Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

05
Dez18

A FUNÇÃO PÚBLICA E... OS OUTROS

JSC

Há dias, alguém dizia, radiofonicamente, que hoje não há classes, o que há são os funcionários públicos e os outros. Passe o exagero, a verdade é que o movimento grevista que atravessa toda a função pública, desde os Sapadores Bombeiros aos Guardas prisionais; desde o pessoal do Ministério Público aos Juízes; desde os Enfermeiros aos Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica; desde a greve seletiva dos Professores aos Técnicos de educação; desde a greve dos trabalhadores da função pública aos trabalhadores da administração local, etc e etc.


A este movimento, que grassa na função pública, associa-se um outro que, não sendo função pública, se confunde, propositadamente, com esta. É o movimento dos trabalhadores das Instituições Privadas de Solidariedade Social e dos trabalhadores da CP e de outras empresas de transportes – Metro, Carris STCP, e outras.


O que todas estas greves têm de comum é que todas se destinam a salvar ou melhorar a vida das pessoas e dos utentes dos serviços. Os médicos querem salvar o SNS; os enfermeiros fazem greve para melhorar os cuidados e condições de tratamento dos doentes; os professores querem melhorar a aprendizagem dos alunos; os guardas prisionais estão preocupados com os presos; etc., etc.


Um outro aspeto comum a todo este movimento é a reivindicação do “ajustamento” nas carreiras; a “redefinição” do trabalho extraordinário; a “avaliação” do risco. Em que é que isto se materializa? Mais dinheiro ao fim do mês. Não me caba, nem sei, avaliar da justeza das reivindicações monetárias. O que sinto é um país, uma economia, que não gera riqueza para tanto alarve.


Depois há os partidos do poder e os da oposição. Todos concordam que temos uma carga fiscal muito elevada. E os comentadores, jornalistas e outros que diariamente falam, com razão, da excessiva carga de impostos, directos e indirectos, que suportamos. Contudo, não os ouço nem vejo a desmontar este movimento grevista, exclusivo da administração pública, pelas implicações gravosas que terá nas contas públicas e, por consequência, no agravamento da carga fiscal, carga que todos concordam já ser excessiva.