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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

au bonheur des dames 551

d'oliveira, 03.12.22

Faz falta um Eusébio

mcr, 3-12-22

 

Não sou um amante de futebol, menos ainda de bancada ou de televisão. Bastam-me os resumos com os golos para ficar informado e nunca, por nunca, me senti diminuído quando a “selecção de n´s todos” sai derrotada.

Não pretendo fazer ciência futebolística mas creio que as prestações em que Portugal venceu sofridamente mostraram os limites da “melhor selecção de sempre” e o ocaso de Ronaldo  que todavia tem ao seu dispor um contrato de 200 milhões anuais pagos com petróleo e evidente escassez de direitos humanos, mormente os da mulher. 

Não serei quem o condene se aceitar pois o cacauzinho é sempre bem vindo pois convém acautelar a velhice. E de nada vale dizer-se que a criatura já está cheia de dinheiro pois este, em certas mãos escorre implacavelmente, volatiliza-se, sei lá que mais coisas estranhas. 

Este terceiro jogo com a Coreia parecia ser coisa pouca e, de facto foi mas par nós. Afundámos perante um equipa que seria notoriamente inferior. Uma tira do Bartoon (Público) bem avisava que a tarefa da ministra que foi substituir costa ia ser pesada. Foi pesadíssima mesmo se a governante nada tenha feito para isso. Ou melhor l´s foi fazer a triste figura das autoridades portuguesas que correram a esmo para aquele deserto das arábias na mira de apanhar votos e simpatia da população. Nem isso nem especial defesa de direitos humanos mais do que espezinhados no Alentejo. Dantes eram os alentejanos que comiam pela medida grande, agora, que há poucos, apareceram os imigrantes que são ainda mais mal tratados. Pelos vistos há poucas lições a dar aos cataris...

Entretanto, apesar de tantos anos passados, recordei-me de um jogo Portugal- Coreia do Norte no campeonato do mundo de 1964.

Assisti a esse jogo no café Mandarim (“kremlin”) à praça da Republica (“Praça Vermelha”) em Coimbra. 

Aquilo foi uma provação tremenda pois o norte-coreanos em poucos minutos enfiaram-nos três golos a secas. Alcácer Quibir em perspectiva! E depois... Eusébio apareceu. Quatro batatolinas no coiro dos coreanos e mais outro golo já não sei de quem:  5-3 e Portugal foi às meias finais. Um terceiro honrosíssimo lugar quando ninguém dava nada por nós! 

Eusébio nunca foi crismado de “o melhor do mundo” nem ganhou fortunas impensáveis. Era humilde e bem disposto e não se armava em bom. Nem amuava... Nenhum alto cargo político português foi  Londres armado de cachecol e bandeirinha. O poder da altura não precisava da unção futebolística para ganhar eleições vencidas à nascença nem para angariar simpatias. 

Pelos vistos terá sido a única vez que vencemos a Coreia comunista que não sei se voltou ao futebol internacional. Com a Coreia do Sul também, mesmo democrata e liberal, não temos a mesma sorte. Chego a ter pna da senhora ministra que graças a uma (in)oportuna doença de Costa lá foi dar o frágil corpinho às balas. Costa todos o sabemos também um “feeling” político notório. Livrou-se daquela humilhação e já prometeu ir nos quartos de final no caso de estar livre de maleitas, mas o inverno é traiçoeiro e ainda falta algum caminho. Até lá folgam as costas... 

A “equipa de nós todos” fez até ao momento jogos desinteressantes e futebol de escassa beleza ou qualidade. Até o treinador, disse num desabafo infeliz mas justo que “ganhámos que é o que interessa”! Não é mas acaba por ser. 

E no Qatar vale tudo pelos vistos.