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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

au bonheur des dames 495

d'oliveira, 15.05.22

A inútil precaução”

mcr, 15-5-22

 

 

Permitam-me os raros mas heroicos leitores cuja indulgência é extraordinária para com este escriba que roube ao “Barbeiro de Sevilha”, o segundo título, justamente “a inútil precaução” que aliás  será referida por Rosina quando o conde Almaviva aparece travestido de professor de música.

No caso em concreto a inútil precaução ganha todo o seu significado. ora vejamos: a CG levou sempre muito a sério a pandemia. encerrou-se em casa e nas raríssimas ocasiões em que saía nunca largava a máscara. Até no carro sozinha comigo ela enfiava a máscara. E assim continuou até hoje. Ora na quinta feia passada, enquanto eu estava em Lisboa eis que a nossa excelente empregada apareceu queixando-se de fores, mal estar, enfim algo que parecia uma gripe e como tal foi tomada por ambas. Não era gripe mas um raio de um covid 6ª vaga com que a pobre senhora se cruzou no consultório onde fazia um qualquer tratamento. Deu boleia ao bicho mau que, mal viu a CG,  entrou a matar (enfim a chatear). Na sexta feira já ela me telefonava a informar-me que fizer o teste caseiro e que este dera positivo. 

Só regressei hoje, domingo, e deparou-se-me uma madona dolorida amparada pelas duas gatas mas, vá lá, com apetite para um rosbife. 

Felizmente, a casa é grande pelo que me transladei o cadáver para outro quarto e tenho-me mantido afastado (e mascarado) da doentinha. Temos, ao que parece até quinta ou sexta feira pois afigura-se que o ataque insidioso do vírus maléfico terá terminado por essa altura com, espera, vitória clara da resistente CG que entretanto me jurou que passara uma noite horrível. 

Apiedei-me dela mas pouco ou nada posso fazer  exceptuando os recados, o ir buscar almoço, tratar das coisas até a empregada poder regressar. E esperar, com alguma ansiedade, sair incólume desta emergência.  Convenhamos que ando a tentar passar por entre os pingos da chuva mas, que diabo, tenho uma fezada que ao  vírus  não lhe apeteça esta carcaça  antiga e desinteressante. 

Mesmo vacinado (e à espera da quarta dose que chega daqui a dias e já me apanha pronto para mais uma picadela) não me alegra a hipótese de também eu ser pasto do maldito bicho mau. E julgo que neste caso não devo sentir-me solidário com os contagiados e pronto a sacrificar-me. Passo bem sem o vírus e, com sorte, ele passará bem sem mim. 

Mas que isto, o ataque à cara metade, mulher prudentíssima e que usou de todas as defesas possíveis para não ser infectada, parece mesmo enquadrar-se numa “inútil precaução” não me restam dúvidas. 

Com sorte, (como no finale dessa belíssima ópera do genial Rossini) poderemos daqui a uma semana cantar

 

Amore e fede etera

Si vegga in voi regnar

 

E já que estamos com a mão na massa rossiniana aqui me despeço

Pace e gioia sia con voi