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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

18
Abr18

au bonheur des dames 449

d'oliveira

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Outra vez a Câmara Municipal do Porto e a zona residencial do “Foco”

2ª carta ao Senhor Presidente da Câmara

por mcr munícipe com os impostos em dia aos 18 de Abril de 2018

Ex.º Senhor

Vivo na rª Eugénio de Castro ou seja na rua onde se implantam 7 grandes prédios da zona acima descrita. 90% destes prédios são de habitação e por alto albergarão trezentos e cinquenta agregados familiares em apartamentos de tipologias diversas mas todos destinados ao que se costuma chamar classe média alta. Todos estes prédios estão dotados de garagens colectivas que poderão albergar 500 ou 600 viaturas. Todavia, os cerca de vinte estabelecimentos comerciais e outros tantos escritórios inseridos nesta rua e o facto das famílias residentes dispor quase sempre de dois ou mais automóveis torna as condições o estacionamento mais complicado mesmo se na zona poente do bairro haja estacionamento para mais umas dezenas de veículos.

Na rua já citada mais propriamente na parte onde estão inseridas três torres uma de 18, e duas de 10 andares, foi desde sempre proibido estacionar. È verdade que moradores e, sobretudo, frequentadores da zona, desrespeitavam alegremente as placas de proibição a todas as horas do dia e mesmo de noite, dado que sempre houve dois ou mais bares muito concorridos.

Desde empre mas principalmente nos últimos tempos, coincidentes com os mandatos de V.ª Ex.ª a polícia municipal fazia estrondosas incursões no local, multava com fartura e rebocava todos os carros que podia. Até a minha mulher que por uma vez teve preguiça de meter o carro na garagem foi obrigada a ir busca-lo ao depósito municipal. Desembolsando uma quantia respeitável como se sabe.

Porém, de há um par de semanas a esta parte, tudo mudou. A rua Eugénio de Castro e as vizinhas foram declaradas ruas com estacionamento condicionado. Se é verdade que nas restantes sempre se estacionou sem provocar confusões no trânsito, na nossa rua mudou completamente o paradigma. Não era permitido estacionar por a municipalidade e a Junta de Freguesia entenderem que isso afectava a circulação. No entanto, pagando, deixa esta de ser afectada!

Eu não consigo distinguir qual a ideia que preside a bondade do estacionamento pago numa rua onde ele proibido. Entendeu a Câmara que ganharia mais cobrando cada hora ou cada minuto entre as oito e as vinte do que mandando a enérgica polícia municipal em expedições punitivas cada três ou quatro dias?

Será que o acto de pagar para estacionar diminui os inconvenientes do estacionamento, porventura os transforma em conveniências generosas para todos os que aqui vivem ou por aqui tem de passar?

Estarão os cofres municipais de tal modo dessangrados e exaustos que a receita que aqui se gerará os salvará da catástrofe iminente que se avizinha?

Note, V.ª Ex.ª que esta pergunta não representa nenhum interesse escondido meu. Tenho garagem para os carros que usamos e até me preparo para, comprar uma avença de morador para, no caso de ter visitas, albergar estas a salvo dos homenzinhos que decerto começarão a rondar a zona, de talão em punho.

Este nosso país tem no seu ADN a mania das taxas, das multas, dos impostos escondidos ao mesmo tempo que, do lado de quem recebe, não se vislumbram medidas compensatórias, melhor serviço público ou esforços de qualquer ordem para aliviar a vida dos cidadãos. Ainda sou do tempo da licença de isqueiro que nunca percebi se servia para proteger a industria fosforeira, atacar o feio vício de fumar, ou simplesmente aqueloutra missão especial do Estado que consiste em ordenhar a carteira dos cidadãos e “chatear o indígena”.

Inclino-me para esta dupla e derradeira missão. A gentinha que se governa não merece da parte de quem manda senão mão forte e disciplinadora se possível acompanhada de tributação a esmo.

Será este o caso?

De V.ª Ex.ª votante e obrigado

mcr