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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 1016

d'oliveira, 29.09.25

O Sr Presidente faz-se de inocente

mcr, 29-9-25

 

(Prevenção: não conheço a sr`Ministra da Saude, não a votei, não tenciono encontra-la  como, de resto, não conheci nenhum dos anteriores titulares desta pasta  incluindo nisso uma criatura loquaz que agora, e pela 3ªou 4ª vez, tenta ganhar a Camara do Porto mostrando à saciedade que tem de si próprio uma alta ideia que, há que dizê-lo, não corresponde minimamente à verdade. Aquilo é fancaria política, verbo redondo , parlapié de mercearia de bairro pobre. Imprestável!...)

 

O sr Presidente da República está já de malas aviadas  para sorte nossa. Do seu mandato pouco ou nada restará de útil ou interessante  tirando os milhares de selfies inuteis e e o éxcessivo interesse que os media prestavam aos seus banhos de mar.   Dez anos noves fora um e mesmo esse só por respeito pela aritmética...

Desta feita, mesmo verificando que já poucos ou quase nenhuns lhe ligam eis que entendeu engraçar ou desengraçar com a Ministra da Saúde. E avisar solenemente que depois das autárquicas dirá o que tem a dizer sobre o seu desempenho. 

Desta forma condiciona a actuação da Ministra mesmo dizendo que não. Chama-se a isto, em português antigo, atirar a pedra e esconder a mão. E é fácil verificar porquê. Se porventura quisesse louvar  o pouco que há a louvar (se é que o há...) poderia despchar a sua cada vez mais inútil opinião hoje, ontem ou há uma semana atrás. 

Dizer que só revela o seu pensamento após as autárquicas quer apenas dizer que nessa altura fuzilará a pobre criatura. Melhor dizendo, tentará porque, como já se viu com Costa, os amores e desamores presidenciais desde há muito que não chegam ao céu ou às orelhas dos primeiros ministros. 

De todo o modo, conviria lembrar sem qualquer prazer, que a saúde, melhor dizendo, a falta alarmante de médicos e enfermeiros (e demais pessoal ligado à saúde) anda desde há muito em crise forte.  O SNS tem problemas que, no caso específico das urgências pediátricas e obatétricas nas zonas de Libos, Setubal e algarve se prende em muito com o problema do custo de vida ou do preço das casas. Só um doido sairia do seu distrito para ir enfrentar casas raras e cara, longe da família e amigos. O mesmo se passa com professores como é fartamente sabido.  O problema tem anos, mais de uma dúzia, aliás duas.

Não se inventam obstetras, pediatras sequer médicos de família prontos a buliçosamente ir socorrer as mães em parto, as criancinhas, as famílias. Ainda por cima a população destas regiões aumentou e isso piora tudo. 

Claro que depois há quem acuse os “privados” (sempre eles, os maus da fita...) de seduzirem os novos médicos e assim tentarem destruir o SNS. 

Por acaso, mero acaso, nenhum destes acusadores do costume parou um minuto para pensar por que razão mais de 40% dos portugueses paga seguros de saúde. E pagam porque podem e porque querem chegar a um hospital (no caso, privado) e serem atendidos rápida e comodamente. 

Os portugueses que tem ADSE (e esse seguro não é nada barato, podem estar certos disso) também acorrem em massa aos tais hospitais símbolos do capitalismo, do imperialismo e inimigos da class trabalhadora  que se vê reduzida a estar longas, longuíssimas horas à espera de ser atendida no SNS  (Ontem um hospital tinha 16 horas de espera!...)

E é graças à multidãoo que acorre a hospitais fora do SNS que o serviço hospitalar deste ainda se aguente mesmo com demoras!

Portanto, e para abreviar, esta Ministra não é pior nem melhor que a longa lista dos seus antecessores  sendo, de resto, certo que a cada ano que passa as coisas pioram, os médicos reformam-se, batem com a porta e o número pessoas que se preocupam com a saúde e sobretudo com os filhos que vão nascer, com os bébés que entretanto já por cá estão cresce graças à imigraçãoo e ao facto das mulheres imigrantes ainda quereem ter filhos. 

Convém dizer que são estas pessoas as que vão fazendo o país funcionar, mesmo mal pagas, mal recebidas, sujeitas aos ataques sevandijas do Chega e dos seus similares. A verdade é que os portugueses emigram em doses gigantescas, privando o país de mão de obra educada e capacitada mas também que sem estes “damnés de la terre” que cá chegam fazem a agricultura, os serviço mais pobres e mal pagos funcionar. E pagam milhões à Segurança Social. E ninguém ainda provou que dão origem a desacatos ou que expandiram a criminalidade. Por exemplo, não roubam malas em aeroportos, não provocam incêncios no Alentejo nem recorrem à prostituição de menores, coisa que parece vigente e bem vista  (ou tolerada) nas organizações onde vicejam os beijoqueiros a mulheres deputadas  ou se entretem a alardear grosserias a respeito das suas colegas seja qual for a dignidade do local onde a lama eleitoral os depositou. 

Seria bom lembrar que países com SNS bem mais antigos qu o nosso ( Grã Bretanha por exemplo), importam médicos e enfermeiros em doses crescentes, E não só de Portugsl como é sabido mas do Industão que aliás também exporta doses maciças de informáticos  e outro técnicos qualificados. E até já deu um primeiro ministro a su ,agestde britânica!..

E valeria a pena saber que noutras geofrafias europeias (frança por exemplo) também já notam preocuapantes faltas de médicos sobretudo fora das grandes e médias cidades). Infelizmente a iliteracia nacional não permite ao indigenato local ver e entender os noticiários noutras línguas se é que entendem bem o que os nossos telejornais informam. 

Por isso a velada ameaça que depois das autárquicas o Sr  Presidente dirá de sua justoça sobre  Srª Ministra é  má política e mal disfarçada. 

De resto, toda a gete sabe, que uma coisa é a eleição de um presidente de Câmara ou de freguesia e outra bem diferenta a acção ou inacção política da ministra da saúde. Ao misturar as duas coisas para não perturbar o próximo acto eleitoral  não é bonito (digo isto paravnão dizer outra e mais grave palavra mas eu, mesmo discordante, não gosto de chamar nomes ao mais alto magistrado danação que, como disse, não escolhi nem votei. Pelos vistos com inteira razão...)

 

 

estes dias que passam 1015

d'oliveira, 27.09.25

Mais perguntas  (e respostas) de um leitor que não é operário

mcr, 25-9-25

 

Um amigo meu convidou-me para fazer parte de um pequeno grupo que iria discutir o esboço de um livro que acabava de escrever. 

Aceitei com agrado tanto mais que ao convidar-me, ele juntava-me a um grupo de estudiosos e académicos   que só conheço de  leituras dispersas e que muito considero.

Infelizmente, a CG deu um gigantesco trambolhão, fez tr^s fracturas e quev não pode mexer-se, muito menos, andar.

Eis-me pois de enfermeiro para todo o serviço 24 horas por dia , 

O livro em questão é um ensaio, com forte componente diarística sobre o 25 de Abril  que o apanhou já na Universidade. 

Não vou agora, falar dos méitos que são vários do livro, desde o esforço de memória, o estilo limpo, a audácia de algumas tess mas não posso deixar de relevar, uma vez mais, algo que tem sido norma geral na descrição do golpe militar e posteriores desenvolvimentos revolucionários.

Quero apenas cingir-me a algo que tem sido mais ou menos constante na descrição do golpe militar e que com inteira justiça realça o papel de umas largas dezenas de “capitães” todos do quadro que se foram juntando e pouco a pouco passaram de uma reivindicaçãoo corporativa para o mais vasto plano de derrube de um regime que se esgotava na defesa sem futuro do “império (já não falando nas características ditatoriais e ultra conservadoras  do Estado Novo que, em 74, mais do que velho estava fossilizado  à espera de uma justiceira certidãoo de óbito.

Em boa verdade, para além do dever de honrar quem com determinaçãoo e coragem, criou o “movimento das forças armadas”,  conviria começlar  (que já é mais do que tempo...) a tentar perceber como é que um reduzido grupo de oficiais derrubaram sem especial esforço e com inusitada rapidez o governo então vogente.Normalmente, fala-se dos “capitães” de Abril  numa série concertada de acções e movimentações militares  destruíram o regime em menos dedoze horas.

Conhecem-se os nomes e apelidados de boa parte deles, o que é de toda a justiça, mesmo se, a esmagadora maioria dsas descrições olvide o facto simples da constituiçãoo das diferentes colunas que saíram dos quartéis.

A começar pelos soldados que aceitaram seguir os seus oficiais mesmo que, em certos casos, possam não ter tido uma ideia exacta do que com a sua presença aquilo significava e os riscos (muitos) que corriam.

Depois, e este é o meu ponto, quase não se referem os oficiais subalternos praticamente todos milicianos, saídos directamente das universidades  e que, obviamente já tinham uma fort consciência política tanto mais que os últimos anos escolares tinham sido marcados por forte contestaçãoo para já não falar na greve de 1969 que começada e desenvolvida durante meses em Coimbra acabou por suscitar apoios e solidariedade nos restantes campus universitários.  E aqui trata-se de umas centenas decombatentes  que preparados para embarcar para África se juntaram entusiasmados e determinados  aos objectivos dos “capitães”. Pessoalmente conheci umas largas dezenas  de colegas antigos, de amigos e companheiros de várias lutas que  sem qualquer hesitaçãoo se prontificaam a ajudar a derrubar o regime.  

Na generalidade a presença de oficiais milicianos sem ser ocultad passa em duas linhas, de raspão, normalmente sem direito ao nome  (no livro em questão, só dei conta do João Anjos e do Carlos Marvão, e apenas porque, depois do 25 de Abril se recusaram a a intimidar, possivelmente prender (ou pior ainda) os grevistas dos CTT . Sou, já era, amigo de ambos desde Coimbra 69 e sei perfeitamente que sabiam perfeitamente o risco que corriam, antes (durante a movimentaçãoo do dia 25) e e depois  já com a responsabilidade de assegurar uma transiçãoo pacífica, justa e democrátia para um novo regime  que, naturalmente teria desde logo como saudável  o direito à greve. 

Há pouco tempo, assisti ao lanlamento de um livro sobre o MFA na Guiné (Guiné os pficiais milicianos e p 25 de Abril,  Ancora edt. 2024) onde algumas dezenas de milicianos conseguiram transformar os desígnios dos oficiais spinolistas em algo que fundamentalmente se tornou no imediato reconhecimento do PAIGC e no estabelecimento de relaçãos com a guerrilha. Foram eles os artífices da “revolução” nesse território  conseguindo em poucas semanas mobilizar agrande  maioria das unidades militares  e  pôr fim a um desastrecolectivo e cada vez mais inadiável. 

Como dizia um deles, alferes na Guiné e participante na autoria colectiva do livro em causa, “aqui ninguém se quer pôr em bicos de pés” E, de facto, depois do serviço militar obrigatório, regressaram à sua vida de todos os dias , longe dos quartéis, do Conselho da Revolução, das ”assembleias selvagens” (e das “civilizadoas”), dos golpes,  e contragolpes que caracterizarm o ano de 75 que agora está em vias de comemoraçãoo asperamente discutida  por alguns revanchistas bem como por muitos zelotas abrilistas que ainda não percebeam que a sua derrota conduziu o país à democracia, à liberdade e evitou uma eventual guerra civil  que, em muitos lados , cá e lá fora, se anunciava iminente.

Brecht, num grande poema intitulado “perguntas de operário leitor tem um verso que diz tudo:

“César bateu is gálios.

Mão teria consigo um cozinheiro pelo menos?”

Os oficiais do QP que se revoltaram  tiveram consigo soldados, furieis e oficiais milicianos  que, de certeza, como eles, sabiam bem ao qie vinham.

E sabiam mais: é que, no caso de insucesso,  a punição deles seria quase certamente bem mais pesada. Um miliciano, ou cem, está só e não tem uma poderosa corporação a su lado mesmo que em desacordo.  

 

( o autor não foi militar mas isso não o impediu de nos dias 24 e 25 ter desempenhado um pequeno papel  activamente  solidário com os revoltoos. E nesse gesto estava acompanhado por um punhado de pessoas de que quer destacar Rui Feijó e Jorge Delgado, Alcinda Delgado e Marfarida Grala bem como Tresesa Feijó e Maria João Delgado.

Mais um quarteirão de amigos desde Coimbra 69 estiveram também eles solidários e prontos ajudar no que fosse necessário fazer (desse grupo generoso, entusiástico, e cotrajoso destaco três que já cá não estão:  Fernanda Bernarda, a Joana “aleijadinha” e  Manuel Strechf Monteiro).

A Joana e a Fernanda ficaram também encarregadas de, caso as coisas dessem para o torto, de contactar e mobilizar imediatamente um grupo de advogaos  to anterior à nossa e que conhecíamos desde a grande mobilização para a defesa de estudantes  por ocasião dos julgamentos da crise dos coros universitários (apenas destaco os desaparecidos Antonio Tborda, Vasco Airão Marques, Antonnio Rebordão Navarro, José Luis Nunes, Rui Polónio Sampao e Mário Brochado Colho vindos de uma geralçao imediatamente anterior à nossa, sobretudo da crise de 62 e quase todos meus amigos desde os primórdios do CITAC.

Em princípio só seriam contactados no dia 25  depois de verificada a eventual e indesejada derrota do movimento. Nessa época já tínhmos percebido que a regra n´1 da conspiração era  reduzir riscos,  e evitar desnecessárias  informações que poriam em perigo uns e outros (revolucionários, cúmplices e eventuais advogados de defesa). De todo o modo é bem  provável que alguns deles, ou quase todos, tivesse alguma informaçãoo proveniente de outras vias

 

Ese texto não vem desmistificar cosa alguma, reduzir o peso dos capit\aes ou misturar alhos com bugalhos. Apenas se pretende, cinquenta anos depois de Abril tornar menos baças as páginas de ua História  que nem sempre foi levada acabo  com rigor, verdade e despida de demasiados preconceitos. 

 

 

 

 

estes dias que passam 1014

d'oliveira, 20.09.25

 

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Um adeus  (mais um!...E tristíssimo…)

mcr, 20-9-25

 

Sou pouco  dado a necrologias mas a idade que levo força-me a registar o rol absurdo de amigos que me morrem e deixam cada vez mais desamparado.

Agora foi o Batarda, alguém que conheci caloiro fresquinho no ano de 1960, mais ou menos por esta altura, eventualmente um pouco mais tarde, Outubro entrado.

Durante alguns anos, até ele mandar a Medicina às malvas e rumar a Belas Artes em Lisboa, partilhamos mesa comum no Mandarim, conversando, galhofando, conspirando e falando de tudo menos de estudos. O Batarda tinha um humor finíssimo, ironia q.b. era um leitor ávido e, cereja no bolo, até andou pelo CITAC, pela Associação Académica e por tudo o que cheirava a inconformismo.

Mais tarde, com anos de intervalo, voltámo-nos a encontrar no Porto onde ele deixou um rasto de admiradores da sua pintura, do seu gosto pela música (ainda o jazz que ele viria a misturar com a música clássica…).Os seus alunos respeitavam o seu escrúpulo o seu mester de professor sempre presente e os colegas, pelo que pude saber, tinham alta estima pelo seu talento, pelo trabalho e pelos dotes de inteligência.

Depois foi para Lisboa e nunca mais o encontrei pessoalmente.Todavia “batardiano" convicto não falhei uma única exposição e assim ia percebendo (como mero Amador) a subtileza do seu percurso pictórico mesmo se jamais tenha esquecido os primeiros anos como se vê pela ilustração acima. Tive a honra e o prazer de fazer parte de um painel que se reuniu para colaborar num documentário homenagem que passou na televisão e onde, para meu gozo, estavam alguns outros meus amigos e conhecidos (o Fernando Lopes ou o Bismark, pintor e professor nas Belas Artes do Porto).

Lembro-me apenas de que no meu depoimento eu afirmava que paralelamente ao seu percurso estético havia com igual ou maior importância um cuidado ético que, em muito, o diferenciava de boa parte dos seus colegas. Curiosamente, essa parte do meu modesto discurso não foi aproveitada , coisa que me desgostou.

De certa maneira, e não querendo depreciar outros, Batarda foi com o Pomar e o Nikias um dos elementos de um trindade que ainda hoje venero e que, para mim, melhor reflectem os tempos que vivi  e vou vivendo cada vez mais sobrevivente e solitário.

Entendi, pois, republicar um texto aqui postado há alguns anos na série “o leitor (im)penitente". Ei-lo:

 

o leitor (im)penitente 253

 

Do melhor que a minha geração produziu

mcr, 18-10-22

 

Conheci o Eduardo Batarda no dia em que, caloiro, regressei a Coimbra para iniciar as minhas penas na Universidade. As aulas começariam dali a dias e eu vinha instalar-me. 

Não sei bem onde nos encontramos mas foi o Carlos Férrer Antunes quem mo apresentou. A conversa há de ter sido prometedora porque o Batarda imediatamente se propôs educar-me do ponto de vista jazzístico.  Também não me lembro se foi em casa dele ou do Férrer que ouvi pela primeira vez o Take five de Brubeck de que, naturalmente, fiquei cliente até hoje. Dele e de Paul Desmond um saxofonista de mão cheia que, depois de conhecer Brubeck na tropa (foram soldados na 2ª guerra mundial, sob o comando do genial Patton e ter-se-ão encontrado na dura batalha das Ardenas onde se desfez definitivamente o sonho de Hitler, graças ao heroísmo  - e à “resiliência - dos militares americanos sitiados por forças muitas vezes superiores e extremamente aguerridas) constituiu um quinteto com ele. 

Claro que, a partir daí fomos durante os anos coimbrãos de Batarda amigos e companheiros diários  com epicentro no “Mandarim “ (o “Kremlin”) na Praça da República (“a praça vermelha”!...). 

O Batarda, era culto tinha um finíssimo sentido de humor e era estudante de Medicina mas, desde cedo se revelou um talentoso desenhador e mais tarde, pintor. Ainda recordo, furioso por os ter perdido, dois cartazes (um da Queima, outro do CITAC) onde já era perfeitamente visível o futuro estilo  (ou o estilo da primeira fase) de Batarda. A mim, o que agora ainda me espanta, era a aceitação que os seus cartazes tiveram junto (sobretudo no caso da comissão da Queima) de malta que neste ponto de vista era absolutamente conservadora e insistia na presença da Torre da Universidade, de fitas coloridas, quiçá de alguma guitarra, uma chatice de todo o tamanho, vista e revista ad nauseam.  Quase me atrevo a dizer que aqueles rapazes que escolheram o cartaz (e o pagaram!) foram os primeiros a reconhecer o talento deste enorme pintor.

Isto daria para uma crónica desses primeiros anos sessenta numa Coimbra que se transformava a galope, abandonando lenta mas seguramente a praxe, uma certa boémia avinhada e o conservadorismo político. E, em todas essas frentes, lá estávamos nós, irrequietos, ansiosos, fartos do torpor português e dos alegado brandos costumes. 

De todo o modo, cedo o Batarda se deixou de estudos médicos, rumou a Lisboa para as Belas Artes e daí para Londres. Perdi-lhe a pista mesmo se, como se verá o fui acompanhando enquanto artista. 

E, doze anos depois, dei com o livro que hoje trago e que é, de certo modo, uma epítome, de tudo o que se supunha que o Eduardo Batarda seria. 

O livro uma “edição artística” não era nada barato pois ter-me-á custado, lá pelos meados de 75, cinco brasas ou seja quase o dobro do ordenado de um professor do ensino secundário! Para um advogado em começo de carreira era um tombo enorme. Não sei se a galeria 111 me permitiu pagar em prestações ou me exigiu o cacau todo de uma só vez mas seja como for não hesitei. 

Não vou fazer a crítica ou sequer a crónica de 50 anos de pintura de Eduardo Batarda. Não é esse o escopo destas digressões e de todo o modo, eu sou um “batardiano”  militante pelas razões já expostas e pelo que fui vendo da sua obra que considero do melhor que se faz em Portugal. 

Não sei se o livro ainda aparece, se alguma vez apareceu, por alfarrabistas já que era uma edição limitada e pequena. Se porventura o pilharem não hesitem é uma leitura divertida que se desdobra em vários graus e as ilustrações são magníficas

 

Ficha: 

“o peregrino blindado (as aventuras do dr. Bronstein –proezas de um unfrendly Kid)”

de José Lopes Werner, trad e adpt  de Batarda Fernandes ex nº 101 (numa edição de 200 ), 50 pp  30 x17 em caixa própria

estes dias que passam 10013

mcr, 10.09.25

 

ao ouvir o ranger das botas do moço da tipografia

mcr, 10-9-25

 

O jornal de hoje traz um notícia de certo modo surpreendente. 

O dr Vítor Escariaa, ex-Chefe de Gabinete de António Costa e arguido num par de processos vai ser o novo Director do Instituto Superior de Gestão que, em comunicado anuncia auspiciosamente "um novo capitulo na história "dessa escola com "energia renovada e com ambição no esforço enquanto instituto superior de excelência"

Como os leitores recordarão foi no gabinete deste senhor " que foram encontrados pela polícia 85.000 euros em envelopes, caixas de vinhos e denro de livros" .

A polícia (e o juiz de instrução) entenderam que tanto dinheiro em tal local prudentemente escondido em tais invólucros não teria uma origem 100% clara. 

O senhor Escaria, licenciado e doutorado em Economia, poderá ter uma forte aversão aos ancos (local onde normalmente e guardam importâncias deste volume, dado que o velho hábito de pôr as economias debaixo do colchão terá aído em desuso. Realça-se o fato do dinheiro jazer fora do domicílio do referido senhor e de poder parecer a espíritos malévolos que estaria escondido num local onde normalmente a polícia não entra.

O senhor Escaria jura que o dinheiro era o resultado de pagamentos de serviços prestados em Angola mas, pelos vistos, corrijam-me se estou em erro, não há documentação que sustente tal proveniência ou a que há não bastou ao juiz  que até agora recusou entregar o dinheiro ao requerente.

Também não há notícia de relevo quanto aos processos entretanto em investigação mais que demorada como vai sendo  habitual nos processos movidos pelo MP.

Li com atenção o curriculo que jornal traça e tudo me faz pensar que o sr Escaria tem um invejavel percurso académico que, porém, cai porterra graças ao seu estrnho habito de guardar as economias honradamente ganhas com o suor do seu rosto e do seu intelecto. 

Convenhamos que dinheiro em caixas de vinhos (ignora-se se com garrafas cheias ou vazias ou sem nada que não sejam maços de botas), dentro de livros como se fossem avultadas marcas de leitura (note-se que há uma espécie de pequenos cofres com o formato de livro mas escavados por dentro para guardar as notas e furtá-las à atenção de curiosos mal intencionados. Seriam coisas desses tipo ou apenas se intercalavam páginas de prosa insípida com notas não só sápidas mas valiosas?)

Finalmente os envelopes usados ou prontos para o serviço postal onde também se acoitavam mais notas que oitenta e cinco mil euros mesmo que só em notas de 1oo são quase mil. Excluí as notas de 200 e 500 por ser mais que conhecida a desconfiança de particulares , bancos e outras entidades quando alguém lhes apresenta tais notas.

Admira-me também o facto de serviços prestados seja em que país for (mesmo em angola!...) serem pagos em dinheiro e não em cheque ou transferência bancária. 

De todo o modo ele há gente que só aceita o cacau em moeda legítima e corrente, mais em dólares do que euros mas não é esse o meu ponto. 

E volto ao mesmo, o sr Escaria é um economista não uma qualquer paisano monetariamente analfabeto

De todo o modo, eis que uma escola superior o contrata afirmando querer alcançar um patamar de ainda maior excelência do que eventualmente goza.  

Convenhamos que, além dos resultados que o instituto prevê há que realçar anota simpática de dar trablho a alguém que foi brutalmentedespedido do cargo de Chefe de Gabinete. O facto de ainda correrem processos mais realça a qualidade da instituição que lá pensará que um arguido é apenas isso e não alguém culpado com sentença passada . E bem faz porquanto e pelo andar da carruagem inda muita água há de correr debaixo das pontes até que a montanha seja capaz de parir um rato ou um elefante, se é que as montanhas também sofrem as dores de parto.

De todo o modo, eis que, por uma vez  quase excepcional, o meu jornal me surpreende. mesmo isto do que mais mortes em Gaza, mais bombardeamentos na Ucrânia, mais exigências a Moedas para que se demita ou mais notícias sobre violência de género. Ou sobre o sr Sócrates  que todos os dias merece uma exagerada atenção da imprensa falada, escrita ou telefilmada.

Também ele está acusado de usar demasiado dinheiro mas, mais cuidadoso que Escaria, nunca lhe foram apanhados euros em quantidade idêntica ou parecida. Não é economista, não se lhe conhecem qualificações universitárias à prova de qualquer dúvida mas a verdade é que teve amigos que lhe serviram de banco com conta sempre aberta e a pingar fartamente... 

O instituto que acolhe Escaria bem que pode tentar contratar o sr Sócrates  no caso dele conseguir sair deste julgamento tumultuoso sem ser condenado. Mas isso também não é para amanhã ou depois de amanhã  como se provou na imensa quantidade de peripécias, recursos, mais recursos que ainda não terão chegado todos ao fim. É verdade que esses recursos não tiveram êxito mas isso permitiu  que dez anos depois a procissão ainda vá no adro..

 

Au bonheur des dames 625

mcr, 09.09.25

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 Guida

(Maria Margarida Cabral Lucas de Almeida. RIP)

mcr, 9-9-25

 

Foi há 65 anos mas parece que foi ontem...

A Guida Lucas era um azougue, uma mulher inteligente, uma militante associativa destemida e uma excelente actriz. Do TEUC e do CITAC que ela não fazia destrinça entre os dois grupos. Acho que a primeira vez que a vi em palco foi interpretando "A sapateira prodigiosa". Se bem recordo, foi o Fernando Assis Pacheco neto de galegos, poeta de mão mais que cheia, quem de certo modo a ensaiou para que ela dissesse quaisquer coisas em espanhol  com "salero e espampanante. 

Em 1962 a Guida estava na direcção da Associação Académica e, ,corajosa como sempre, fez parte do grupo que em Maio reocupou a sede da AAC. Foi presa, claro e mandada para Caxias. Éramos ao todo quarenta e quatro os escolhidos  para a visita de estudo que a PIDE nos ofereceu em tal miserável prisão (40 rapazes e 4 raparigas, Com ela estava a Irene Namorado que também, e há muito tempo,  já por cá não anda, Dos rapazes também há já uma longa lista de desaparecidos (aliás não tenho a certeza de saber de todos mas o último que recordo foi o Rui Namorado, primo da Irene, acima referida). Na fotografia que ilustra este tristíssimo post estão  também  outros  desaparecidos, o Zé Barros Moura (que foi marido da Guida) o João Amaral e a Laura Barros Moura (irmã do Zé e primeira mulher do João) e o doutor Orlando de Carvalho.

A Guida fez também parte do numeroso grupo de estudantes de Coimbra castigado e expulsos da universidade por períodos que iam de 1 a 2 anos. Contra ela militava a acusação de ter sido dirigente, da AAC. Mal eu sabia que, anos  depoi,s e também eleito para a Direcção Geral da mesma AAC também teria direito a voltar a Caxias  para mais um perído de descanso e reflexão sempre proporcionado pela PIDE, aliás DGS  Foi a minha terceira detenção  que durou alguns meses que acabaram com as minhas escassas veleidades de fazer o 6ª ano de Direito mas que me proporcionaram a leitura do Proust e sobretudo do Joyce (Ulisses). 

Durante anos, a Guida foi uma presença habitual na minha mesa de café  (ou eu na dela juntamente com a irmã Lena  (2`fila da fotografia) r com a abençoada Maria  L Assis  de que já não tenho notícias há mais de um ano. 

A vida política da Guida culminou como já disse com a sua expulsão de todas as universidades por um período de 2 anos, mais uma das infâmias do Estado Novo  nesses temíveis, iniciais  e violentos anos 60

Todavia, ela voltou a Coimbra, aos mesmos amigos, aos mesmos amores pelo teatro e formou-se em Direito. Pelo caminho conheceu o Zé e com ele se casou. 

Voltámo-nos a encontrar muitos anos depois na sessão solene e final dos Estados Gerais do PS que antecederam o Governo de Guterres. E nunca mais nos vimos mesmo se, de longe em longe, eu tivesse notícias dela. 

Talvez por isso, a recorde fresca, alegre, menina e moça  sem o peso das rugas, da velhice dos desgostos e das ilusões perdidas.

De todo o modo, esta morte é mais um dos muitos sinais do desaparecimento acelerado da nossa geração. Na fotografia ninguém (ou só o Paulo Santiago...) estará, se vivo, abaixo dos oitenta anos.

Parafraseando um excelente amigo aqui já ninguém "outonece". Já estamos todos a invernar.

 

(na fotografia 

de pé da esqª p/ dirª)  Guida Lucas, João Amaral, Paulo Santiago, antónio Avelãs Nunes, Lena Lucas, Orlando de Carvalho, Zé Barros Moura e António Lopes Dias

em baixo mcr, Mª João Delgado, Joaquim Pais de Brito e Helena Lopes Dias)

estes dias que passam 10012

mcr, 07.09.25

 

 

O sr Pedro Nuno "anda por aí"

(a  irresponsabilidade campeia")

mcr, 7-9-25

 

Não tenho qualquer ódio de estimação, sequer prazer em maltratar o sr Pedro Nuno. Tirei-lhe a bissectriz quando ele entendeu proclamar que "as perninhas dos banqueiros alemães tremeriam com a ameaça de Portugal não pagar as dívidas internacionais."

Na altura ele ainda mal saíra da idade em que os rapazolas se tomam por (politicamente)  adultos mas a frase já  antecipava uma generosa falta de bom senso, de inteligência e de sentido de Estado. 

Todavia, pelos vistos, esta minha percepção não foi partilhada por muita gente do PS  e a criatura continuou  a sua corrida de obstáculos que teve mais um episódio tonto com a história do  aeroporto de Alcochete.

Depois, foram as confusões com a direcção da TAP e a  retirada  para a última bancada do PS no Parlamento.

Com a saída de Costa, ei-lo que regressa o primeiro plano da política doméstica  de onde foi defenestrado pela derrota eleitoral e pelo terceiro lugar (depois do Chega!...)

Convenhamos que estas quedas intervaladas por súbitos acessos de popularidade entre sectores  (alucinados ou meramente distraídos?...)  do seu partido  sempre me intrigaram mas o defeito é seguramente meu. 

Pensei sempre o mesmo  do sr Santana Lopes e a verdade é que a criatura cai sempre de pé ou, pelo menos, sem ferimentos graves) e avisava, depois de cada tropeço que voltaria a "andar por aí!"

 

Desta feita, e ainda o desastre do elevador da Glória enchia os telejornais, eis que  PNS sai da relativa mas merecida obscuridade onde circulava e vem pedir a cabeça do sr Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa. 

Se não estou em erro, PNS veio recordar uma crítica do sr Moedas ao ex-presidente Medina quando se descobriu que a CML através de um dos seus serviços denunciava à embaixada russa os nomes das pessoas (também russas) que, contra a pátria, tinham ousado duas críticas e uma manifestação. 

Eu, que também não conheço o sr Medina  (viver no Porto também há de ter alguma vantagem,,,),  apenas quero recordar que este senhor era o directo e único responsável político pelas burrices  (a menos que além disso tenham sido infâmias e favores à putinesca gente  )  dos serviços camarários sobretudo num capítulo tão sensível como este que refiro.

Vejamos, agora, a posição do sr Moedas. É  verdade que é Presidente da Câmara e que. mesmo indirectamente tem algum poder sobre a Carris que é, suponho, uma empresa pública, com orgãos próprios (administração, p.ex.) autonomia administrativa e financeira etc...

É a esta empresa que cabe zelar pela manutenção dos transportes lisboetas. Ponto, parágrafo.

Cabe à empresa organizar esse serviço que, no caso, estava entregue a uma empresa externa que, de resto também gere os transportes eléctricos do Porto. Não há notícia  de deficiências ou queixas nos serviços que presta.

Parece líquido que o Presidente da Câmara só deverá intervir nesta empresa se algo efectivamente demonstre má gestão, corrupção conflito insanável etc... 

Obviamente, terá de haver um ou mais inquéritos sobre o acidente que até ao momento teve 16 vítimas mortais e outros tantos feridos. 

Porém, PNS é seguramente a pessoa menos indicada para  atirar a primeira pedra a Moedas. 

Em primeiro lugar o caso Moedas /Medina  não tem qualquer comparação factual ou política com este acidente e as responsabilidades a exigir

Em segundo lugar é bom que se recorde que quando PNS era titular ministerial houve um descarrilamento do Alfa pendular em Soure e 

  que se saiba, basta ir os jornais da época, PNS não se deu por achado nem sequer aceitou ser alvo de qualquer pressão para se demitir. 

Pelos vistos, mesmo entre quem,  apesar de tudo, teve o bom senso de não pedir responsabilidades políticas a Moedas, não foi lembrado  esse  incidente antigo em que PNS  não foi acusado ou indicado.  A memória é o qu é e a memória política ainda é mais volátil... 

 

Finalmente, ao intervir a quente (com cabeça quente ou mesmo a ferver...) PNS achou que não valia a pena meditar um minuto que fosse  neste facto: os elevadores lisboetas estão, desde que começou o boom turístico,  a ser alvo de uma incessante e dura procura  que, agora já se vai reconhecendo, poderá obrigar a mudar parte das regras e 0brigações de manutenção. Porém, mesmo isso terá de ser avaliado por especialistas  e peritos. 

Aliás bom seria que este trágico acidente permitisse começar a discutir  os benefícios e os cusos do turismo massivo que assola o país, mormente Lisboa onde só se vem tuk-tukes, hordas de turistas de telemóvel em punho, lojas de souvenirs mais que anómalas,  alojamentos locais baratuchos e de curta duração, e expulsão em massa de habitantes do centro da cidade.

Algum dia pagaremos com língua de palmo este insólito crescimento de visitantes  que se nos trazem dinheiro também nos vão transformando  num décor de fancaria  para divertimento de ignorantes que só são atraídos pelo sol, sal e sul a baixo preço. 

 

(antes que alguém me dispare que deveria falar do miserável apanhado a atear fogos  e que é ainda mandatário eleitoral de um partido onde não faltam acusados das mais variadas coisas,  devo dizer que me basta que algum juiz  o mande pôr a recato numa enxovia onde, de resto, deveria estar o colega que fanava malas nos aeroportos  mas esse estará de baixa psiquiátrica. Provavelmente a burrice da criatura e o desleixo na roubalheira são agora considerados mera demência..E inócua!

estes dias que passam 10011

mcr, 04.09.25

A roçar o obsceno

mcr, 5-9-25

 

O desastre com o elevador da Glória deu azo a uma emissão televisiva (noticiário das 8 horas) que durou mais de uma hora subordinada ao tema único do descarrilamento.

17 mortos e 16 feridos merecem obviamente uma reportagem completa que deixe os telespectadores  bem informados. 

Porém, e repetindo alguns dos noticiários dos incêndios de Agosto, a emissão ( falo da SIC mas já me disseram de a TVI foi idêntica)  foi um constante repetir de banalidades, de " "buchas", de narizes de cera num espectáculo indigno e confrangedor.  Como as notícias escasseavam os jornalistas repetiam-se de dez em de ou quinze em quinze minutos  sem conseguir acrescentar algo de novo e essencial à descrição da tragédia.

Chegou-se à vergonha de ouvir alguns testemunhos de  populares que não só não eram testemunhas mas que se davam ao luxo de aventar hipóteses fundamentalmente referindo sem quaisquer fundamento a acusação de "falta de manutenção" ("eu, por mim acho que é falta de manutenção..."

Quando os responsáveis do INEM, dos bombeiros e da Protecção Civil foram ouvidos, os jornalistas queriam à viva força que eles respondessem ao que, naquele momento, não podiam nem devia por mera cautela,  ser respondido por absoluta falta de dados.   

Também houve uma corrida de jornalistas para a porta de hospitais como se fosse possível  poder haver notícias claras sobre a saúde das pessoas internadas minutos antes! 

Este desastre merecia um tratamento jornalístico cabal mas sóbrio e não uma cascata  de repetições num alarde d corrida às audiências. Os mortos e os feridos mereciam  alguma contenção e não aquele carnaval abelhudo  de ninharias. Os senhores jornalistas deveriam ter presente que a profissão deles é relatar os factos e não andar à pesca de opiniões para fingir que estão a ouvir o povo ou, melhor dizendo, os basbaques que acorrem aos locais e adoram ver-se na tv...

Louve-se a rapidez dos socorros, PSP, INEM. sapadores, bombeiros das mais variadas corporações, funcionários camarários...

Entretanto, e para o anedotário nacional, parece que um importante político que estava, ou acabava de chegar lá, no estrangeiro, entendeu dever regressar imediatamente à mãe pátria como se a ua presença no dia seguinte fosse essencial ao desvendar da verdade, à saúde dos ferido, ao enterro dos mortos  ou, finalmente às operações de remoção dos destroços (espera-se que vá ao hospital dar sangue que bem preciso é. Irá?)

De todo o modo, este acidente trágico vai dar pano para mangas como seguramente veremos nos próximos dias. 

Nisso tudo, haverá seguramente, quem venha condenar a Carris por ter contratado uma empresa de manutenção em vez de continuar a ter na sua estrutura uma eventualmente ruinosa oficina  seguramente bem mais cara e igualmente sem garantia de fazer igual ou melhor nesse capítulo.

Resta saber se, à boleia disso, não sobrem ainda culpas para a Câmara, para o Governo, para o Chega ou para o capitalismo e os imigrantes que, por natureza, são sempre culpados de qualquer coisa...

estes dias que passam 10010

mcr, 03.09.25

Nem de propósito

(cfr post anterior)

 

mcr, 4-9-25

 

A "Comunidade israelita de Lisboa"entendeu dar a sua opinião sobre a futura Lei da Nacionalidade, exercendo aliás, um direito que a muitas outras comunidades terá sido negado (ou então alguém distraído iu ignorante ((ou de má fé...))esqueceu-as. 

O jornal "Público" destaca a resposta da citada comunidade numa inteira página (p 10) o que permite aos leitores mais atentos descobrir  como pensa uma muito pequena parte dos habitantes da capital.  

Convenhamos que tal destaque  permite avaliar o modo como a cCIL entende a proposta de lei.

Começa por afirmar que pôr fim  à lei dos sefarditas é uma cedência ao populismo fácil (onde é que já, e repetidamente, ouvimos isto?...) e que a concretizar-se é um acto de ingratidão e fechamento de Portugal.

Pior :isso pode comprometera imagem internacional do pís como defensor dos direitos humanos e da justiça histórica e como  promotor da tolerância.

De todo o modo, a CIL vê-se obrigada a esclarecer que outras comunidades (obviamente a do Porto que anda(va) sob investigação )poderão ter ultrapassado todo e qualquer mínimo ético na apresentação de propostas de nacionalidade que, imagine-se, até permitiram a um poderoso oligarca russo (e amigo de Putin) obter a nacionalidade portuguesa ) mesmo se na história da diáspora sefardita portuguesa a Rússia dos czares não conste como destino. Sabe-se que houve sefarditas na Holanda, em Marrocos, em Veneza, no restante Magrebe na Turquia  e em algumas das possessões da Sublime Porta (Grécia e provavelmente um que outro país da Europa de leste, Hungria por exemplo)

Corre à boca cheia que nesta aquisição da nacionalidade por alguém que provavelmente nunca cá virá, houve farta dose de morabitinos melhor dizendo de euros ou dólares ou outra moeda forte.

Como qualquer leitor atento sabe, foi em finais do século XV que D Manuel expulsou os judeus portugueses e espanhóis cá entrados depois de expulsos de Espanha pelos reis católicos.

Convém, todavia lembrar que o mesmo rei ,perseguiu com impiedosa dureza a canalha lisboeta e estrangeira que atacou, roubou,  espancou e matou  cristãos novos e um que outro inocente e cristão velho.  Ou seja que em Portugal permaneceu uma importante fracção dos judeus que prudentemene se converteram ao cristianismo  ainda que seja duvidosa essa súbita descoberta do caminho de Damasco. 

que desde essa altura até ao sec xIX sempre existiram pequenas comunidades judaicas em muitas zonas do interior é mais que sabido. De todo o modo, malgrado a Inquisição  (que de resto perseguiu com igual sanha judeus, cristãos novos ou outros portugueses suspeitos de desconformidade religiosa ou política)  a verdade é que numa comparação com quase todos ou todos os países europeus, Portugal terá sido o mais brando ou o menos duro  dos Estao que não gostavam de judeus. Isso não desculpa nada mas já que a CIL fala em "inhustiça histórica" bom seria que estivesse mais atenta a este facto.

Pessoalmente, naa teho contra uma lei de reparação desde que ela tivesse um limite temporal e sobretudo que se aplicasse a qualquer comprovado  descendente de sefardita expulso que quizess viver em Portufal.  E já agora que fosse capaz de dizer tres coisas em mau português... De outro modo, a concessão de nacionalidade (que para todos os outros cidadãos do mundo implica anos de espera) parece apenas uma concessão de passaporte para viajar ou estabelecer-se na UE mas não cá como se verifica. 

A CIL, neste exacto momento não dveria falar em direitos humanos que um Estado, Israel espezinha a todo o momento em Gaza e na Cisjirdânia. A CIL talvez inda não  tenha reparado que nesses territórios morrem diariamente dezenas de pessoas sobretudo civis  e nestes sobretudo crianças que obviamente não parecem ser militantes do HAMAs, sequer simpatizantes mas apenas e só crianças.

Desconheço masprovavelmente ando desatento qualquer opinião da CIL sobre estes anos deatrocidades que quase toda a gente começa a qualificar de genocídio. Apoia a CIL os desmandos do Exército e do Governo de Israel? Entende a CIL que questionar crimes de guerra é ceder ao populismo fácil (com que acusa uma proposta de lei que ainda vai ser discutida)

Mais a CIL impõe a palavra israelita mas ao mesmo tempo refere a perseguição religiosa ao judaísmo. Então Israel não tem na sua população, drusos, muçulmanos cristãos de várias tendências e provavelmente ateus e agbósticos?  Ou a palavra israelita apenas, para a CIL quer significar judeus praticantes? 

Devo, porém, acrescentar que me parece ter havido um erro de palmatória qyandose confiou a uma entidade de matriz religiosa e estranjeira algo tão importante quanto o estudo das hipóteses de acesso à nacionalidade portuguesa. Será que o EStado entrega às comunidades muçulmana, hinuu, sikh ou budista  o exame de nacionalidade que membros dessas comunidades requerem? Será que os alegados descendentes dos expulsos do século XV  tem mais direito que os muçulmanos também expulsos durante a reconquista? Ou que os colonizados de África, América ou Oriente?

A lei portuguesa bem mais generosa e ampla do que a congénere espanhola foi feita às três pancadas e ao não prever um limite temporal nem impor algumas regras de bo senso, tornou-se numa artifício para muita gente que sefardita ou não se está nas tintas para Portugal excepto nu ponto: o passaporte dá direito a entrar na UE  sem qualquer entrave. Conviria saber quanto soldado que anda pelas terras de Gazza a tirotear crianças e mulheres tem pendente um pedido de nacionalidade. Conviria também saber quantos responsáveis políticos israelitas estarão na mesma situação

. E sobretudo convém saber claramente qual a posição da CIL que se toma por defensora da tolerância e dos direitos humanos  quanto a Gaza e à Cisjordânia

E lembrar a tal instituição que se o anti-semitismo começa a reaparecer ou a crescer em toda a parte, Portugal incluído, tal se deve absolutamente ao que todos os dias assistimos pela televisão, ao que ouvimos do primeiro ministro e dos seus fanáticos capangas radicais de extrema direita e verdadeiros mentores dos assassinos israelitas que na Cisjoirdânia assassinam a tiro limpo árabes para os expulsarem  e aumentarem os colonatos na ºprocura abjeta de um "espaço vital" que lembra os piores tempos do nazismo.

estes dias que passam 1009

mcr, 02.09.25

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A  flotilha

mcr, 1-9-25

 

Umas centenas de cidadãos de muitos países,europeus e não só,  entenderam  demonstrar a sua solidariedade com o povo de Gaza que está ser dura e miseravelmente dizimado pelas hordas israelitas que para conseguir eliminar um terrorista matam quatro civis ( as IDF declararam, sem pejo mas com responsável seriedade, que em cada 100 abatidos 83 não eram combatentes nem, supõe-se, membros do HAMAS).

Resolveram, pois, os novos navegantes meter-se numa flotilha composta ao que penso por barcos  civis e de pequeno calado e atingir a costa de Gaza levando com a tripulação  alimentos para os gazaouis ainda sobreviventes e seguramente esfomeados.

A costa de Gaza está interdita aos poucos pesadores que  iam ao mar por peixe ou seja por alimento num mar que é seu mas que Israel interditou. Não sei se permite banhos de mar mas calculo que mesmo sem os proibir, a praia é, neste momento de profunda infâmia, o que menos importa aos habitantes daquela terra devastada. 

Sabendo.se que Israel tem uma marinha que, provavelmente, usará de meios tão indignos como o exercito e a força aérea, a primeira interrogação que me ocorre é esta. Permitirão a aproximação da flotilha desarmada ou proibirão a sua entrada nas águas territoriais de Gaza?

No caso (para mim mais que certo) de que proibirão a entrada da flotilha, há uma segunda pergunta: como é que tornarão efectiva essa proibição?

 Visto o antecedente terrestre, julgo que poderão disparar primeiro uns tiros de aviso e depois, caso os solidários marítimos e ingénuos  insistam na tentativa de chegar a terra (melhor dizendo ao cemitério em que aquilo se transformou ou se transformará brevemente) começarão a  abordar os barcos  (se é que não se lembrem imediatamente de afundar uns quantos por desporto (como nos fuzilamentos de pessoas que tentam chegar aos pontos terrestres de distribuição de alimentos) , por ordem dos gauleiters israelitas, por "engano" como nos assassínios de jornalistas ou de condutores de ambulância, enfim em nome do "EretzIsrael" ou seja do "grande Israel desde o rio até ao mar", numa terra livre de uns parcos milhões de árabes ali estabelecidos desde sempre, cujos cadáveres poderão servir para fazer sabão ou para adubar as areias daquele território (lembrando assim o destino de outros  homens e mulheres cujo crime era serem judeus numa terra governada por fascistas  ou gente semelhante  obedecendo a um fűhrer ou a um camarada secretário geral, igualmente empenhado em conduzir o rebanho popular para as terras do futuro, da abundancia,  e dos amanhãs cantantes.

Que os descendentes dos que escaparam da Shoa levem a cabo os mesmos métodos e fins, sem sequer os esconder como ocorria nos anos infames de 40/45 é algo que ultrapassa qualquer maginação.

Portanto fiquemos desde já nisto: la flotilla no pasará,(A Pasionária que me perdoe usar a sua corajosa palavra de ordem, pois agora convenhamos que pasionárias na flotilha só por caricatura.

E aqui começa o problema. As pessoas embarcadas sabem. todas ou quase todas,  que a sua viagem não é prova de coisa alguma exceção feita da sua alegada solidariedade com os damnés de la terre de Gaza. Sabem que nunca chegarão perto da terra sofredora. Tem por certo, pelo menos uma boa parte delas, que os seus países terão de envidar esforços para os salvar de alguma maldade israelita

Duvido, tenho mesmo uma quase certeza que nenhum desses marinheiros de água doce está disposto a dar a vida pelos que todos os dias morrem de fome ou mais misericordiosamente de um tiro ao alvo israelita ou de uma bomba dita "inteligente"

Todavia, no caso de alguém querer ser solidário há maneiras eventualmente mais eficazes de o demonstrar: boicotar todo e qualquer produto israelita, tentar fechar portos e aeroportos a cidadãos israelitas e a mercadorias da mesma origem, sitiar sem molestar sinagogas com cartazes mostrando as fotografias dos mortos diários, atacar zonas onde estejam depositados lotes de armamento israelita vendidos aos respectivos países, assediar dia e noite deputados e outros responsáveis políticos para que tomem uma posição. Arriscam-se assim, evidentemente, a ser presos como desordeiros (e juro que tenho disso farta experiência desde os meus 18 aos  33 anos de vida num outro Portugal soturno onde a polícia dava forte e feio em quem se mexia  para não falar das priões, dos interrogatórios  "enérgicos", dos "safanões dados a tempo" enfim da vida a que alguns, não muitos, se expuseram) eventualmente condenados a penas efectivas de prisão.  

Esta flotilha corre o risco mais evidente de não passar de mais uma rapazice folclórica e grotesca , desprovida de sentido mas não de publicidade para as personalidades embarcadas.

Parece que para já, está parada algures num(s) porto(S) por via de uma tempestade marítima verdadeira ou alegada . 

Entretanto os palestinianos com ou sem tempestade marítima continuarão a receber a sua ração de bombas e tiros, a perder mulheres, homens e crianças de fome, e ocasionalmente a terem a notícia de mais uma morre de um filha da puta de um mártir que só por acaso (ou por traição) foi apanhado pelos israelitas num esconderijo bem sólido. ao contrário dos desgraçados  que ele alega proteger, defender e ajudar.

Ou será que alguém ainda com cabeça sã acredita que se algo der para o orto haverá países europeus que se empenhem em enviar tropas e navios para resgatar os alucinados que a bordo de uma casca de noz afrontam as matilhas marinhas do totalitarismo judeu e sionista?

Ou, à semelhança de uma barcaça portuguesa partida para o Oriente e que chegada perto (mas não dentro!...) de águas timorenses muito dignamente atirou uns ramos de flores para o mar e, ala que se faz tarde, regressou à pátria ufana com a expedição Parece que os invasores indonésios tremeram vexados com  corajosa afronta portuguesa...

 

nota, neste blog já defendi a ideia de obrigar o governo português a suspender a estúpida lei de concessão de nacionalidade aos alegados  descendentes dos sefarditas expulsos há quinhentos anos (consta que ainda há 80.000 processos por deferir!...) dificultar a concessão de vistos a todo e qualquer cidadão de Israel que se lembre de vir até cá por turismo ou negócio! É preciso que os cidadãos israelitas percebam que até prova em contrário são vistos como apoiantes do seu governo  e da politica levada a cabo sob a forma de genocídio em Gaza. 

É evidente que Netaniahu uivará que isto é anti-sionismo, perseguição aos judeus , o costume. Neste momento quem esta ser perseguido e morto são os habitantes de Gaza e da Cisjordânia. tudo o resto é  fado pobre e mal antado. O  anti-sionismo  está a ser fabricado, e em doses industriais, pelos gangsters israelitas. Ponto, parágrafo.