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Incursões

Instância de Retemperação.

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d'oliveira, 25.01.22

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O “conciliador” e o “rabugento” 

d’Oliveira fecit 25 de Janeiro

 

 

Este texto vem apenas relembrar um outro escrito há três anos e onze meses, mais exactamente em 20 de Fevereiro de 2018.

Intitulava-se o post : “Notícias fúnebres só depois da pessoa estar morta” e trazia como subtítulo “diário político 224

Não vale a pena estar agora a resumir o que então escrevi bastando-me apenas citar a última frase :”Vai uma apostinha que Rui rio está para durar?”

Por razões de vária ordem (que não de simpatia ou de voto) segui com alguma (mas não demasiada)  atenção a carreira política de Rui Rio, sobretudo a partir da altura em que ele foi “secretário geral” do PSD .

Por essa época, tornou-se notado por levar a cabo uma cruzada interna radical contra os barões e demais establishment do partido, começando uma espécie de refiliação, acabando com o acumular de militantes (dezena e até centenas numa só direcção) tentando impedir que, em vésperas de congresso aparecessem centenas ou dezenas de pagamentos de quota efectuadas por uma única pessoa, enfim um rol de tropelias que exasperou meio mundo e  tornou uma espécie de “ódio de estimação” nos circuitos dos grandes patrões do PPD.

Quando entendeu candidatar-se à Câmara do Porto hpuve um tremendo frémito de regozijo na cidade. Não porque ele parecess ser um vencedor mas justamente porque todos, sem excepção, apostavam que o candidato socialista Fernando Gomes o estralhaçaria.

De resto, essa era também a ideia que passava nas hostes do PS. Gomes praticamente chegou a gabar-se que contra aquele adversário nem valia a pena fazer campanha.

Quando toda a gente esperava uma estrondosa derrota de Rio, eis que o homem ganha com um confortável resultado que, não terá chegado à maioria absoluta mas lhe permitiu governar a cidade. E nos dois mandatos seguintes foi o que se viu: maiorias absolutas e crescentes.

 

Enquanto Presidente da Câmara, rio também se malquistou com um formidável adversário: o Futebol Clube do Porto e o seu presidente, o sr Pinto da Costa. A causa foi ridícula mas interessante: rio recusou receber a equipa campeã do Campeonato (o Porto) nos Paços do Concelho como sempre acontecera. Não caíram o Carmo e a Trindade mas temeram a Sé e a torre do Clérigos!. Houve choro e ranger de dentes e Pinto da Costa uivou  ameaças medonhas e, a partir daí tornou-se um fervoroso adepto do PS ou de qualquer força que corresse com rio. Não correu.

Quando Rio chegou ao limite dos mandatos  municipais, apareceu, dentro do PSD uma candidato    que trazia já duas vitórias na Câmara de Gaia,  Luís Filipe Meneses, estrela nortenha, cruzado contra a mourama elitista de Cascais, ferrabrás vitorioso de muitos prélios políticos.

Rio, como é seu costume, torceu o nariz, achou Meneses demasiado enfatuado e, sobretudo pouco portuense. Se alguém deu uma mão a Rui Moreira foi ele, Rio. Moreira, evidentemente tinha (e tem poderosos apoios na cidade, pertence aquilo que se costuma chamar “homens bons da cidade”, vem da alta burguesia tripeira, fora presidente da Associação Comercial, enfim era já um candidato com possibilidades mas o não de Rio a Meneses trucidou este último.

(que agora Rio e Moreira não estejam em boas relações é algo de natural, Rio é assim, sempre foi assim, mesmo que no actual momento Moreira tenha o apoio dos vereadores social-democratas.)

Na CMP, Rio também entrou em forte conflito com algumas (mas não todas) entidades culturais oo que lhe criou  uma má fama de inculto. Mas mesmo aí averbou algumas vitórias inclusive no caso da “Rivolição”, situação em que uma dúzia de contestatários ocupantes da sala saíram ao fim de escassos dias nem sequer aureolados por uma entrada (que se não verificou por vontade de Rio)violenta da polícia. Saíram vencidos, humilhados e tragicamente sozinhos naquela tola aventura que pensavam heroica.  

Depois de sair da Câmara do Porto (onde pelo menos deixou contas certas e boas), foi à sua vida de cidadão privado mas voltou depressa para discutir a liderança do partido.

Como de costume, ninguém lhe augurava uma vitória clara mas ele lá foi fazendo o seu caminho, tropeçando aqui, levantando-se ali e ganhando  pulso uma batalha mais do que incerta Montenegro ou Santana morderam o pó à conta do homem do norte de que ninguém parecia gostar muito. Já no ano passado, foi à luta com um candidato capaz, inteligente, deputado europeu, culto com uma tribuna semanal no Público. Contra Rio, parecia estar todo o aparelho, as “distritais”, enfim, o poder do mundo. Mas Rio, o intolerante, mais uma vez saiu vencedor, depois de ter apelado ao voto militante.

Agora, numa corrida que todos (ou quase, ou cada vez menos) davam antecipados parabéns a Costa, eis que Rio lá vai amealhando ponto aqui, ponto acolá, mais outro além, aproximando-se de um contendor que aspirava à maioria absoluta.

Não sou adivinho, não me fio em sondagens, sei que a tecla costista (e verdadeira) da vitimização, digamos da traição dos parceiros da geringonça (que aliás também nunca terão percebido que arriscavam demasiado... mas isso é com eles que agora se arrepelam de uma possível queda de votos e de deputados) ainda permite pensar numa vitória não muito grande do PS. Mas, Rio, que é cuidador de um gato parece ter aprendido com o bichano o que é ter sete vidas.

Quem tem gatos à sua guarda sabe que estes pequenos carnívoros são indomáveis, solitários (como a maioria dos felinos) e levam a sua avante sem grandes dificuldades. Quando os comparam com cães, é bom lembrar que com estes (aliás simpáticos) animais o homem fez trinta por uma linha: há cães grandes, médios, pequenos ridículos bonito e feios. Só por boa vontade se pode comparar um lebreu ou um serra da estrela com um chiuahua. Ora qualquer gato é igual a qualquer outro mais pelo menos pelo. Mesmo em questões de tamanho a diferença nunca ultrapassa  quinze, vá lá vinte centímetros.

Portanto quando Costa arrisca uma piada sobre gatos depressivos é bom que saiba que mesmo assim os bichanos tem unhas e que unhas...

Não sou jogador de casino, por junto aposto no totoloto sabendo contudo que só um bambúrrio me trará os apetecidos milhões, porém, se vivessem Inglaterra e tivesse um bookmaker capaz, era menino para arriscar cinco libras em Rio. E não vou votar no homem...

No dia 30 se verá.

(quando referi a nega de Rio ao FCP lembrei-me da tola história de costa e Medina metidos na “comissão de honra” daquele cavalheiro benfiquista, Vieira, se bem recordo...         

E que, ainda por cima, os correu da lista depois do pequeno escândalo!..