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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

au bonheur des dames 503

d'oliveira, 21.06.22

A culpa morre sempre solteira

mcr, 21-6-22

 

Segundo o jornal “Público” a maternidade Alfredo da Costa fez em 2021 2866 partos enquanto o hospital CUF descobertas fez 2916. 

O hospital da Luz fez 2869, os Lusíadas Lisboa 2452 e Lusíadas amadora 1077. O total os 4 privados fizeram quase 30% dos partos em Lisboa onde se contam 13 hospitais públicos .Imaginem os leitores e, sobretudo, as leitoras o que teria acontecido se estes quatro privados não existissem!

(eu já aqui disse que o SNS é uma boa coisa mas que ignorar os hospitais privados com a sanha tremenda com que são ignorados e “destratados”  é uma estupidez supina e absurda. E manifestamente uma  viciosa visão ideológica no que esta tem de mais imbecil e mentirosa.

Cada dia que passa, o cenário sanitário é mais confrangedor e, pior!, ameaçador. Só quem tem antolhos, e é cego ou para lá caminha, e que finge não ver esta realidade dolorosa num país onde nascem poucas crianças. Tivéssemos nós a taxa de natalidade da França e isto era um cemitério de recém nascidos. Não é o Verão  que, aliás, começa hoje, que traz a descoordenação à vesga luz do dia. É a falta de visão, de planeamento, de política que cada vez se mostra mais real e deprimente. 

E não vale a pena vir, outra e estafada vez, atirar culpas ao governo anterior que já lá vão sete anos. É esta rapaziada, esta ministra que subitamente parece um pião das nicas depois de ter sido, ninguém percebe porquê, posta num altar laico pelo PS e elevada (oh céus!) à categoria de sucessora possível de Costa.

A pandemia que assolou o país, assolou também as cabecinhas que sem perceber quem é que esteve à altura dos acontecimentos, organizou e combateu o desastre, entendeu proclamar virtuosa a governação da Srª Temido. Foram os profissionais mal pagos do SNS (todos sem excepção) que deram o litro, ou o hectolitro para ser mais preciso, e formidável logística trazida pelos militares que nos pôs em primeiro lugar no mundo. (eu nem quero referir outra vez a estranha criatura que durante umas semanas, felizmente poucas, andou a fazer de coordenador da campanha anti-covid. Não vale a pena e convém esquecê-lo rapidamente mesmo se, por misteriosas razões (ou nem isso...) a personagem ande sempre nos cumes da responsabilidade política e profissional.)  

As criaturas que enchem a boquinha com o SNS,  e gritam que só querem o bem da instituição e o nosso, deviam remeter-se a uns dias de silêncio e nojo e ir ver o que se passa nos hospitais com urgências atafulhadas e muitas vezes encerradas para perceberem, se é que conseguem, os males estruturais que ameaçam fazer naufragar o projecto generoso de muita gente e anterior ao 25 A (é bom recordar essa verdade) que iluminou o famoso “relatório sobre as carreiras médicas” e foi uma constante cruzada de Miller Guerra, um médico e um político que parece estar esquecido. 

Algumas estultas senhoras vem agora falar dos pagamentos ao tarefeiros das urgências que, verdade seja dita, recompensam estes com honorários duas, três e quatro vezes ao salário indigno dos médicos do SNS.

É por isso que, logo que formados, os jovens médicos fogem a sete pés de um emprego mal pago, com demasiadas horas de trabalho a mais, com falta de meios de toda a ordem, muitas vezes em edifícios envelhecidos e desprovidos d equipamentos modernos.

E é assim que quem pode, faz o sacrifício de pagar um seguro (e aqui incluo os funcionários públicos que descontam forte e feio para a ADSE) para não se subterem à lotaria carnavalesca do atendimento desatempado em hospitais públicos, às bichas cada vez mais longas, às demoras em consultas e cirurgias que levam meso anos a concretizar-se. 

Os tarefeiros das urgências são muitas vezes profissionais do SNS que sacrificam o seu tempo livre para angariar honorários que o hospital não lhes concede.

Os maléficos “privados” pagam melhor, por menos horas mas com uma logística e organização muito superiores. Provou-se isso (cfr Tribunal de Contas) com as últimas PPP que deram ao Estado um lucro superior a 100 milhões de euros em comparação com a gestão pública. Mais doente recebidos, mais doentes tratados, menos despesa e maior satisfação profissional de todos os agentes sanitários envolvidos.

Não se pede  às ex-as  autoridades, muito menos à Srª Ministra um gesto criativo (se porventura fossem capazes de o ter) mas apenas que copiem o modelo privado no que ele tem de bom e útil e constatado pelo TC. Nada mais. Claro que é sempre possível fazer uma má cópia...

Quanto aos vociferantes meninos e meninas rabinas que confundem a Esquerda com uma rocha de granito basta tapar os ouvidos. É que há vozes que não só não chegam ao seu mas também não chegam a parte nenhuma...

Quando se pergunta de quem é a culpa da situação, a resposta é a do costume.

citando o "romeiro" de Garrett: ninguém!