguido perceber que, em vez de um jantar com Hélder Costa, eu teria também almoçado com ele. 

Pelo menos foi isso (uma mentira desafiadora minha) que declarei quando a criatura me atirou à cara o episódio do jantar. Devo dizer,  em abono da verdade e sem querer insultar o Hélder Costa,  que interrogado sobre a nossa conversa, eu me limitei a dizer que fora sobre mulheres coisa aliás plausível dada a fama de D Juan do Hélder. 

Em boa verdade, eu disse ao inspector que, com o HC, nunca me passaria pela cabeça falar de política. Que a fama de sedutor do  Hélder seria do conhecimento da polícia salvou-me de mais interrogatórios e deu como comprovada a minha inocência. Há já largos anos confessei ao Hélder o pouco elegante (mas muito eficaz..) estratagema e ele riu-se perdidamente não sei se pela minha desesperada ideia se pelas saudades de uma juventude recheada de amorios rápidos. 

A partir desse momento, a minha entrevista com o inspector foi fácil. Depois de declrar que nunc pertencera ao PC, o que de resto era verdade, afirmei-lhe que, como oposicionista declarado, sempre me manifestara sem receio da polícia, assinara todo o papel qque me fora apresentado, concorrera acargos na Associação Académica e fazia pública fé da minha ojeriza ao regime. Só que, frisava eu, entretanto acabado de me licenciar em Direito, era perfeitamente salvaguardado pelo famoso artº 8º da constituição e não dava para acusações mais pesadas. Claro que, mesmo assim, penei meses  em Caxias sur mer, numa cela com vista para o rio, e só fui libertado contra o pagamento de uma caução pesada que ultrapassava em 50% as prestadas pelos restantes estudantes de Coimbra, presos na mesma altura e acusados de pertencerem à juventude comunista. Três anos depois, o 25 de Abril acabava com o processo e lá fui pela caução.

Se refiro isto é apenas para afirmar que as actuais condições de prisão dos cavalheiros madeirenses nos cárceres da PJ e a demora em os identificar e interrogar é uma forte mancha naquilo que se convencionou chamar "justiça democrática". 

E, se bem me recordo, é uma excepção à regra seguida em países da UE onde as 48 horas são um princípio sólido. 

Não vale a pena vir arguir com a dificuldade do processo, com as "novas provas" que, de resto tem sempre todo o tempo para serem apresentadas. Há no tratamento dos três presos (que nunca vi, e de que nem sequer tinha ouvido falar) um feio procedimento da magistratura, toda ela, e a posição expressa pela Ordem dos Advogados só peca por não ser mais dura na condenação. Interrogatórios e prisão como (com algumas ressalvas) no antigamente não melhoram a imagem dp poder judicial. 

Há aqui, perdoe-se a expressão, uma sanha conta pessoas que, até à condenação, tem direito em aguardar pelas acções processuais em liberdade e jamais numa jaula seja de que polícia for. 

Eu sei que uma certa opinião pública, muito moldada pelas redes sociais, pela iliteracia ética, moral e jurídica, se rebola de gozo quando vê ricos e poderosos  a contas com a polícia. Vai nisso um certo desespero pela pobreza, pela vida medíocre e sem horizontes, uma indisfarçável inveja e a habitual sanha justicialista que alguém, sobretudo os populistas, sabe mover num sentido bem explícito e claro.

Depois, mesmo que as circunstâncias sejam diferentes, os factos eventualmente mis evidentes  num que no outro processo, basta comparar o tratamento dos "madeirenses" com os da claque portista. 

Até já ouvi, com estes que a terra há de comer, que a rapidez  com que tem sido ouvidos, libertados vários, tem a ver com o facto dos magistrados temerem agressões. Mesmo que obviamente isto pareça injusto e não crível e  que a gravidade dos eventuais delitos  seja absolutamente notória, este modo de tratar uns e outros deixa uma marca  que, a prazo, não melhora a percepção da actividade das magistraturas.

(fique claro que não acredito que a conformidade dos interrogatórios com as regras do procedimento penal se deva a ameaças ou ao temor que elas suscitem)

Não tenho nestas situações descritas quaisquer  parti-pris. Não gosto de claques, não sou adepto de qualquer dos grandes clubes de futebol, não frequento a Madeira, não simpatizo politicamente com os seus dirigentes políticos e nunca tinha ouvido falar dos potentados económicos em causa. Culpados ou inocentes são cidadãos como eu e tem direitos como eu. Isso me basta para referir estes casos.

E, já agora, para me surpreender a coincidencia das acções levadas a abo com os tempos eleitorais que vivemos. Mas isso levar-nos-ia longe e ainda não é o tempo de friamente tentar perceber o que se passa. Ficaremos pela coincidência sem ainda as adjectivar

A proximidade do Carnaval mesmo para quem o não tenciona celebrar  não dá para discorrer sobre a realidade ou as suas aparências

 

 

estes dias que passam 880

mcr, 03.02.24

Finalmente!..

mcr, 3-2-24

 

 

A Casa Branca acaba de denunciar como terroristas  um punhado de colonos judeus (dos mais que ilegais colonatos na Cisjordânia) que já aqui, neste blog, goram denunciados como meros criminosos . De resto não foi preciso muito: essa gente não se coíb  de matar diante de câmaras de televisão, de matar cobardemente, sabendo como sabem que elementos das forças armadas ou policiais do Estado israelita estão a dois passos prontas para os defenderem se, acaso, algum palestiniano pretende ripostar. 

É gente desta que agora se propõe restabelecer colonatos na zona norte da faixa de Gaza para defender Israel. 

Imagine-se ocomo seria tal regresso sobretudo quando Gaza não tem além da fronteira aferrolhada a sete chaves pelo Egipto qualquer outra que não seja Israel. Ou seja, com esta escória criminosa à solta ainda veríamos os palestinianos da zona terem saudades da guerra que ora ocorre.

Ao que parece, estariam já identificados alguns colonos terroristas que verão os seus bens congelados no caso improvável de os terem em território americano. 

Na mesma notícia, assinalava-se que a medida vinha directamente de Biden que, provavelmente, começa a estar mais que farto das tropelias daqueles émulos dos nazis.

Também me chegou a notícia que a diligente comunidade israelita do Porto se zangou muito com as críticas feitas pelo BE .E que teria levado a sua ridicula indignação até à formulação de uma queixa por anti-semitismo.!...

De todo o modo não é a primeira vez que este grupo de criaturas se dá por perseguido e se queixa a toda e qualquer entidade que tenha a fraqueza de lhe dar ouvidos. Não se conhecem é resultados de tão estapafúrdias acções  mas também é provável que a gritaria apenas servisse para aparecer nas notícias e, eventualmente, preparar uma qualquer defesa nos processos que conta a CIP correm. 

A prova de que o HAMAS tem êxito é justamente esta imitação judaica que faz tiro ao alvo na Cisjordãnia  sempre que percebe que as vítimas não tem meios de defesa.

Pelos vistos, tal como os terroristas árabes ainda não perceberam o descrédito que causam e a perda de simpatia por esses mundo fora, europa incluída. 

 

 

 

au bonheur des dames 612

mcr, 01.02.24

 

Os educadores do povo

(e dos automobilistas)

 

mcr, 31-1-24

 

No texto anterior ficou por dizer algo que parece evidente: há nos cavalheiros do metrobus e nas pessoas que os apoiam uma clara sanha ao uso do automóvel. Na falta de condiçoes de circulação decentes (e o estreitamento das faixas de rodagem das avenidas do Marechal Gomes da Costa e da Boavista, bem como as modificações já visíveis nos acessos a   esta última não garantem uma melhoria como seria previsível em obras desta dimensão e ambição)poderá pensar-se que há uma deliberada má vontade contra o automóvel.

 

Percebe-se que haja quem julgue o transporte individual o suprassumo do progresso ambiental. Seria bom recordar o transporte marítimo, os aviões, o fabrico de toda a espécie de produtos industriais e, sobretudo, valeria a pena lembrar que o mundo é um só e sem o acordo de mais de metade do mundo (refiro apenas a China, a Índia e toda a África, sem esquecer a Rússia e seu imenso território). Isto não significa que se advogue a inacção mas apenas que neste tipo de obras públicas o bom senso é essencial.

Em tempos que já lá vão o pais assistiu divertido e surpreendido ao aparecimento de um "grande educador do proletariado" indígena , numa das inúmeras capelinhas políticas da extrema Esquerda. Nem o MRPP nem o seu líder, Arnaldo de Matos  (o "educador em questão) perceberam o ridículo desta fantasiosa imitação do pior que a Revolução Cultural (aliás  "grande revolução cultural e proletária)chinesa produziu. 

Obviamente não quero misturar alhos com bugalhos nem sequer comparar os ideólogos das obras do metrobus com as aberrantes denominações políticas mencionadas. Por duas razões: o metrobus é dirigido por uma série de cavalheiros solidamente burgueses e de boys que aí tirocinam para mais altos voos. A segunra é evidente: Arnaldo de Natos que conheci razoavelmente era alguém inteligente mas devorado pela paixão política. Não queria eliminar os automóveis das ruas mas apenas levar os seus utentes aos cumes da revolução utópica que o fintou toda a vida. 

Os metrobuseiros devem acreditar piamente que ao tornar mais dificila circulação automóvel, tornam os portuenses mais felizes mesmo se esta experiência em curso vá sobretudo atingir duas zobs de classe alta e nuito alta. E, bo que toca a população, aqui a percentagem atingida é mínima pelo menso nos dois eixos principais onde se  desenrolará a aventura do novo meio de transporte.

Há neste género de tentativas uma odeia subjacente que é a de "educar" o indigenato local, a populaça. A coisa já foi visível com as leis do taco e da sua venda que, espantosamente, atingiam sobretudo as gentes do interior .Proibir a venda de cigarros nos cafés, ultimos redutos de povoações que viram fugir serviços públicos de toda a espécie, que não estão junto de tabacarias (uma miragem) nem de estações de serviço onde a venda de tabaco e  a de álcool são permitidas!!

Suponho que na mente evangélica da ministra que se lembrou de tal lei estava a imagem horrenda dos malefícios do tabaco (malefícios mesmo e não  da peça de Tchekov, personagem de que a senhora nunca terá ouvido falar) e a bondosa ideia de nos salvar dessas atrocidades. 

De quando em quando o Governo (os governos na generalidade) lembra-se da sua missão de pastorear a grei e toma lá disto. Mais uma lei para nos salvar do inferno. Os fumadores (de que, com infinita saudade, já não faço parte  vai para quase trinta anos) não tem sequer direito a uma salinha de chuto na aldeia perdida entre montes e vales. 

E só ainda andam de automóvel porque depois de uma lei imbecil e salvífica do do clima o Governo caiu e para não enfrentar um milhão de proprietários de carros velhos voltou atrás mandando os seus títeres parlamentares anular a medida. 

Dirão que sou um incrédulo mas aposto um contra dez em como os passeios alargados irão servir de estacionamento aos carros . De certo modo, será um progresso porquanto sempre que subo ou desço a Avenida estão muito carros estacionados em dupla fila, há camiões sempre a descarregar material diverso, os táxis param onde lhes dá na mona para deixar um passageiro e se alguém reclama berram que estão a trabalhar. E isso, essa má criação continuará a existir.

O grande educador da classe operária já morreu, o seu partido está em morte cerebral desde há muito, o proletariado continua a ouvir embevecido as sereias da "reacção" e a sonhar com um totoloto que o livre da sua triste condição  e noutros pequenos partidos exóticos continua a tentação de educar as massas que, indóceis e réprobas votam nos partidos tradicionais ou caem na abstenção. Nos sítios destinados à educação faltam meios, professores, instalações decentes  e as famílias desesperam. mas isso já não é novidade apenas o país que temos.

 

apêndice que nada (ou tudo?)em a ver: as contas públicas de 2023 fecharam com um saldo inesperado de 4.700 milhões de euros. 12% a mais do que o Orçamento previa. Pergunta-se se os autores do mais importante documento político anual são incompetentes, erram contas ou foram apenas traídos por quem devia executar o Orçamento. 12% não é uma surpresa maravilhosa. É uma brutalidade. Saia um educador ou um explicador de matemática para esta gente. Depressa!

 

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