au bonheur des dames 612
Os educadores do povo
(e dos automobilistas)
mcr, 31-1-24
No texto anterior ficou por dizer algo que parece evidente: há nos cavalheiros do metrobus e nas pessoas que os apoiam uma clara sanha ao uso do automóvel. Na falta de condiçoes de circulação decentes (e o estreitamento das faixas de rodagem das avenidas do Marechal Gomes da Costa e da Boavista, bem como as modificações já visíveis nos acessos a esta última não garantem uma melhoria como seria previsível em obras desta dimensão e ambição)poderá pensar-se que há uma deliberada má vontade contra o automóvel.
Percebe-se que haja quem julgue o transporte individual o suprassumo do progresso ambiental. Seria bom recordar o transporte marítimo, os aviões, o fabrico de toda a espécie de produtos industriais e, sobretudo, valeria a pena lembrar que o mundo é um só e sem o acordo de mais de metade do mundo (refiro apenas a China, a Índia e toda a África, sem esquecer a Rússia e seu imenso território). Isto não significa que se advogue a inacção mas apenas que neste tipo de obras públicas o bom senso é essencial.
Em tempos que já lá vão o pais assistiu divertido e surpreendido ao aparecimento de um "grande educador do proletariado" indígena , numa das inúmeras capelinhas políticas da extrema Esquerda. Nem o MRPP nem o seu líder, Arnaldo de Matos (o "educador em questão) perceberam o ridículo desta fantasiosa imitação do pior que a Revolução Cultural (aliás "grande revolução cultural e proletária)chinesa produziu.
Obviamente não quero misturar alhos com bugalhos nem sequer comparar os ideólogos das obras do metrobus com as aberrantes denominações políticas mencionadas. Por duas razões: o metrobus é dirigido por uma série de cavalheiros solidamente burgueses e de boys que aí tirocinam para mais altos voos. A segunra é evidente: Arnaldo de Natos que conheci razoavelmente era alguém inteligente mas devorado pela paixão política. Não queria eliminar os automóveis das ruas mas apenas levar os seus utentes aos cumes da revolução utópica que o fintou toda a vida.
Os metrobuseiros devem acreditar piamente que ao tornar mais dificila circulação automóvel, tornam os portuenses mais felizes mesmo se esta experiência em curso vá sobretudo atingir duas zobs de classe alta e nuito alta. E, bo que toca a população, aqui a percentagem atingida é mínima pelo menso nos dois eixos principais onde se desenrolará a aventura do novo meio de transporte.
Há neste género de tentativas uma odeia subjacente que é a de "educar" o indigenato local, a populaça. A coisa já foi visível com as leis do taco e da sua venda que, espantosamente, atingiam sobretudo as gentes do interior .Proibir a venda de cigarros nos cafés, ultimos redutos de povoações que viram fugir serviços públicos de toda a espécie, que não estão junto de tabacarias (uma miragem) nem de estações de serviço onde a venda de tabaco e a de álcool são permitidas!!
Suponho que na mente evangélica da ministra que se lembrou de tal lei estava a imagem horrenda dos malefícios do tabaco (malefícios mesmo e não da peça de Tchekov, personagem de que a senhora nunca terá ouvido falar) e a bondosa ideia de nos salvar dessas atrocidades.
De quando em quando o Governo (os governos na generalidade) lembra-se da sua missão de pastorear a grei e toma lá disto. Mais uma lei para nos salvar do inferno. Os fumadores (de que, com infinita saudade, já não faço parte vai para quase trinta anos) não tem sequer direito a uma salinha de chuto na aldeia perdida entre montes e vales.
E só ainda andam de automóvel porque depois de uma lei imbecil e salvífica do do clima o Governo caiu e para não enfrentar um milhão de proprietários de carros velhos voltou atrás mandando os seus títeres parlamentares anular a medida.
Dirão que sou um incrédulo mas aposto um contra dez em como os passeios alargados irão servir de estacionamento aos carros . De certo modo, será um progresso porquanto sempre que subo ou desço a Avenida estão muito carros estacionados em dupla fila, há camiões sempre a descarregar material diverso, os táxis param onde lhes dá na mona para deixar um passageiro e se alguém reclama berram que estão a trabalhar. E isso, essa má criação continuará a existir.
O grande educador da classe operária já morreu, o seu partido está em morte cerebral desde há muito, o proletariado continua a ouvir embevecido as sereias da "reacção" e a sonhar com um totoloto que o livre da sua triste condição e noutros pequenos partidos exóticos continua a tentação de educar as massas que, indóceis e réprobas votam nos partidos tradicionais ou caem na abstenção. Nos sítios destinados à educação faltam meios, professores, instalações decentes e as famílias desesperam. mas isso já não é novidade apenas o país que temos.
apêndice que nada (ou tudo?)em a ver: as contas públicas de 2023 fecharam com um saldo inesperado de 4.700 milhões de euros. 12% a mais do que o Orçamento previa. Pergunta-se se os autores do mais importante documento político anual são incompetentes, erram contas ou foram apenas traídos por quem devia executar o Orçamento. 12% não é uma surpresa maravilhosa. É uma brutalidade. Saia um educador ou um explicador de matemática para esta gente. Depressa!