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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

au bonheur des dames 461

d'oliveira, 26.01.22

Publicidade enganosa

mcr, 26-01-22

 

 

anda pelos jornais (e não só) um apelo ao voto no próximo dia 20. Pelos vistos a entidade (provavelmente a CNE) publicitante entende que votar nas actuais circunstâncias mesmo antes de se atingir o famigerado “pico” (previsto para a 2ª ou 3ª semana de Fevereiro) das infecções ´é seguro”.

Não sei em que se baseia essa estranha agremiação mas os desmentidos vindos de organizações de saúde (mormente de médicos, enfermeiros e outros) com o aval de especialistas são tolices!!! 

Há cerca de um milhão de pessoas mais ou menos confinadas. Tudo indica que tal número de afectados não irá diminuir até ao próximo domingo. Há mesmo a hipótese de aumentar coisa que não custa a crer dadas as arruadas em que todos os partidos se comprazem.  

Eu nunca percebi para que servem essas passeatas, entre bandeiras e gritaria, com beijinhos e, em alguns casos,  oferta de brindes baratuchos e risíveis. Será que alguém ao ver passar a caravana descobre, súbita e fatalmente, um intenso amor pelo partido que desfila? 

Será que há votantes indecisos que esperam com ansiedade esse momento vagamente festivo, decididamente folclórico (agora até os caretos de Podence entraram no  curcuito!!!), para se sentirem absolutamente viajantes na estrada de Damasco e, como Paulo, descobrirem finalmente luz? 

Francamente...

O esparvoado anuncio deque é seguro votar enferma de duas ou três patetices. Primeiro, as pessoas raramente observam as conhecidas distâncias recomendadas entre criaturas numa bicha; Depois, essa distância com máscara e tudo o mais, reduz-se absolutamente no momento de votar quer ao entregar o BI quer ao entregar o boletim, há ainda que observar que , se chover, lá se vai a tranquila bicha pelo cano pois a pressa em chegar a zona abrigada recrudesce. 

Já não falo do receio generalizado que percorre o país quanto à possibilidade de pessoas infectadas poderem sair de casa para votar. Sei que estão atiradas para as duas últimas horas do dia mas a boataria do costume, a tendência para o abuso e para o incumprimento dessa regra vão assustar o já desgastado corpo normal de votantes. 

Pelo que sei, houve muitas baixas na constituição das mesas de voto no dia 20. E já se sabia que seria pequena (como foi com apenas 30/35% das inscrições previstas) a afluência. “O medo guarda a vinha”, como é sabido e esse temor não só não se dissipou como pode até aumentar. 

Tenciono, apesar de tudo, e contra toda a razão e lógica (basta lembrar-me da idade venerável que tenho) ir votar, cedo, pela fresca (e frígida!!!) manhãzinha, no pior dos casos até às dez. Mesmo ao domingo, o lancinante apelo da bica matinal não me permite adiar por mais tempo o pequeno prazer de abrir o jornal diante de um ou dois cafés.

Irei (com a esperança burra de quem pensa que vai descobrir a pólvora) confiado em que serão poucos os eleitores a essa hora, sobretudo porque haverá muitos tímidos ou desconfiados. 

Voto numa escola secundária a cerca de setenta metros de minha casa(mesmo se esses escassos metros correspondam à saída dos eleitores que para entrar terei seguramente de percorrer uns bons duzentos e tal metros. 

Durante quase toda a minha vida de votante, era atirado para quilómetros de distância mas com uma reorganização levada a cabo pela Junta de Freguesia (suponho que terá sido esta entidade autárquica a minha benfeitora) agora estou nas minhas sete quintas, é uma rapidinha! A CG recomenda-me que leve um frasco com nebulizador carregado de desinfectante para aspergir-me e aspergir generosamente à minha volta quem se atrever a aproximar-se.- “E como sulfatar videiras...”, acrescenta a maliciosa que, claro, se recusa a votar nestas condições.         

É pena não haver livro de reclamações na Assembleia eleitoral para eu poder la escarrapachar com dureza a imbecilidade do “voto seguro”. Seguro, o tanas e o badanas”, há algum risco obviamente mas a mim custa-me deixar por uma vez que seja de cumprir este meu direito. Provavelmente, votarei em branco mas votarei de todo o modo. A campanha vai em toada miserável  (mesmo se Rio seja uma surpresa) as promessas partidárias são (sobretudo à esquerda, mesmo se da outra banda também as haja) ou irrealizáveis dada a falta crónica de dinheiro ou absurdas dada a rasoira com que se mede a realização de certas propostas. 

Então agora com a notícia dos dinheirinhos vindos da Europa, a coisa estoitou. Vamos estar ricos mesmo se, se verifica que continuamos a ser ultrapassados pelos últimos países da Europa. Vai ser um fartote! Por pouco tempo, claro, mas uma festa e uma desbunda para já não falar nos “pardaus que correndo por terras de Basto”, desaparecerão sem deixar rasto (á de Miranda que me desculpe o uso e abuso do seu estro).