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Incursões

Instância de Retemperação.

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27
Jan07

Farmácia de serviço nº 29

d'oliveira
Interactiva até dizer chega!
Antes mesmo de avançar com as receitas dediquemo-nos por um breve instante no uso de expressões como a do título. Eu venho de uma família de contadores de histórias, de faladores contumazes e de, milagre!, de gente que se escrevia longas cartas. Então a minha Avó, a “Velha Senhora” era um ver se te avias. Dia com menos de três cartinhas enviadas e outras tantas recebidas não era dia que prestasse. A coisa era de tal modo que, neto mais velho (entre dezasseis!) tive de lhe declarar que o tempo não me sobrava senão para um bilhete e de longe em longe. Nem isso a desanimou: volta que não volta aí estava uma carta da antepassada, uma folha grande preenchida em todos os sentidos porque a excelente senhora se era pródiga na escrita era de uma assustadora sovinice quanto ao papel. Lê-la era um vero percurso de obstáculos. Aparte esse dificultoso zigzaguear literário a avó tinha o hábito de usar expressões que só eram perceptíveis ao estrito círculo familiar, coisa que a minha mãe também herdou. Não só punha alcunhas espantosas e brilhantemente cruéis a quase todos os conhecidos como deformava até à exaustão o português corrente para dar significados delirantes a certas palavras. Sobretudo isso, ela conseguia tornar-se perceptível a qualquer criatura com quem privasse. Portanto está o título desculpado. Até dizer basta, até vir o Guedes, querem dizer exactamente a mesma coisa e não perguntem porquê.
Perguntarão sim, e isso já se aceita, o porquê do interactivo. Ora nada mais simples: três leitores, três, a bem dizer duas leitoras gentis e o camafeu do Manel Sousa Pereira, mandaram-me dicas para uma “farmácia de serviço”. Ora aqui está o que se chama uma boa coisa. Eu a dar às meninges que nem um doido, para me lembrar de qualquer coisinha e elas e ele a mandarem dicas que chegam e sobram para as nossas encomendas. ‘brigados, muit’ obrigadinhos” leitoras Zita e Inês e o referido Pereira. Então aí vai disto:
:Pereiremos para começar:
“Atrevo-me a mandar-te esta sugestão para pores na tua "Farmácia de Serviço"; Trata-se de uma edição da "Livros de Papel" -

"Foster e Val - Os Trabalhos e os dias do criador de Prince Valiant" e não só, claro, também do melhor desenho (BD) do Tarzan do E. R. Burroughs, que ao que parece o nosso Hal Foster desenhava só para ganhar algum e dar de comer à família ao tempo do colapso bolsista dos finais de 20.

O livro com formato de álbum é uma belíssima biografia de Harold Foster da autoria de Manuel Caldas que pretende, além de tudo o mais, assinalar os 70 anos do inicio da publicação desse extraordinário "Prince Valiant in the Days of King Arthur" que para nós, catraios dos finais de 40 princípios de 50, era o "Príncipe Valente na Corte do Rei Artur" que saia aos Domingos no "Primeiro de Janeiro" e só já nos finais de 60, se não estou em erro, apareceu em Álbum.
Esta edição tem ilustrações muito boas e um texto muito bem escrito !!! A não perder por 22,50 euros (na FNAC). Creio, mesmo que o deveríamos comprar para oferecer ao nosso "sobrinho neto" Pedro Simas Santos antes que o Avô o encha de Manaras e coisas do género.
Um abraço Manel S.P. “
Pronto, MSP, pronto, já está. Boa ideia, mano, óptima, mesmo. Então a malta pode lá esquecer-se do Príncipe Valente? E não havemos de contribuir para a educação do “nosso sobrinho neto” Pedro?
Apesar, de pensar, que alguns Manaras também lhe não farão mal. E já agora uma dose de Crepax e ... por aí fora... se é que estás a ver o fio à meada.
A leitora Zita escreve um testamento e só no fim é que me increpa: “E não se esqueça de falar na biografia do O’Neil.” Claro que não Zitinha, então logo eu, que sou do mais O’ Neil que há. Fique sabendo que tenho tudo, ou quase. De facto falta-me uma primeira edição da “ampola miraculosa” mas dou de barata essa falha porque tenha uma edição facsimilada. Com a vantagem de custar cem vezes menos. Eu sou um leitor e não um bibliófilo. E não era o filho da minha mãe que ia estender sessenta ou setenta milhardas das antigas para ter uma primeira edição. Credo! Abrenúncio!
A leitora Inês (eu diria a desassossegada leitora mas, se calhar, ela levava a mal) também enche uma boa folha, discutindo pontos de vista com um belo humor e muita, demasiada, simpatia. Non sum dignus! Inês. Nom sum dignus!. E termina –isto deve ser uma nova moda feminina – com esta pequena violência: “E pode falar dessa sua prima Maria Manuel se é que é a mesma que se anuncia no Mil folhas do Público com um livro escrito a meias com Ana BenaventeDamas, Ases e Valetes”! E continua a sofisticada Inês posta no seu desassossego: “mesmo que a tal Benavente seja a mesma do eduquês!” Ora toma que já almoçaste! Eu não tenho a certeza certíssima da Ana ser uma adepta do “eduquês”. A Ana Benavente que conheci e conheço, era uma porreirinha que se podia convidar para um bom almoço de cozido à portuguesa, se é que me faço entender. Claro que isso (que é forte virtude) pode viver a meias com o tal “eduquês”. Às vezes esta malta estrangeirada (outra virtude!) tem manias deste estilo. Querem salvar a pátria com doses de coisas muito novas cá e demasiado velhas lá. Dito isto, eu estava a guardar a prima Maria Manuel lá mais para o Verão. Digamos para as “correntes de escrita” da Póvoa. Claro que já li uma versão das “Damas, ases e valetes” uma variação memorialista e simpática dos anos de chumbo. E que dizer disso, sem cair na louvaminha familiar ou na hiper-critica? Ora que não sendo o “retrato da ricardina”, também não é o que resumimos, os jogadores de cartas, “só me saem duques!”. Traduzindo para os não aficionados da cartolina e para a minha amiga Sílvia: não é uma obra imortal mas também não envergonha ninguém. Ou seja está dentro do “corriente, moliente” do que se lê bem e se promete voltar a nova incursão literária das autoras se eles persistirem.

retrato da ricardina”: no jogo da lerpa o conjunto das 3 cartas máximas de trunfo: ás, manilha e rei. Ou seja: todos os restantes jogadores perdem e depositam na mesa uma soma igual ao somatório das apostas anteriores.
Só me saem duques”: expressão de profundo desânimo em jogos de azar e que significa que se obtém sistematicamente as cartas menos valiosas.

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