Mas ele não podia ter dito que não?
Esta foi uma das questões formuladas pelos juízes para justificarem a redução de pena de sete anos e cinco meses de prisão para cinco anos de um homem que tinha sido condenado por abuso sexual de menores. Defendem que não é a mesma coisa praticar actos sexuais com uma criança de cinco, seis ou sete anos ou com um jovem de 13. De facto não deve ser. É certamente diferente. Ficam as questões: não continua a ser menor? Quem o protege?Fiquei chocada quando ouvi a notícia. Aliás, só acreditei à segunda vez porque quando ouvi falar deste assunto na rádio pela primeira vez duvidei do que tinha escutado, tal o absurdo da situação.
Um dos juízes terá afirmado em reacção a declarações críticas de António Cluny; “ Qualquer decisão tem sempre uma carga subjectiva. O mundo é sempre visto pelos olhos de alguém. E isso não me parece ter nada de errado”. De facto não tem nada de errado. É alias inevitável. Pena é que estes juízes tenham uma visão do mundo que os leve a tomar estas decisões.
O jovem de treze anos foi apanhado na teia de um pedófilo e, como se isso não bastasse à sua vida, foi também apanhado na teia da concepção de mundo de um conjunto de pessoas que tem poder para ditar sentenças.
