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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

au bonheur des dames 445

d'oliveira, 01.12.21

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sofreguidão legiferante

mcr, 1-12-21

 

o Presidente da República vetou a lei da eutanásia. Entre outros argumentos, avançou a ideia de que a pressa em arrumar tal questão, levada a cabo por uma assembleia em agonia, não era boa conselheira.

Não serei eu, a meu pesar, quem o irá contradizer. Tudo indica que a maioria pro eutanásia, depois de se recusar a ouvir o Conselho de Ética e mais algumas vozes, alegadamente autorizadas, temendo que as próximas eleições introduzam alterações profundas naquele escasso corpus legislativo, desatou a correr para impor a nova lei.

O PR poderia pois estar à espera de uma outra maioria, desta feita hostil à lei. Do doutor Rebelo de Sousa pode esperar-se tudo pelo que o argumento não é despiciendo.

Pessoalmente, sempre fui de opinião que esta questão, fracturante por um lado e pouco mobilizadora por outro, deveria ser resolvida por referendo. Sei que há dificuldades na formulação da questão a apresentar ao povo mas isso não reforça a ideia de que duas ou três centenas de preopinantes, eleitos à molhada  (o que significa que nem sequer se podem lealmente arrogar da presunção de representarem os respectivos círculos eleitorais -pelo menos o s maiores  -e os mais decisivos porque urbanos e eventualmente mais progressistas-) tenham mais visão e possibilidades de escolha do que um par de milhões de portugueses.

Dito isto , insisto também que, num país onde é irrisório o número de pessoas que aderiram ao testamento vital, entendo a discussão apressada e feita às três pancadas. Algumas luminárias insistem que esta é uma vexata quaestio com vinte e seis anos de existência.

Não é bem assim. De facto a coisa foi apresentada há duas décadas e meia mas nunca houve uma discussão constante, continuada nem nada que a isso se pareça. De quando em quando havia um afloramento da discussão, apareciam os do costume mas nunca houve, como – num assunto tão grave e importante – uma mobilização sequer modesta da opinião pública.

E mesmo agora, a coisa só superficialmente agitou as águas paradas da política nacional.

Dir-se-á que a política é feita por quem se interessa, o que é uma verdade como um punho. Mas persisto em considerar que tudo isto foi abafado , et pour cause, por outras e mais importantes pela actualidade imediata, questões. 

Enfim, esperemos que das próximas eleições saia a luz, que haja uma epifania que desperte não digo multidões mas um número significativo de interessados que dêm à questão a sua verdadeira e esquecida característica: algo puramente sanitário e só moderadamente ideológico.

Sei que persigo o inimaginável mas nasci assim e agora só o caixão me servirá de última razão.

 

-um aparte, necessário: não reli o meu texto sobre Rui Rio mas, antes mesmo de o fazer, devo dizer que nunca previ a sua vitória. Mesmo se, conhecendo a criatura, soubesse que o homem é “resiliente” e ganha batalhas impossíveis. Não vou agourar e augurar uma surpresa para o final de Janeiro mas não cairei para o lado fulminado pelo espanto se ele ganhar a Costa. Seria, de certo modo, divertido mesmo se nestas coisas a diversão seja de mau tom.

Outro: celebra-se hoje o dia da Restauração. Durante uns tempos houve quem o devolvesse ao limbo mas o bom senso imperou: As datas nada significam mas, as pessoas gostam delas nem que seja pela hipótese de haver um feriado. 1 de Dezembro não vale menos que 10 de Outubro e mesmo que 25 de Abril. São momentos apenas simbólicos mas que seria de nós se os não tivéssemos?

Não tenho saudades dos festejos a que, em rapaz,  fui obrigado a associar-me  e disso já aqui dei conta. Também não sou fã da Padroeira mas percebo que para muita gente o dia 8 próximo seja um dia de especial festa. Eu, aliás, sempre o associei ao Dia da Mãe, outra data que tem andado aos baldões. E ainda hoje, é o dia em que telefono à mater augusta a dizer-lhe duas banalidades carinhosas. Ela gosta...

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