Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 1002

mcr, 28.07.25

Das indignidades várias que assolam o mundo actual

mcr, 228-7-25

 

Comecemos pela cena doméstica que, felizmente é isso mesmo, doméstica, miserável e de pequena dimensão, relevando mais da estupidez que da maldade intrínseca e racista.

Ao contrário do que afirmaram na tv várias personalidades a indignidade em que os “”pretos” viviam em barracas miseráveis em Loures, era de todo o modo inferior à indignidade a que foram submetidos depois de lhes destruírem o alojamento mais que precário. Ao ficarem sem esse telhado risível ficaram em situação ainda mais indigna do que a anterior. Ponto, parágrafo.

Passemos ao vasto mundo onde a indignidade campeia alegremente. Nem sequer vale a pena falar da Ucrânia onde diariamente são bombardeados alvos civis sob o falacioso pretexto de que ou alimentam o esforço de guerra ou são mesmo zonas militares que devem ser destruídas. Isso dura há três anos e está para continuar.

Não vale a pena referir a Eritreia onde o terror nunca deixou de reinar desde que aquela terra se proclamou independente. Também não merece especial menção a atroz guerra civil que devasta o Sudão e que sucede a uma outra que devastou o que agora se chamará Sudão do Sul ou algo semelhante. O  mundo provavelmente nem saberá bem ao certo onde é o Sudão, menos ainda as(des)razões da guerra actual,  as multidões em fuga e as mortes incontáveis. Aquilo são “pretos” e basta...

Fiquemo-nos, porém, em Israel, Estado vagamente associado à Europa que se mostra incapaz de olhar de frente para o que o exército israelita, às ordens de um delinquente, apoiado por um bando de radicais extremistas, faz em Gaza. Desde a prática de tiro ao alvo contra esfomeados alucinados por uma sopa rala (semelhante provavelmente à que havia nos campos de concentração Nazis) até à fome programada que já matou uma centena e meia de crianças sem falar no que muitos qualificam de genocídio (e as dezenas de milhares de mortos prestam-se a tal qualificação) ao terror desencadeado pelos bombardeamentos constantes de tudo o que mexe e de tudo o que não mexe (mais de 80% do edificado está em destroços, incluindo, escolas, hospitais, mesquitas sempre sob a acusação de serem velhacoutos de terroristas ).

Qualquer leitor(a) dirá que misturo alhos com bugalhos,  o que, de certo modo, é verdade. Todavia, e em minha defesa apenas posso alegar  que a legalidade do autarca de Loures ignora tudo o resto, a humanidade, a ética, a decência, a incapacidade de resolver os problemas existentes e de os agravar com novos desenvolvimentos que por sua  vez hão de criar outros e assim sucessivamente. O autarca ainda não matou ninguém mas também ainda não salvou o que quer que seja, sequer a imagem de uma terra que agora é pilhada por toda a gente sem especial simpatia (minto: o Chega deve estar aflito por ver que nenhum candidato seu poderá bater uma criatura que faz o que ele prega e tem o apoio do PS).

Israel partiu para este ataque a Gaza com três mil mortos inocentes com mulheres violadas, crianças e adultos raptados, enfim com a compreensão de toda a gente, incluindo-se aí muitos árabes. Gaza, por seu lado, deu-se ao  luxo de em certos, muitos locais, festejar a infâmia terrorista. E , é bom não o esquecer, de também em muitos locais ter pactuado com a direcção política do HAMAS. O problema, como noutras latitudes, é que a resposta israelita excedeu tudo o que até à altura era pensável e justificável, duvido mesmo que a recuperação dos reféns tenha sido sequer tida em linha de conta. Deu jeito mas a falta de cuidado (demonstrada no caso dos três reféns fugitivos e nus que o exército israelita primeiro matou e depois foi ver quem eram prova sem lugar a especiais dúvidas).

Israel poderá eventualmente dizimar fortemente os soldados do HAMAS mas nunca conseguirá destruir a sua direcção política comprovadamente a salvo nos Emiratos nem muitas das razões da sua luta. Também não  convencerá a “rua” árabe sequer muito muitos dos simpatizantes do Estado palestiniano muitos dos quais inimigos jurados do “sionismo”, do capitalismo e de vários outros ismos todos de origem sinistra.

E seria bom que ninguém esquecesse que Gaza é apenas a face horrenda de um outro massacre silencioso que ocorre na Cisjordânia onde colonos israelitas sempre protegidos pelo mesmo exército israelita matam tranquilamente camponeses palestinianos  expulsos das suas terras.

Claro que haverá sempre, no pequeno e miserável caso português de Loures, quem diga que ali apenas se cumpriram ordens e a legalidade "democrática”. É verdade mas cumprir cegamente as ordens não significa que se não se deva reflectir  na oportunidade de o fazer.

E já que Loures e a sua circunstância continua a excitar a comunicação social que é que se poderá dizer da última e tardia (oito dias) revelação do autarca Leão que afirmou numa reunião com outros autarcas e na televisão que havia provas de que no bairro do Talude se vendiam casebres. Forçado a mais explicações acabou por dizer que uma pessoa (UMA!) teria pago 2 ou 3 mil euros por uma cabana em kit vendida por alguém que finalmente não vive nesse amontoado de lixo e pobres emigrados. Segundo o autarca já havia uma queixa no MP. Convenhamos que parece bizarro, demasiado bizarro que esta notícia apenas seja dada uma semana depois das demolições. Pior com que fundamentos seguiu a queixa da alegada venda do casebre? E que provas há do preço? E porque é que não se identifica o vendedor, autor de tão temível venda?

Claro que pessoas de má fé (nanja eu que até acredito na santinha da Ladeira e nos fenómenos do Entroncamento..) poderão maldosamente dizer que a venda é falsa, o vendedor inexistente e o denunciante apenas um pobre diabo pago para o efeito.

Se porventura estas pessoas todas inimigas juradas da criatura de Loures estiverem certas convenhamos que à indignidades já evidenciada se juntaria uma outra, a mentirosa burra e desesperada. A ver vamos, como diria o cego...

estes dias que passam 1001

mcr, 24.07.25

Ele não merece...

mcr, 22-7-25

 

Há muitos, muitos anos, Alexandre O Neil, um poeta muito, mas muito, cá de casa inventou um slogan eleitoral para o PS.

E começava como o título do folhetim proclama.

De seguida, o poeta, rematava “vota PS”.

Essa foi a minha agenda durante quase todos estes anos. Para já, entendi e aqui o afirmei, que votarei sem quaisquer reservas em  António José Seguro, pessoa que não conheço pessoalmente, que não entusiasma mas que ao que se vê da procissão me parece ser o melhor candidato desta área que é a minha.

Quando anunciei esta escolha, disse, e repito, que duvido que ganhe. A sombra de Gouveia e Melo é longa, de certo modo ele partiu à frente mesmo sem nunca o dizer (bastaram os seus alegados apoiantes e a comunicação social que, de tanto perguntar, admitir, proclamar o tornou um muito sério candidato).

Nada tenho contra o almirante, apreceei a sua alegada posição ao centro entre o PSD e o PS, pouco me importa que o Chega já tenha tentado proclamá-lo seu candidato  e mesmo sendo um paisano arreigado desde sempre, nunca fiquei ofuscado por fardas (oh como me arrepiou a da “mocidade portuguesa”, organização a que baldei tanto quanto era possível).

Um militar na reserva é, para vários efeitos, um civil e tenho mais medo dos civis que se disfarçam de militares do que destes últimos.

É verdade que durante o Estado Novo e, mesmo antes, com a República, houve um bom par de militares que ou deram presidentes ou pretenderam. Nos primeiros enfileiram-se Carmona, um mação, Craveiro Lopes  que acabou por se malquistar com Salazar e o “Mira Carpetes", um almirante de água doce que, porém, era um determinado defensor do regime.

E recordo que a “oposicrática” enfileirou um par de generais, Norton de Matos, Quintão de Meireles e finalmente Humberto Delgado. Todos eles tinham um largo historial de relações com  o Estado Novo e todos, naturalmente, se malquistaram com Salazar que, de certo modo, deve a Gomes da Costa e Mendes Cabeçadas. O primeiro foi presidente durante umas semanas, foi exilado para os Açores e mais tarde tornado marechal. O segundo, um almirante, foi o principal dirigente do golpe militar chegou a ser indigitado para Presidente da República mas Gomes da Costa tinha a tropa na mão. Cabeçadas, posteriormente juntou-se ao “Reviralho” que ele tinha derrubado. Não foi o único militar que mudou de trincheira: Botelho Moniz ou Henrique Galvão tornaram-se também adversários do Estado Novo e pagaram elevada factura por isso.

Tudo isto para dizer que a tropa andou sempre à volta do poder e, de certo modo, mesmo depois do 25 A os militares não pararam de fazer política. Lembremos Vasco Gonçalves a quem uma certa esquerda mais ingénua do que realista jurou ser a sua “muralha de Aço”, Otelo que de herói passou a dirigente da mais forte e vergonhosa conspiração que afectou o país. Há mais um quarteirão de figuras que se destacou durante o Verão quente e nos anos posteriores e é bom lembrar que muitos dos actuais civilistas a 200% embandeiraram em arco com eles. E o primeiro Presidente da República constitucional foi, lembram-se, Ramalho Eanes que aliás sucedeu a Costa Gomes outro general que não só parou Spínola mas susteve Pinheiro de Azevedo, o impulsionador de uma extraordinária greve do Governo, famoso por ter mandado bardamerda a uma manifestação gigante de trabalhadores &  associados.

Portanto, e para terminar, o actual almirante candidato não é uma novidade, sequer uma excepção antes um continuador  de uma arreigada tradição político-castrense.

De todo o modo, afirmei o meu apoio a Seguro, tenho a clara percepção que vai perder mas já perdi tantas vezes que mais uma não me causa especial mossa. Perdi contra Cavaco, voltei a perder contra Marcelo mas ninguém me tira o gozo de ter ganho com Soares e com Sampaio

Todavia, dentro do partido que Seguro dirigiu (tendo até tido uma vitória eleitoral  depois de um longo jejum socialista, merecido aliás, depois do tsunami socrático), aparecem algumas criaturas que preferem perder mais violentamente ainda do que confiar o seu voto a um homem  que apesar de tudo nunca foi desleal ao partido. Agora, goradas as hipóteses mais faladas, eis que desenterraram o ex-reitor da Universidade de Lisboa, o doutor Sampaio da Nóvoa  seguramente alguém dentro da Academia mas sem quaisquer pergaminhos políticos.

Ainda não se sabe se SN irá candidatar-se. Para já pondera, coisa que tem sido frequente nos candidatos a candidatos, sobretudo nos do PS. Quem também pondera, ou pelo menos a fofoca jornalística assim o diz, é Rui Moreira, um homem que presidiu  à Câmara do Porto durante três inteiros mandatos e que deixa, claramente, obra feita. Votei nele sempre porque os candidatos socialistas, como o actual, que não tem força, ideias, clareza ou obra que o destaque, não souberam convencer os portuenses.  Lá terei de me abster mas também essa hipótese já não me é estranha. 

estes dias que passam 1000

mcr, 21.07.25

 

 

Depois do protesto vieram as “compreensões”

mcr, 22-7-25

 

Escrevi aqui um texto sobre Loures. Não retiro nem uma vírgula mesmo sem ainda saber se, porventura, alguém entendeu discordar. Todavia, depois de ter ouvido via TV várias notabiloidades defender o autarca de Loures afirmando que no fim de contas, como de costume, a culpa é do Estado e, pior, que nós todos teríamos visto a coisa crescer e assobiamos para o ar, tenha a dizer, tão só que também compreenderia a criatura de Loures se as demolições tivessem sido feitas quando o “bairro” começou a aparecer. A lei assim o determina e, de facto, as autarquias não podem sequer fechar os olhos às construções clandestinas. Por todas as razões que os defensores do sr. Leão aduziram e por mais outra: estes abarracamentos nem sempre servem apenas pessoas fragilizadas mas, e isso é conhecido desde há muito,  quase sempre tornam-se  locais ideais para toda a espécie de tráficos criminosos. (em boa verdade os traficantes de droga estabelecem os seus quartéis generais e os centros de distribuição, em bairros camarários mas nunca desaproveitam as possibilidades de estender às barracas parte da sua actividade)

Porém, e para voltar ao vandalismo autárquico, as demolições só começaram agora, em véspera de eleições e depois da campanha miserável do Chega. Aquelas famílias já ali estavam horrendamente instaladas há anos ou de todo o modo há muitos meses. Também, disse, e repito, que o facto de os agora desalojados serem negros, possibilitou, digam o que disserem, a acção camarária. Negros de S. Tomé, quase todos, emigrantes relativamente recentes, todos empregados e por salários infames.  Ou apenas baixos.  

Também  parece liquido que a CM de Loures tem exactamente o mesmo número de casas municipais que tinha há 20 anos! Ou, por outras palavras, neste domínio nada foi feito (se é que era possível fazer algo) no capítulo da construção para gente sem recursos.

Finalmente, as ofertas que a CM de Loures começou subitamente a fazer não resolvem nenhum problema dos desalojados, não duram no tempo, nem resolvem o problema mais importante: esta comunidade ora devastada conseguia funcionar no que toca ao cuidado com as crianças, graças exactamente ao facto de se conhecerem todos, de virem das mesmas terras e de poderem entreajudar-se. Mandar uma mãe para uma pensão não resolve o problema do(s) filho(s) e ainda por cima torna mais difícil o acesso ao emprego como fartamente foi denunciado na televisão.

Há neste torrãozinho de açúcar o feio vício de atirar para o Estado a resolução de todo e qualquer problema. Não há o hábito da solidariedade, do empenhamento na ajuda, sequer de tentar ir resolvendo pequenos problemas mesmo quando o grande está por resolver.

A culpa é do Estado, melhor, como dizia alguém, “a culpa é de nós todos”.

Recuso-me a aceitar culpas. Pago todos os meus impostos, estou comprometido com várias ONG a quem ajudo monetariamente, proponho incessantemente pelos parcos meios ao meu dispor pequenas soluções que não salvando o mundo o tornam apesar de tudo ligeiramente, muito ligeiramente, menos horrível. E esta minha posição dura desde que, há muitos, demasiados, anos comecei a protestar. Sei do que falo, e seguramente, ainda há leitores que sabem disso. Não me disfarço de ideólogo e desde a entrada na universidade (e o início da minha actividade política) aceitei correr os riscos que mais de 90% dos portugueses não corriam. E paguei a factura, obviamente. Isso não me dá qualquer direito especial mas não permite seja a quem for tentar (como uma leitora Joana tentou) vir arrazoar sobre os revolucionários nesse peditório mesmo que reconheça que algumas atitudes tomadas nos anos 60 nunca as tomaria posteriormente. Mas a “circunstância” era outra o conhecimento do mundo idem e o que poderia parecer lógico há mais de 50 anos é impensável hoje.  

Voltando à vaca fria: o que se passou em Loures foi intolerável E foi-o porque não só não resolveu um problema grave mas juntou-lhe outro. Quem vivias numa situação indigna vive agora ainda pior. Ponto, parágrafo.

estes dias que passam 999

mcr, 17.07.25

Perguntas de leitor que não é operário

(nem, felizmente, vive em Loures)

mcr, 17-7-25

 

Se os habitantes do “gazeado” bairro do Talude fossem brancos, as casas teriam sido arrasadas?

Se os habitantes do talude, mesmo escurinhos, não trabalhassem mas vivessem do tráfico de droga, as casas teriam sido arrasadas?

Se a Câmara de Loures fosse dirigida pelo Chega, como parece, teria havido tanta demolição?

Que é  que distingue o Chega (se porventura, este fosse democrata) do PS de Loures?

Se uma ordem do Tribunal só é acatada tarde e a más horas, se um inquérito (anunciado...) do MP  não intimida o leão de Loures antes o faz dizer que as demolições prosseguirão, que é que distingue Loures de Torre Pacheco, exceptuando que nesta segunda cidade houve três jovens marroquinos a agredir um velho que se presume ser espanhol a 100 por cento?

(neste caso, sempre se poderá dizer que não foi preciso chamar os racistas de fora e que em vez de agressões houve demolições. Saberão os indígenas de Loures que a fascistada israelita também leva a cabo demolições quando o  locatário de uma casa é suspeito de terrorismo?)

Em Loures só louros?

Será que o actual presidente de Câmara continuará a ser (como tudo indica) o candidato do PS?

Será que o Chega precisa de um candidato mais “eficaz” do que o actual presidente de Câmara? Ou bastar-lhe-á pôr a cruzinha neste egrégio lusitano de pura cepa?

No bairro do Talude parece que havia mais de 200 construções clandestinas. Só agora é que deram por isso, ou a proximidade das eleições curou a eventual miopia camarária?

Poder-se-iam fazer mais perguntas mas estas nem sequer são dirigidas à autarquia de Loures. Com criaturas dessas não há diálogo, ponto parágrafo.

(nota: o título do folhetim é roubado a Brecht)

o leitor (im)penitente 214

mcr, 16.07.25

 

Até o JL?

mcr, 16-7-25

 

Num artigo de página inteira (em vez da coluna habitual...)

Meu velho, velhíssimo, amigo José Carlos de Vasconcelos  avisa os leitores  que parece quase inevitável a morte do jornal.

Um jornal dedicado às “letras, artes e ideias” que já vai no no 45º ano e em 1429 edições!

Eu bem sei que tudo acaba mas essa triste evidência dói-me. Este jornal é fruto de um Abril  recheado de esperanças e de uma equipa onde outros velhos (velhíssimos) amigos escreviam. Destaco apenas, por economia, amizade antiga e especial gratidão, só refiro o Fernando Assis Pacheco um poeta que morreu cedo à porta de uma livraria que ainda existe mesmo se muito diferente e menos rica.

Sou, sempre fui, um leitor de jornais, muitos jornais, alguns como o JL , o Expresso ou o Público desde o primeiro dia. Vem-me dos primeiros dias da faculdade esse vício ao longo destes últimos 65 anos. Uma vida pela qual perpassaram dezenas de títulos portugueses (o Diário de Lisboa, a República, o Comércio do Funchal - onde cheguei a colaborar - o Século  que durante o meu derradeiro “estágio” em Caxias me foi permitido e que lia desde a primeira à ultima linha sem esquecer a necrologia e o movimento marítimo. E mais uma série de outras publicações jornalísticas de onde destaco uma folha estival figueirense que se chamava “O Palhinhas”. Em Moçambique fui leitor fiel da “Tribuna” e do “Brado Africano”, este último como forma velada de apoio às aspirações independentistas da sua equipa redactorial e estrangeiros (fui e sou fidelíssimo ao Le Monde, ao Paese Sera e a La Republica italianos e dói-me a ausência de El País e do ABC, só aos sábados, pelo suplemento cultural que era excelente.)

No domínio das revistas também foi um fatoter e nisso incluo mesmo duas cubanas dos primeiros e bons tempos da revolução  mesmo se já só recorde o nome de uma (Bohemia)  e que era um manancial de frescura, liberdade, inovação e modernidade que o tempo e o fidelismo rapidamente apagou.  Outra revista desaparecida ainda nasceu nos tempos do franquismo espanhol - chamava-se “Triunfo" e nelas colaboravam alguns dos mais destacados nomes da oposição espanhola. Tenho várias prateleiras cheias de revistas espanholas, francesas, italianas quase todas eminentemente literárias. O mesmo ocorre com três revistas portuguesas de que fui fiel assinante até ao 25 A (o Tempo e o Modo, a Seara Nova e a Vértice). A primeira foi assassinada pelos energúmenos do MRPP, as duas restantes acabaram por cair na esfera sufocante do PC e se ainda por aí aparecem não passam de vagos fantasmas.

Da Gulbenkian ainda consigo, de quando em quando, apanhar algum exemplar mas juro que só após esforçadíssimos trabalhos. Quando estou em Lisboa só indo à Fundação é que consigo  arranjar as revistas entretanto saídas. Nem a Bertrand, nem a FNAC as vendem!

Pouco a pouco, foram desaparecendo jornais e revistas e, no caso português, o JL era um resistente.

Não só o comprei fielmente, número a número ao longo de todos estes anos mas encadernei-o  anualmente sempre.

Não há melhor método para conservar todos os exemplares pois sei por experiência própria que de outra forma perdem-se sempre alguns e (sempre) aqueles que, mais tarde, queremos consultar. Ofereci, por absoluta falta de espaço, há anos todos os exemplares ao meu primo António e tenho comigo os últimos três anos já encadernados para lhos entregar.

Temo que os poucos números deste último ano sejam os últimos pois duvido que a sua morte anunciada suscite um sobressalto cívico e cultural suficiente para continuar a editar-se.

O Augusto M. Seabra, não era um entusiasta do JL e até afirmava que daria os seus exemplares a quem “os estimasse”. Eu, sem ser tão  crítico, também arranjei quem estimasse aqueles quarenta e tal volumes que me enchiam três ou cinco prateleiras altas da cave que, de resto, está atulhada  de livralhada sobrante e menos consultada.

O fim penoso de Rui Moreira

José Carlos Pereira, 15.07.25

image.jpg

A menos de três meses das eleições autárquicas, são muitos os presidentes de Câmara que se despedem da função por limite de mandatos. É o caso de Rui Moreira, no Porto. 

Fernando Gomes, com o lançamento do metro e da Capital da Cultura 2001, nos anos 90, foi o último a "reinventar" a cidade, mas é justo reconhecer que Rui Moreira fez do Porto um pólo de atracção de investimento e talento, promoveu de forma ímpar a cidade e a sua marca, apostou num maior cosmopolitismo, mas também na coesão social e cultural do território. A renovação do Mercado do Bolhão e o projecto do Matadouro de Campanhã ficarão como as obras emblemáticas dos seus mandatos. Nunca lhe confiei o voto, mas não posso dizer que tenha sido um mau autarca. Sobretudo em comparação com o seu antecessor...

Rui Moreira, no entanto, não soube lidar com o fim da governação autárquica, com o caminho a seguir e, consequentemente, não acautelou a coesão da sua vereação até ao fim. Em termos pessoais, gostaria de ter sido cabeça de lista ao Parlamento Europeu ou ministro, mas o deslaçamento do executivo não aconselhava uma saída antecipada. Talvez o lugar de embaixador na OCDE seja o melhor que o Governo pode arranjar. 

Quanto à sua equipa, após as renúncias, nos últimos meses, do vereador da Economia e Finanças e do chefe do gabinete, sabe-se que o vice-presidente (entretanto, ao que parece, agredido pelo ex-chefe do gabinete!) prosseguirá com uma candidatura independente, a vereadora da Saúde, Juventude e Desporto deve integrar a coligação PSD/IL/CDS e o vereador da Educação e Coesão Social será candidato pelo PS.

Rui Moreira não soube, ou não foi capaz, de guiar o movimento que protagonizou a sua candidatura, mantendo a equipa unida e coesa, com um alinhamento e uma visão comum para a cidade, até ao fim do derradeiro mandato. Nos últimos meses, cada um tratou da sua vida e dos seus interesses, a olhar para o que futuro poderia reservar de melhor, aqui ou ali.

O próprio presidente da Câmara do Porto, depois de dizer que não interviria na campanha eleitoral das últimas legislativas e que não tomaria posição nas autárquicas, não se coibiu de dar todos os sinais de que estava ao lado de Luís Montenegro e Pedro Duarte. A romagem ao Bolhão para reunir o Conselho de Ministros foi a cereja no topo do bolo. Les jeux son faits!

estes sias que passam 998

mcr, 15.07.25

 

tanto tempo perdido

mcr, 15-7-25

 

Finalmente, o sr Trump percebeu que Putin  o toureava sem grande esforço e, também, sem especial arte. Agora, jura que vai mandar (vendendo...) armas para a Ucrânia, as armas que, de resto, nem Biden enviara e, ao mesmo tempo, num verdadeiro tom de ultimato avança com a ameaça de tarifas de 100%.

Desconheço se a Rússia exporta muito ou pouco para os EUA mas relevo a menção a países terceiros que, no caso de negociarem com a Rússia, se expõem a mais tarifas.

Claro que, no capítulo tarifas, Trump ziguezagueia continuamente pelo que há que esperar para ver.

De todo o modo, esta é a primeira vez que o mundo vê Trump irritado com Putin. É, pelo menos um princípio e provavelmente uma mudança de discurso no que toca a Ucrânia que, há uns tempos, era acusada de praticamente ter iniciado as hostilidades. 

Portanto em finais de Agosto, primeira semana de Setembro ou há cessar fogo efectivo ou as ameaças de Trump serão efectivadas. Conhecendo a criatura, pode mesmo pensar-se que muito antes desse prazo (a exemplo do que ocorreu com o Irão) os russos sintam a pesada mão americana.

Já agora, conviria que a impaciência de Trump se estendesse a Gaza onde diariamente os netos dos perseguidos pelo nazismo tentam mostrar que no capítulo de assassinar civis aprenderam a superar os gauleiters e os kapos dos campos de concentração: os alemães tentavam esconder os seus crimes mas o Estado de Israel não se importa com a opinião pública internacional.

Agora não só impede os miseráveis pescadores costeiros da Palestina de ir ao mar como se prepara para proibir os palestinos de sequer tomar banho. Provavelmente, não querem poluir o mar que banhará a eventualmente futura “riviera” do mediterâneo oriental.

Por cá, soube-se que estão pendentes 80.000 (oitenta mil) pedidos de nacionalidade para os alegados descendentes dos sefarditas portugueses! Para esses pretendentes não é obrigatória a residência em Portugal, qualquer vago conhecimento da língua ou sequer da tão falada cultura lusitana.

E faço notar que ainda não ouvi o “Chega” referir este tema.  E também não ouvi qualquer voz da União Europeia condenar ou sequer criticar esta eventual dádiva de passaporte e de entrada franca sem visto na Europa. E antes que me acusem de anti-semitismo  sempre direi que a pretendida a“nacionalidade portuguesa” por mais que duvidosa descendência de sefarditas expulsos há 500 anos tem como único fim a entrada franca no espaço Schengen e nunca uma qualquer visita ao país dos egrégios avós.

estes dias que passam 997

mcr, 08.07.25

 

 

Outro “suicidado”

Mcr, 8-7.25

 

 os sausosos do “Pai dos povos” e dos seus indignos sucessoresdeverão estar com inveja dos procedimentos actuais  das hostes putinistas.

 Vejamos: in illo temppore, anos 30/40 do século passado o mundo perplexo pode assistir aos “processos de Moscovo, onde foram liquidadas algumas dezenas de dfirigentes do PCUS sob diversas acusações que, na generalidade, se reconduziam à de agente das potências capitalistas”, a que acrecia com fre        quência uma outra e mais grave ainda: fraccionismo ou simplesmente trotskismo. Vale a pena ler os rrequisitórios dos acusadores públicos, Vishinsky em particular, que juntavam às acusações políticas toda uma série de diatribes  insultuosas que fizeram escola. (Não estou certo se a expressão “víbora lúbrica” vem daí ou foi inventada mais tarde pelos teóricos do PC francês., sempre prontos da dar um toque de fantasia pewsada às inspirações vindas do “grande irmão”.

 De todo o mpodo, não é disso que pretendo falar mas tão  somente da morte de Roman Starovoit. Este cavalheiro desempenhou o cargo de ministro dos transportes até ontem mas foi demitido ppor Putin. Horas depois, o corpo do ex-ministro foi encontrado dentro do seu automovel. Morto, mortíssimo... Com um buraco de bala rm zona não identificada do corpo. Não é mencionad, se é qiue existe, )a a arma que disparou a vala!

 Pelos vistos, corre a notícia (veiculada pelas autoridades...) de que cometera suicídio.  Porventura a tristeza da perda do cargo, a vergonha por não ter sabiso servir melhor a grande mãe russa, a ideia que fora do Kremlin o ar é irrespirável, terão sido motivos bastantes para o acto fatal. Todavia, não se sabe como a criatura pôs termo à vida, não há mençõ de nenhuma arma, enfim o costume neste tipo de casos      que Rússia assume perigosamente proporções de pandemia. Por lá, magnatas, políticos, intelectuais, jornalistas e outras personagwens menores tem o péssimo hábito de, uma vez caídas no desfavor de Putin, se suicidarem. Ou então caem decjanelas de andares altos, de escadarias incorrigivelmente escorredia ou atropelam inocentes veículos que c  Convnhamos: em vez de um processo moroso, caro, escandaloso  ou meramente inconveniente este método de suidicar criaturas divergentes, heterodoxas., liberais  ou oponentes é muito mais barato mesmo  quando o suicídio éorganizado a partir do derrube de um avião como no caso Prigojin, chefe incontestado do grupo wagner  (neste caso ninguém se terá lembrado de o enviar para a Ucrânia palco de alguns dos seus mais abomibáveis crimes) que esteve  ao serviço de uma “operação militarar especial” que tinha por objectivo desmilitarizar , desnazificar e proteger inocentes cidadãos russófos alvo de inomináveis perseguições.

  (em boa verdade, e na mesmíssima Ucrânia, em plena área dissidente e ocupada por rebeldes prórussos a prática de abater aviões já fora ensaiada com inigualável sucesso contr um avião civil malaio ou indonésio carregado de exevráveis turistas holandeses...)

 

estes dias que passam 996

mcr, 04.07.25

 

Julgamento do século ou vergonha do mesmo século?

Mcr, 4-7-25

 

Por uma e irrepetível vez votei Sócrates. A razão era simples: do outro lado estava Santana Lopes.

Todavia, bastaram poucos meses para se perceber quem era o novo primeiro-ministr. Já neste blog entendi escrever que ele não tinha os “requisitos mínimos” para o cargo nem o carácter necessário. A história da sua pseudo-licenciatura , os exames feitos ao domingo, as trapalhadas com o seu medíocre percurso profissional , a sua intolerável e desajustada (e tonta) soberba não permitiam dúvida alguma de como tudo aquilo iria acabar mal.

A sua governação naufragou nos primeiros rochedos pré troika.

A criatura desandou para Paris para alegadamente estudar e fazer um mestrado. Ignora-se se sequer sabia o francês suficiente para pedir um chá e torradas.

Os ecos da sua dispendiosa vida parisiense espantavam toda a gente menos a corte de fieis socialistas que não viam nada, não percebiam nada.

Provavelmente pensavam que uma casa no XVI bairro teria um custo inferior a um T1 nos subúrbios de Loures.

Depois apareceu um livro, um livrinho carregado de lugares comuns, narizes de cera, vulgaríssimo a merecer bondosamente um sofrível  quando não um medÍocre mais ajustado.

Parece que a citada obrinha teria como autor um “negro" vagamente académico e universitário.

O espalhafato do lançamento do livro surpreendeu mais ainda quando se começaram a saber as vendas.

Depois, sempre depois, verificou-se que o livro era arrematado por compradores anónimos na quantidade de dezenas ou, quiçá, centenas de exemplares. Agora sabe-se não só quem comprou, quantos exemplares e quem financiou a compra.

É público e notório que um tal Silva, amigo íntimo de Sócrates, financiava tudo, casa em Paris, viagens de férias, compra de livros. Financiava pode ser um modo de dizer porquanto o que o MP afirma é que essa centenas  (muitas) de milhares de euros apenas passavam pela mão caridosa de Silva e pertenceriam de facto a Sócrates que, de resto, continua a dar a impressão de viver muito acima dos seus declarados rendimentos.

Só em tribunais e advogados calculo que estes longos anos  terão custado uma fortuna não negligenciável. A menos que também os senhores causídicos se tenham dedicado a uma misericordiosa e cara carreira pro bono.

Como a hora de advogado anda pelos 300 euros  (mesmo se haja notícia de honorários muito, mas muito, mais altos) das duas uma. Ou houve recurso a advogados baratuchos (espécie rara se é que não desapareceu) ou aqui há gato (escondido ou não, com rabo de fora ou não...)

Como o Verão está a entrar em força e bem quente, é provável que este caso que envergonha qualquer português mesmo que desde sempre seja contra Sócrates e a favor da cicuta.