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Incursões

Instância de Retemperação.

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26
Fev18

A OUTRA LUTA DA ORDEM DOS MÉDICOS

JSC

A Ordem dos Médicos acusa o Governo de ameaçar a saúde dos portugueses porque o Governo pretende criar um curso que vai conferir o grau de licenciado em medicina tradicional chinesa.

 

É contra isto que o bastonário Miguel Guimarães se propõe mobilizar os médicos, com "formas de inéditas de luta" porque entende que as práticas da medicina tradicional chinesa não têm base cientí­fica, constituem um perigo para a saúde e para as finanças dos portugueses.

 

Por tudo isto, o Bastonário acusa o Governo de "irresponsável", de "estar a contribuir para um retrocesso sem precedentes", de agravar o desconforto e descontentamento dos médicos. Em claro confronto, garante que a Ordem se propõe "liderar um processo de oposição firme de todos os médicos.

 

Não disponho de conhecimentos que me permitam contrariar as teses da Ordem dos Médicos. Contudo, disponho da experiência, na perspetiva do utente, de algumas destas práticas que a Ordem e o seu Bastonário contestam, em nome da saúde dos portugueses.

 

Conheço médicos, licenciados por Universidades de Medicina portuguesas, que tiraram cursos de medicinas alternativas e que praticam as duas medicinas, com excelentes resultados para os doentes.

 

Os grânulos homeopáticos, se bem administrados e tomados, revelam-se mais eficientes no combate a alergias e a encefalias do que remédios habitualmente receitados pelos médicos dos SNS.

 

Sei de médicos que, em crises agudas, recorrem a osteopatas e que louvam os resultados obtidos com a intervenção.

 

A defesa corporativa que a Ordem se propõe travar talvez fosse melhor assegurada com a integração da designada medicina tradicional chinesa nos cursos de medicina, abrindo aos jovens médicos outras perspectivas de carreira e garantindo aos doentes opções diferenciadas no seu tratamento.

 

Provavelmente, a Ordem dos Médicos está a enveredar por um caminho cada vez mais estreito, corporativo, do que julga ser a salvaguarda dos interesses especí­ficos dos médicos. A defesa da saúde dos portugueses seria melhor garantida se as duas medicinas dialogassem entre si e se complementassem.

 

Ao invés do que mobiliza a Direcção da Ordem dos Médicos, o perigo para a saúde pública advem mais ou pode advir da situação actual que permite que qualquer pessoa se autoproclame e exerça a profissão de "osteopata", "acupuntura", "homeopata", etc.

 

A criação de regras, de cursos especí­ficos validados pelo Ministério da Saúde e a constituição de um organismo, tipo INFARMED, que controle e valide a produção e comercialização dos remédios homeopáticos e outros actos clí­nicos próprios da medicina tradicional, só pode ajudar e melhorar as boas práticas do sistema de saúde.

 

Não será por a Ordem dos Médicos estar contra a legitimação da medicina tradicional chinesa que esta vai deixar de existir, de haver oferta e utentes. Então, parece-me bem mais racional e inteligente defender a sua legitimação, enquadramento e controlo pelas entidades que gerem o sistema de saúde.