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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

a varapau 26

d'oliveira, 20.11.15

Gangster!

 

Uma irrelevante criatura de seu nome Tiago Barbosa Ribeiro, actualmente deputado (isto de votarmos em listas com dezenas de nomes dá nisto) entendeu do alto da sua incipiente carreira política qualificar o Presidente da República de “gangster”.

Mesmo duvidando que o ilustre membro do Parlamento saiba exactamente o que quer dizer “gangster” (suspeita que me é suscitada depois de ler dois penosos artigos da criatura (“o meu ps” – um amontoado tolo e pretencioso de narizes de cera- e algo ainda mais irrelevante histórica e politicamente sobre o PREC) tem-se como seguro que o homenzinho queria difamar não o cidadão Cavaco Silva mas o Presidente da República que mesmo sem nunca ter contado com o meu voto merece pelo lugar que (bem ou mal) ocupa chamado respeioto instittucional.

Sobretudo se quem opina sobre ele é oputro eleito. A linguagem taberneira e politicamente estúpida utilizada por este pai da pátria ou filho da democracia revela sem lugar a dúvidas mesmo piedosas várias coisas. Ignorância, incapacidade de medir o que diz, inconveniência, falta de chá para não dizer mais cruamente educação, e eventual inaptidão para o exercício de cargos políticos. O senhor deputado excita-se muito com o actual momento político (antes se excitasse com coisas ou prazeres mais concretos...) e não olha a meios para defender os seus fins.

A chamada casa da democracia não devia acolher gente desta sob pena de voltarmos a cair no espectáculo insensato de um parlamento descrito por Eça há cento e muitos anos. Claro qque ninguém pede ao senhor Barbosa que se dê ao imenso trabalho de ler essas imortais páginas escritas em 1831 (Uma campanha alegre, vol I das Farpas, Companhia Editora Nacional, Lisboa, 1890). Hoje em dia esse medonho sacrifício foi obnubilado por coisas curtas e pífias que correm pelo facebook (com muitos “like”) e pelo linkedin onde este cavalheiro parece ter assentado os seus arraiais.

Imaginemos, todavia, que alguém, mesmo sem ser cavaquista assanhado pega na delicada expressão usada pelo senhor Barbosa e resolve retorquir na mesma moeda e lhe chama, salvo seja, imbecil, cretino, gatuno ou palerma, coisas todas com menor dimensão da usada pelo representante do povo. E que, justamente indignado, o tribuno, sai à liça e usa outras tantas ou piores urbanidades. E assim sucessivamente...

Em tempos menos tíbios que os actuais estas coisas pediam sangue, duelo, pistolas ou espada ou quiçá varapau, bengalada. Isto para não falar no envio de sicários (depois, se necessário explica-se ao senhor Tiago o significado da palavrinha) encarregados de vingar por pouco dinheiro a honra perdida e escassa coragem do ofendido mandador.

O jornal relata que alguém do P.S. entendeu “puxar as orelhas” (sic) do deputado e que este reconheceu ter sido “imprudente” e pediu desculpas.

Vamos por partes: a calúnia não é uma imprudência é apenas e só uma vilania, uma baixeza, uma erupção de mau carácter. Ou uma prova de falta do mesmo.

No que toca ao pedido dde desculpas, conviria saber a quem foi dirigido e em que termos. Foi à cúpula do P.S. ou ao ofendido? É que as coisas não são iguais. É verdade que o P.S. sai mal destas tolices mas, enfim, não é inteiramennte responsável pelo que uma inculta criatura escreve no facebook. Merece um pedido de desculpas mesmo se a palavra “imprudente” seja apenas mais uma triste tentativa de distorcer a situação. Escreveu o deputado ao alvo directo do seu ataque? E em que termos? Era isso que convinha saber a menos que todos nós mereçamos viver numa república batateira onde, como no famoso dicionário da Academia, a ultima palavra do léxico reconhecido fosse “azurrar”.

E a prática política corrente se mantivesse dentro dos parâmetros desse verbos hoje tão fora de moda...  

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