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Incursões

Instância de Retemperação.

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22
Jan09

Estes dias que passam 138

d'oliveira

Ao cheiro de eleições
destapam-se as ambições...

As leitoras amabilíssimas perdoarão que use uma versâo de “ao cheiro da canela despovoa-se o reino...” e, sobretudo, que vá falar não especialmente bem de uma mulher. Não que entenda que a política está reservada aos homens, bem pelo contrário, mas apenas porque nem sempre as mulheres que fazem política se libertam de vícios bastante masculinos.
Ora então, comecemos: há no norte profundo, se ainda se pode falar disso, uma terra chamada Valongo. Nessa terra, seguramente abençoada, as próximas autárquicas fizeram disparar as sirenes. Pelo menos, as sirenes do P.S.! Eis que numa terra governada pelo PPD, aparecem, pelos vistos, duas candidaturas socialistas. A história recente não deveria entusiasmar os socialistas a esse tour de force tanto mais que, dizem-me, o poder dos social-democratas (é assim que chamam aos do PPD!!!) está firmemente estabelecido.
Ora acontece que uma senhora, jornalista de profissão, de seu nome Maria José Azevedo, foi no passado próximo a cabeça de lista do P.S. Derrotada, terá cumprido estes anos amargos como vereadora. Esperava, pois, que lhe fosse renovada a confiança dos socialistas para novamente encabeçar a lista concorrente à Câmara.
Todavia, um cavalheiro, de seu nome Afonso Lobão, ex-deputado e membro conhecido do aparelho socialista portuense, terá sentido no seu coração que transborda de amor por Valongo, a chamada da terra natal. E, assim sendo, entendeu candidatar-se a candidato. Depois de uma confusa guerra de posições, consta que Afonso (nome de reis e de um gato gordo e façanhudo que era hospedado pela vizinha Carmo, também gorda e façanhuda ou pelo menos, se bem recordo, bigoduda) conseguiu a maioria das preferências da comissão concelhia local. Maria José (nome de fortes ressonâncias bíblicas e também de uma rainha estranjeira) preterida pelo povo valonguense na passada eleição é agora preterida em nome de uma qualquer eficácia eleitoral. Lá se vão quatro anos de pastora na casa do Labão ppd...
Sic transit gloria mundi.
Maria José, porém, não se conforma. Rapa da caneta e ei-la que manda uma cartinha ao senhor Renato Sampaio, desastrado patrão do aparelho socialista portuense. A carta vem no Público de hoje, quinta feira, pelo que me dispenso de a transcrever.
Eu sempre achei extraordinário que se ponha nas bocas do mundo uma carta que se mandou e de que se espera resposta. Mesmo no ínvio mundo da política caseira e autárquica, a coisa parece deselegante. Então a gente escreve uma cartinha à puridade e, mesmo, antes de receber resposta já a está a pôr no estendal? Que é que o destinatário há-de pensar? E fazer?
Na carta referida, Maria José, dava a Sampaio, o titubeante, um prazo para a informar da política do P.S. quanto a Valongo (supõe-se) e responsabilizava-o pela quase certa derrota eleitoral do partido no caso de, escolhendo Afonso, a obrigar a protagonizar uma lista independente e alternativa que iria dividir as forças (bastante fracas) do socialismo local.
Convenhamos que Maria José parece ser “mujer de armas tomar”. Quer ser candidata, pergunta como é que vão as coisas, intima o líder distrital a responder-lhe até 19 de Janeiro, e avisa-o que se não a escolherem vai na mesma a votos como independente. Se, como se calcula, desta barafunda pouco propícia sair uma pesada derrota socialista os culpados serão Afonso o “enfant cheri du parti” e Sampaio o mau decisor. Ela, Maria José, fazendo jus ao nome, apresenta-se virgem de culpas. Um douto Padre da Igreja, defensor da tese da virgindade da mãe de Jesus, escrevia que Maria era virgem antes do parto, depois do parto e durante o parto. Mistérios que os concílios posteriores a estes conturbados primeiros séculos do cristianismo aumentaram. E além de aumentar, pelos vistos, reproduzem-se. Pois que Maria José poderia, como disciplinada militante do P.S., não se candidatar. Right or wrong is my party! Mas não! Maria José candidata-se. Presume-se que, sabendo que não ganha pela falta de apoios locais e distritais, se candidata para perder e fazer perder o adversário interno. Claro que quem se deve estar a rir a bandeiras despregadas é o candidato do PPD. Aquilo, Valongo, já não deveria ser difícil, mas com as tropas adversas em ordem dispersa deve parecer um passeio.
Confesso que pouco se me dá o destino da Câmara de Valongo. Ou melhor, estou-me, mesmo, nas tintas. Contudo, já outro galo canta quando me lembro que isto a que já começamos a assistir é o espectáculo da verdadeira política à portuguesa. E do desnorte que reina entre os “militantes” políticos. À primeira zanga estala o verniz. Ao primeiro arrufo, chove a paulada. Ao primeiro não, arreia-se a giga. E não estamos a falar de um Joãozinho das Perdizes (ai abençoado Júlio Dinis, morto tão novo...) que varria feiras a varapau e politicava da mesma maneira. Estamos a falar de uma senhora jornalista que fundou uma escola “superior” de jornalismo onde, sempre segundo o Público deu aulas. De quê? Às tantas, de deontologia...



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