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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

au bonheur des dames 538

d'oliveira, 26.10.22

 

 

 

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Há opiniões mas também aparecem “opiniães”

mcr, 26-10-22

 

 

quando se ventilou a hipótese de Rishi Sunak poder vir a ser  Primeiro Ministro, afirmei no meu pequeno círculo de conversas matutinas à volta das primeiras bicas do dia que a cor dele, a sua religião e origem só seriam temas de aprovação caso ele fosse trabalhista.

Um conservador de origem indiana, de religião hindu e conservador seria sempre considerado uma aberração (ou meso uma provocação)  das forças reacionárias. Pelo menos aos olhos de uma certa inteligentsia  muito estilo nomenclatura da saudosa época soviética que poderá ter desaparecido em certos sítios mas se mantém viçosa no torrãozinho de açúcar onde o marxismo tendência esparvoada é de regra. 

E, pimba!, ainda o galo não cantara três vezes e as luminárias do costume saíram em alta grita nos redutos onde se acoitam: 

“sunac não representa a imigração, as minorias étnicas, a cultura do elevador social, é rico, podre de rico e não passa de mais um vicioso representante da patrulha defensora do grande capital e dos mais obscuros interesses de uma Inglaterra imperial”. 

No meio desta vociferante acusação, as boas almas defensoras do proletariado, dos amanhãs que cantam, do direito à indignação, do progressismo a todo o vapor  e mais alguns mitos maiores ou menores em circulação (desculpa lá Cesariny o roubo mas provavelmente eles/elas nunca te leram nem te lerão pelo que isto nem sequer chega as ser margaritas ante porcos se é que citar Mateus será mais fácil e sobretudo mais piedoso) que mais não do que a versão caricatural de um marxismo à moda sul-americana e traduzido em calão. 

Fosse a criatura do Labour e outro galo lhe cantaria, choveriam os elogios, ninguém esconderia o seu percurso académico (Oxford e Stanford) ou os elogios recebidos pelo seu percurso ministerial. 

O diabo é que Sunac é conservador. Menos, seguramente, muito menos do que o senhor Modi mas esse está lá longe na Índia e é amigo da Rússia actual. 

Wu não sou exactamente um admirador da Grã Bretanha, dos seus políticos mas sou forçado a reconhecer que são os tories a trazer para a política mulheres (e já foram duas as primeiras ministras) judeus, e lá vai mais um, ou membros das minorias  onde também é a primeira vez. De resto a alta administração britânica está cheia de “gente de cor” (!!!) e boa parte dessa rapaziada vem dos meios conservadores e são fruto do elevador social à moda britânica. 

Mesmo em Portugal, no Portugal democrático, os primeiros políticos de origem indiana apareceram no CDS (Narana Coissoró)  e só mais tarde começaram a aparecer timidamente, descendentes de imigrantes africanos. Também é verdade que, por cá, o peso destas minorias  é muito menos do que na Grã Bretanha ou na França que atraíram desde cedo milhões de colonizados que, pouco a pouco, foram aparecendo nos parlamentos e nos gabinetes ministeriais. 

De todo o modo,  percebe-se a razão do caviloso ataque a Sunak. As comunidades imigrantes costumam ser alvo de toda a espécie de destratamento. Normalmente, os seus membros são gente fugida à fome, à miséria e /ou de perseguições étnicas, religiodas, políticas  ou simplesmente de guerras civis. Genericamente, chgam ao país que eventualmente os recebecom uma mão atrás e outra à frente. Isto para não referir que quem imigra tem fracos recursos, escassa educação escolar e por isso está condenado  aos piores e mais mal pagos trabalhos. Tudo leva os imigrantes ao ghetto e por isso este converte-se numa fonte de ressentimento gerado pela pobreza e pela comparação com a população residente e natural do país. 

Aseeim sendo, há alguma Esquerda que entende que estas zonas de clara exclusão social, política e económic são viveiros de futiros revoltados, ou mesm ode revolucionários. Se, porventura as coisas são diferentes só pode tratar-se de lumpen proletariado, vendido ao capital e cão de guarda da burguesia.

À falta de revolucionários autóctones, tenta-se mobilizar a periferia mesmo sabendo-se que, esta periferia apenas quer uma parte do bl e não outra sociedade. 

O sonho dos pobres não é a radiosa revolução de Xi jJInping, ou do rapazola da Coreia. É um modesto mas digno conforto burguês que de resto é auferido, s mais das vezes pelos radicais da esquerda chique e extra-parlamentar que, paradoxalmente nunca são oriundos das classes ditas laboriosas mas sobretudo da pequena e média burguesia urbana (não vale a pena referir que os grandes líderes históricos das revoluções pensadas ou concluídas nos sec. XIX e XX vem todos, em excepção relevante da pequena e média burguesia (ou da aristocracia no caso de alguns pensadores utópicos e de outros tantos anarquistas russos).O que se pede ao proletariado, onde ele ainda existe, é que seja a tropa de choque da Revolução e não a sua classe dirigente!

É clao que há ou havia a velha classificação de (ou atribuída a ) Gramsci entre origem de clsse, situaçãoo de classe e posição de classe. Graças a esse malabarismo teórico um jovem nascido na burguesia, educado nas escolas q que os filhos dos trabalhadores não chegavam, podia afirmar que não sendo de origem proletária, não vivendo dentro dos difíceis padrões da vida do proletário, poderiamiraculosamente sentir-se um proletário, e ser por isso um candidato a dirigente revolucionário. Os exemplos abundam mesmo em Portugal 

As habituais revolucionarias com tabuleta nos jornais de referência  não compreendem isto e por isso esganiçam-se contra os Sunaks venham eles donde vierem tenham eles a cor que tiverem ou  a fé que ostentam. Nem esperam pelos actos. “São pretos ao serviço dos ricaços” e isso basta-lhes.

*na vinheta: celebrações do novo ano hindu