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Incursões

Instância de Retemperação.

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Au bonheur des dames 420

d'oliveira, 01.10.20

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Patriótica graça 

mcr, 1 de Outubro

A sr.ª dr.ª Graça Freitas começa, aliás já tinha começado (e há muito tempo) a perder a graça.

Ignoro se ela é, ou era, uma pessoa competente. Mesmo sendo a nº 2 do anterior director geral poderia não passar de um pau mandado. De todo o modo, quando o lugar ficou vacante, a sr.ª dr.ª Freitas subiu naturalmente e é nessa qualidade que todos os dias, todos os santos dias, ela aparece na televisão sem que, nas mais das vezes, acrescente algo de útil.

Eu já aqui disse que os responsáveis políticos deveriam ser poupados ao massacre da banalização. A Directora Geral, o Secretário de Estado, a Ministra deveriam vir a público quando tal se impusesse e não todos os dias como se fossem uns (medíocres) pivots televisivos.

Infelizmente, alguém, ou eles próprios, decidiu que a presença destas três criaturas era vital para o esmagamento do covid. Como os espantalhos nas searas...

 

A permanente presença destas criaturas de verbo gago e palavroso acaba por ter um efeito péssimo: já ninguém liga ao que dizem. Depois dos números de mortos, restabelecidos, hospitalizados as pessoas mesmo mantendo-se na mesma emissão de televisão, desligam. Esperam docilmente a próxima notícia ou, pior, a novela inevitável.

Mesmo os números são profundamente enganadores. Só interessa saber quantos novos infectados há se soubermos quantos testes se fizeram. É que é muito diferente haver 500 ou 600 novos casos se o universo testado tiver cinco, dez ou vinte mil testados. Depois, as percentagens também de pouco servem. Dizer que de ontem para hoje houve um aumento de 5% tem pouco significado. 5% de 10000 não é exactamente a mesma coisa de 50.000. De certo modo, o número bruto de novas infecções traduz melhor a realidade sombria em que se vive. Sombria para nós mas excelente se compararmos os “nossos” novos casos com Espanha, Reino Unido ou França. Mesmo sabendo que estes países tem 5, 6 , 7 ou mais vezes a nossa população. Madrid sozinha tem mais infecções que Portugal inteiro!

Deixemos, porém, esta abordagem e concentremo-nos na tristíssima figura que a dr..ª Freitas foi fazer na Assembleia. Disse a pobre criatura que “não é patriótico pôr sempre o nosso país nas bocas do mundo quando se sugere que a informação não é boa

Eu não sei se a dr.ª Graça sabe o que é um dicionário mas se acaso sabe, e porventura tem um lá em casa, convir-lhe-ia ir procurar a palavra e perceber (se for capaz) o que patriotismo quer significar.

Já Eça referia os patrioteiros e, eventualmente – não recordo – os patriotaços a propósito de uma discussão com Pinheiro Chagas.

Nos tempos em que a dr.ª Graça frequentava os bancos do liceu, o antigo regime insistia no patriotismo e condenava inabalavelmente os anti patriotas.

Fico com a fortíssima convicção que a excelente senhora pertencia aos patriotas puros e duros. Basta-me para tal ver como ela responde à justa indagação parlamentar

E digo isto porque, infelizmente, basta que alguém, em qualquer parte do vasto orbe diga uma amabilidade sobre Portugal para cá se fazer ouvir um coro de clarins e tambores a rufar.

Aliás, se os números fornecidos pela DGS estão certos, somos, sem dúvida, a inveja de muitos países que, coitados, estão em circunstâncias bem mais penosas do que nós.

Por isso a frase da sr.ª Directora Geral é calamitosa e um autêntico atentado à inteligência (dela, dos deputados e nossa, que diabo).

A mim, mais do que a absurda tolice do apelo ao patrioteirismo imbecil, o que me espanta é não ter hvido um deputado que lhe dissesse duas verdades e lhe explicasse a toleima da sua afirmação.

Retiro o que acima disse se, acaso, houve alguém com bom senso e um mínimo de conhecimento da língua que lhe tenha explicado o sentido de patriotismo.

Costuma dizer-se a propósito das empregadas domésticas que o que interessa é que elas limpem a preceito, cozinhem decentemente passem a ferro com cuidado. A inteligência, dizem tais criaturas que cito, não é essencial. Cá, por casa, a empregada cumpre bem as suas tarefas é alegre, amável e inteligente e isso é um ganho inestimável pois, de quando em quando, ela sugere, actuações sensatas que se traduzem em benefício da casa, nosso e das gatas que ela estima ternamente. A inteligência é sempre um bónus seja para empregadas domésticas como para directoras gerais. Provavelmente até é patriótica porquanto ninguém com dois dedinhos de testa consideraria uma pergunta mesmo dura um acto contra a pátria.

Alguém explique isto à dr.ª Graça. Se, eventualmente, não tem um dicionário terei todo o prazer de lhe oferecer um, seja o do Buarque ou o do Houaiss dois brasileiros que amam a língua. Ou procurarei mesmo o José Pedro Machado ou o Morais caso a portuguesíssima Freitas abomine os estrangeiros

Despeço-me patrioticamente

Viva a Pátria

Viva Portugal, um torrãozinho de açúcar

Viva, viva, viva. Pum!

Na vinheta: um útil mapa da prosápia lusitana que provava à evidência que Portugal não era pequeno.

 

 

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