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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

25
Out15

A raparem o “POTE”

JSC

«Desde o dia 5 de outubro até à sexta-feira passada, o Governo fez publicar em "Diário da República" perto de uma centena de nomeações de dirigentes para cargos intermédios na Função Pública, que não têm de passar pela CReSAP, a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública.»

Enquanto os do costume exigem, por todo o lado, que seja apresentado o cordo, que ainda está a ser ultimado, os do Governo vão, sem qualquer pejo, distribuindo cargos por quem os serviu.

23
Out15

Em Defesa da Democracia Parlamentar

JSC

O Governo do PS, liderado por José Sócrates, caiu em consequência de uma coligação parlamentar formada pelo PSD+CDS+PCP+BE.

 

Em que é que isso atormentou Cavaco Silva? Porque não fez, na altura, um discurso a dizer que não podia aceitar tal coisa? Que era uma aliança contranatura? Que não levava em conta os superiores interesses…?

 

Como é que os futuros PáF aceitaram votar, conjuntamente, com aqueles partidos e, assim, derrubar um Governo legitimamente em funções?

 

Já aqui escrevi que muitos dos que por aí cavaqueiam e desenterram fantasmas, o que gostariam era de ver o pessoal do PCP e mesmo do BE atrás das grades. Na altura, disseram-me que era um exagero, que até descredibilizava o resto do texto. Depois de ouvir Cavaco, a raiva que transmitiu, e de ouvir alguns dos seus indefectiveis apoiantes, não me restam dúvidas de que se eles pudessem, se tivessem poder para tanto, decretavam a ilegalização daqueles partidos.

 

Quem afirma que não respeitará a maioria parlamentar é alguém que não respeita a democracia, alguém que apenas quer o poder para os seus. É próprio dos ditadores, e dos políticos com perfil de ditador, não aceitarem o contraditório.

 

Quando Cavaco coloca o país numa crise profunda e até apela aos mercados para olharem para Portugal, para nos penalizar, e depois diz que assume todas as responsabilidades é caso para lhe perguntar que “responsabilidades” são essas? Como é que se materializam? Precisávamos de saber. Porque o que sabemos é que daqui a uns meses Cavaco vai gozar a sua reforma de ex-presidente, com todas as mordomias pagas pelos contribuintes.

 

Depois do discurso de Cavaco não é a formação do próximo Governo que está em causa. O que está em causa é a defesa da democracia, a defesa da vontade dos eleitores que elegeram a maioria parlamentar.

 

Nota: Concordo que Cavaco tenha indigitado Passos Coelho. O resto é que é inadmissível

22
Out15

“O provedor da Direita”

JSC

“O provedor da Direita”

«Cavaco Silva não foi um bom presidente da República. Entre outras razões porque, ao longo dos últimos quatro anos, optou por ser o presidente de apenas uma parte da República. A parte que se identificou com a prática política do Governo PSD/CDS e que dela beneficiou. Apertando o critério, mais do que um presidente da República, foi um provedor do Governo. Por exemplo: quando era evidente que estavam a ser tomadas decisões fora da lei (a Constituição que jurou defender, independentemente do pouco apreço que lhe tenha), Cavaco contemporizou, deixando passar sem fiscalização sucessivos orçamentos. Outro exemplo: quando se percebeu, no verão de 2013, que já não existia Governo, com a demissão de Vítor Gaspar e a trapalhada do "irrevogável" Paulo Portas, fez aquela disparatada proposta ao PS de antecipar eleições a troco de segurar Passos Coelho no poder por mais um ano.

Mais ainda: ao longo do mandato esteve sempre disponível para o apoio aos poderosos e pouco preocupado com os deserdados. Pronto para um afago aos interesses da Banca (o BES…»

 

Rafael Barbosa, JN, 22/10

20
Out15

Por fim à política da coligação já é um grande Programa de Governo

JSC

“Comunistas num Governo europeu?” PáF! Quê horror! O medo. Espalhar o medo é o que a central que controla e dissemina notícias vem fazendo com uma perícia exemplar. Depois, é esperar que políticos palradores, jornalistas, comentadores pafianos agarrem a ideia, que a trabalhem e a espalhem sob diferentes tons. Uns mais macios, outros mais enraivecidos.

 

Não se ouviu até hoje, ao que julgo saber, que comunistas venham a integrar o governo. Mesmo a presença de bloquistas no governo não é coisa de que se tenha falado e muito menos firme. A ideia que tem predominado é a de que se poderá chegar a um acordo de Governo PS, com apoio parlamentar do PCP e do BE.

 

Ter apoio parlamentar é coisa diferente de estar no Governo. Parece-me. Acresce que nestas circunstâncias Cavaco nem daria posse a nenhum comunista (o que o perturbaria) e a tal “Europa” também ficava livre de ser infectada por um governante português e comunista.

 

É óbvio que reconheço tanta legitimidade e idoneidade à participação de membros do PCP e do BE no governo como reconheço a qualquer membro de outro partido. Todos foram eleitos. Todos respeitam a Constituição.

 

Estranho é este levantar de fantasmas, este chamar de emoções primárias na esperança de que ocorra um levantamento ou coisa parecida ou um outro verão quente, algo aponte para cada eleitor do PCP ou do BE como alguém tresmalhado, errante, inamistoso, que só quer o mal para os seus, que, pensarão alguns, deveriam era estar atrás das grades.

 

O que esta gente não entende é que o que hoje está em causa para a esmagadora maioria do leitorado do PCP, do BE e mesmo do PS, não é o que cada um pensa da Nato, do Euro ou do Tratado Orçamental. O que verdadeiramente está em causa é por fim às políticas que nos impingiram nos últimos 4 anos.

 

Por fim à política da coligação é um verdadeiro Programa de Governo. E isso basta para unir o que pode e deve ser unido.

20
Out15

A grande ofensiva PáF

JSC

A ofensiva da coligação é uma coisa séria (pouco séria). Inventaram umas reuniões com os parceiros sociais – que se prestam a um papel algo estranho – cujo fito é, no final, Paulo portas fazer umas declarações a dar conta da sua enorme disponibilidade para levar o PS ao colo e da pouca vontade do PS em se deixar enrolar com a PáF porque prefere aliar-se ao PCP e ao BE, partidos anti isto, anti aquilo.

 

Ontem e hoje tiveram papel de relevo nas televisões. Enquanto a SIC ouvia a Maria Luiz, a TVI ocupava-se do Paulo Portas. Um fartote. Paulo Portas, quem diria, até se dispôs a largar o papel de Vice-primeiro Ministro, lugar que tanto lhe custou a conquistar, para o dar a António Costa. É certo que Paulo Portas já sabia que Antonio Costa não queria qualquer lugar no Governo, logo Portas estava a oferecer o que sabia não ser aceite, irrevogavelmente.

 

Mas Paulo Portas, que agora está de serviço em todos os canais, não desiste. Usa argumentos poderosos. Existe uma grande maioria que se identifica com o euro, com a Nato, com o tratado orçamental, diz e volta a dizer.

 

Tudo bem, se essa maioria existe porque não governa com ela?

13
Out15

Costa arrasa mercados internacionais

JSC

A bolsa de Lisboa fechou em queda. A imprensa económica, a que as Tvs deram amplo destaque, quem fazer-nos crer que a queda das cotações está relacionada com a possibilidade de termos um governo de esquerda. O Jornal de Negócios, da Helena Garrido, titula mesmo: “Costa assusta investidores”.

Ora, uma vez que as bolsas em diversas praças europeia e não só - Wall Street fecha em baixa – também fecharam em queda é de concluir que António Costa arrasou os mercados internacionais…

13
Out15

Até onde nos levará o cinismo dos “facilitadores”?

JSC

A coligação PàF apresentou ao PS o que designou como DOCUMENTO FACILITADOR DE UM COMPROMISSO PARA A GOVERNABILIDADE DE PORTUGAL. O documento está disponível e pode ser lido pelo menos no sítio do JN e da TSF.

 

De que trata o documento? Segundo alguns órgãos de comunicação social o documento apresenta as principais propostas da coligação ao PS. Dito assim parece que tudo está bem e que a bola está agora no lado do PS.

 

Contudo, do que li do documento, não é disso que se trata. O documento não expressa uma única proposta da Coligação. Trata-se de 13 páginas de citações do programa do PS, a que nem falta a indicação do número da página.

 

A conclusão que se pode tirar é que o tal “documento facilitador” é mais um instrumento do jogo político, que pode ser entendido como mais uma atitude cínica da Coligação.

 

Certo é que não vão faltar analistas a considerar a grande abertura da Coligação, como não deixarão de ouvir todos quantos dentro do PS colocam objecções à criação de condições para a eventual constituição de um Governo de esquerda, omitindo que o mandato dado pelos órgãos do PS a António Costa foi inequívoco.

 

Inequívoca foi também a vitória eleitoral do PàF. Logo, o PR só tem que os convidar a formar Governo e por termo a este jogo pafiano

 

12
Out15

Tão agitados e medrosos que eles andam…

JSC

É impressionante o nervosismo que grassa nos “opinadores” encartados que proliferam nos meios de comunicação social. É igualmente impressionante a coincidência de posições de diferentes directores de jornais, no sentido de considerarem que os contactos de António Costa com os partidos da esquerda é algo de tenebroso, impensável até há poucos dias, que nem dá para acreditar que está a acontecer. Escrevem e falam sobre isso, com o objectivo de influenciar a opinião pública para depois concluírem que é isso que a opinião pública pensa.

 

Uns e outros – opinadores e directores de jornais ou equivalentes – procuram todo o tipo de razões para mostrarem que o que António Costa está a fazer é a política no seu pior, que quer ganhar na secretaria, considerando até que António Costa está a fomentar um aberração democrática.

 

Uns e outros criticam António Costa por este estar a procurar uma solução, de entre as possibilidades que o novo quadro parlamentar possibilita. Mas uns e outros nada dizem sobre o silêncio a que os senhores do PàF se remeteram, seguindo a mesma estratégia que adoptaram na campanha eleitoral: Nada dizerem de substantivo, esconderem-se.

 

Só por grande miopia ou por interesses particulares muito profundos é que esta gente pode qualificar como anormal o esforço que António Costa está a fazer e que, se tiver sucesso, conduzirá a uma alteração radical no modo de fazer política em Portugal.

 

Talvez seja o medo desta mudança que os senhores dos jornais e os opinadores profissionais mais temem. Até hoje, o que eles qualificaram de arco da governação tem criado as condições para uma estabilidade de águas promíscuas, que eles influenciam mesmo quando parecem criticar.

 

Será por isso que a mera hipótese de um Governo formado pelas forças de esquerda já os assusta. Mas a constituição desse Governo e a hipótese desse Governo poder ter sucesso é uma coisa que os amedronta, torna-os pequeninos, irracionais até.

11
Out15

UMA PRESSÃO INTOLERÁVEL

JSC

Os principais programas de debate/análise política dos diferentes canais televisivos mostram como a balança na comunicação pende, fortemente, para o lado da PaF, da direita.

Desde os moderadores introduzirem os temas a debater na perspectiva do PaF, até os convidados – que eles escolhem – serem maioritariamente favoráveis à visão política do PaF, tudo serve para incutirem nas pessoas um discurso dominante, que procura mostrar como a formação de um Governo à esquerda é uma coisa má, antidemocrática, que atenta conta a nossa história recente, que nada há que aproxime os partidos à esquerda com o PS.

Por outro lado, onde até há dias viam opções radicais do PS veem agora programas “casáveis”, com muitos pontos de contacto, com os mesmos objectivos, fáceis de operacionalizar, porque, dizem, é uma questão de dose.

Ouvir Paulo Rangel, Marques Mendes, Luís Montenegro e outros defenderem que o PaF deve governar, porque ganhou as eleições, parece-me natural e legítimo.

Ouvir José Gomes Ferreira, José rodrigues dos Santos, Helena Garrido, André Macedo e outros que sob a capa de jornalistas apresentam autenticas propostas políticas; que estão sempre a apontar o fantasma dos mercados, os papões da Europa, como se este país fosse um protectorado ou coisa parecida; que espalham a ideia de que uma maioria parlamentar, desde que seja de esquerda, não é democrática; que olham para o PCP e para o BE como se estas organizações fossem a ralé da sociedade, com as quais não se pode negociar, apesar de representarem 20% do eleitorado.

As posições destes jornalistas, claramente comprometidos com o Paf, só é preocupante porque eles falam como se fossem profissionais politicamente isentos e é assim que muitas pessoas os ouvem, porque não os identifica com nenhum partido.

O principal obstáculo à constituição de um Governo de esquerda não estará tanto nos partidos do PaF mas na formatação da opinião pública que a comunicação social – jornais, rdp/tsf e televisões – leva a cabo de modo certeiro e contínuo com o objectivo de descredibilizar o PS e em particular António Costa.

09
Out15

De regresso ao país real (da PaF)

JSC

 

Terminadas as eleições, o país real está de volta. Bem-vindos ao Portugal em crescimento

… E as noticias são:

  1.  Mais 100 trabalhadores portugueses abandonam hoje a base das Lajes
  2. Unicer fecha fábrica em Santarém e despede 140 
  3. Despedimento coletivo de 273 trabalhadores na Somague
  4. Mais mulheres em risco de pobreza
  5. Constitucional chumba Governo nos acordos para as 35 horas nas autarquias (mais uma derrota para o Governo mais inconstitucional da democracia)

Como se imagina é mera coincidência os despedimentos em curso terem esperado pelo fim da campanha eleitoral, não fossem estragar a visão de crescimento e bonanças que a PaF espalhou e que o José Gomes Ferreira tão bem interpretou.