Diário Político 200
Esta criatura não sabe o que diz
Nunca tive boa opinião de Seguro. O rapaz é fraco, fraquinho e só as alucinações da derrota justificadíssima de Sócrates é que podem ter levado os militantes do PS a alcandorá-lo a Secretário Geral.
Isso e a certeza reconhecida de que os líderes da Oposição só servem para atravessar o deserto. Aproximando-se a hora da verdade, o partido (seja ele qual for) entra em convulsão, defenestra o pastor que o guiara até ali e escolhe alguém com mais carisma, mais força e mais inteligência para tentar a sua sorte nas eleições.
Seguro, ou Tó Zé, como parece gostar de ser tratado, passeou a sua inexistente capacidade política pelo PS socrático, mudo e quedo como um penedo. Daquela boquinha austeramente fechada nem uma palavra saía. Só um bocejo. Aliás três: um dele e dois de cada um de nós.
Durante os primeiros dois anos de “oposição”, só o ouvimos dizer não sem nunca, mas nunca, explicar porquê, como é que faria, se é que faria.
Depois inventou um rol de piedosas declarações que Costa, magnânimo, reduziu a seis e meia. Nem isso, em boa verdade: são quatro e já implícitas em declarações políticas vindas de vários quadrantes.
Quando ouviu Costa reduzir a tão exígua porção o seu estafado brilharete, ei-lo que proclamou que o adversário apoucava “contributos de milhares de pessoas”. Parecia um responsável comunista de segunda linha a cumprir a cassete habitual dos relatórios preliminares a congressos. Por aquela banda, há sempre milhares de contributos, de grande valia, que vão sendo peneirados graças ao centralismo democrático até se chegar à “linha justa” e geral. Seguro que nunca deve ter sequer pensado no PC (e que bem que lhe faria, apesar de tudo) achou que com isto calava a objecção de Costa. Não calou apesar da choraminguice que usa.
Finalmente, e para não gastar mais cera com tão ruim defunto, fiquemo-nos por aquele grito de alma: No caso de ter de aumentar impostos, demitir-se-ia! Isto, caros leitores, brada aos céus e, mais ainda aos infernos. Em que país vive a criatura, que espera ela dos eleitores, que força lhes transmite, que esperança?
Nenhum candidato a candidato (outra supina cretinice!...) a Primeiro Ministro pode dar-se a este luxo. Sabe lá ele, Seguro, como será a próxima legislatura, o próximo Governo, o mundo, a Europa e Portugal, já agora... Um Primeiro Ministro, todos os PMs, não gosta de aumentar impostos, sequer de manter os existentes. Se pudesse, o dr Coelho teria diminuído impostos, taxas, derramas, muitas tudo. Teria oferecido bacalhau a pataco, canecas de cerveja ao preço de finos, com tremoços e camarões incluídos. Só que..., só que o mundo é o que é e não aquilo que candidamente Seguro quer.
Se por fatal desgraça, ele vier a governar este desgraçado país e esta sofrida gente, é perfeitamente provável que algum imposto terá de aumentar para cumprir apenas metade das promessas que já fez e pagar a anulação de cortes nas despesas praticadas pelo actual Governo.
Nesse caso, o homenzinho demite-se! Demite-se, vejam bem. E precipita o poáis numa nova crise de governabilidade, em mais tempo perdido, enfim, naufraga clamorosamente depois de ter deitado fora o cinto de salvação.
E nós, com ele!
Mal por mal, antes os jihadistas do Califado: matam mais depressa!
d'Oliveira fecit, 11.9.2014

