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Incursões

Instância de Retemperação.

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diário político 211

d'oliveira, 03.11.20

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Reflexões inoportunas

d’ Oliveira fecit 3-11-2020

 

 

Reina o desnorte no partido socialista.

Agora é a geringonça açoriana que leva a porta voz do PS a levantar profundos e clamorosos gritos de indignação pelo que, eventualmente, possa suceder nos Açores. Esta nova émula da Pasionaria (sem o fulgor nem a inteligência da espanhola, diga-se) acusa o PPD do “horrível” crime de lesa democracia por tentar governar o arquipélago com a cumplicidade do Chega

A pobre senhora não conhece a história recente e, sobretudo, o resultado infrutífero das chamadas cercas sanitárias políticas. Bastar-lhe-ia ir ver o que sucedeu em França onde só por uma vez e por milagre a teoria da “cerca” conseguiu eleger Jacques Chirac contra um dos elementos Hean Marie Le Pen.

E essa vitória deve-se a Chirac apenas. Fosse o candidato de Esquerda e teria perdido sem apelo nem agravo como a história também recente da mesmíssima França demonstrou com a estrondosa derrota de Jospin perante o mesmo Le Pen na 1ª volta dessas eleições (um terceiro lugar na primeira volta).

A Direita derrota-se com argumentos claros, sólidos, perceptíveis pelos eleitores sem recurso à tralha ideológica que, no caso do PS actual, é uma confusão total que permite os Galambas, os Pedros Nunos, as Anas Gomes, as Isabel Moreira misturadas com um mais forte grupo conservador que em pouco ou nada se distingue da ala conservadora do PPD.

Se alguém quiser ir pelos motivos de adesão popular ao Chega pode começar por verificar onde é que este agrupamento de ideologia confusa e populista vai ganhando espaço e votos. E não é na baixa classe média, zona de pesca do PS do CDS e do PSD mas sim nos subúrbios mais populares e mais desfavorecidos. O mesmo aliás, mas em maior escala, se verificou noutras latitudes. Mai uma vez a França serve de exemplo: onde o PC perdeu força a Direita avançou. Nao vale a pena perguntar pelo PS francês que vegeta no fim da tabela ao lado de um ex-ps esquerdista mas inócio chefiado por um senhor Melenchon cuja principal marca de “esquerda” é ou era um cachecol vermelho.

Por outro lado, para governar, o PS de Costa mendigou os votos do PC e do BE que durante meses e anos lhe chamaram tudo e mais alguma coisa. Como agora, aliás, o BE faz.

O PS português vive da herança de Mário Soares, mesmo que a chama deste não se tenha perpetuado nos seus actuais dirigentes.

Governaram em tempo de vacas gordas e, agora, com a pandemia ea falta de estratégia (e também de táctica) andam “ó tio, ó tio”. Tiveram um fim de Primavera e um inteiro Verão para preparar o país para esta alegada segunda vaga” e o resultado é o que se vê. Desnorte, ameaças, proibições que depois se retiram, para não falar no desesperado pedido de boleia ao Presidente da República e nos acordos que eventualmente assinarão, pela calada, com o PC. Neste momento o S de PS só quer significar “sobrevivência” a todo o custo.

O problema é porém outro. Ou, por outras palavras: e nós? E nós, os paisanos, como é que vamos sobreviver ao vírus, à crise, à indecisão, às medidas avulsas, e, sobretudo, à polícia que nos vai vigiar a máscara mesmo – já se sabe – onde não se vir viva alma num raio de cem metros?

Devo dizer, sem amargura mas sem orgulho de qualquer espécie que, durante todos estes anos o meu pobre voto se refugiou neste saco de gatos que o PS cada vez mais é. Quando achei isso insuportável migrei para o voto branco. Não frequento a Direita, mesmo a civilizada e sinto-me demasiado europeu para confiar o voto a um partido que odeia a Europa ou a outro que aposta tudo nas medidas fracturantes mas não faz a mínima ideia do que é a Economia. Eu, para o peditório dos rapazinhos e raparigas pequeno-burguesas não dou.

Nisso, fixei bem a lição de Lenin que sobre o esquerdismo escreveu que chegasse. Logo ele, que agitou incansavelmente a bandeira radical perante os partidos “social-patriotas” e que, no golpe de outubro, liquidou os sovietes. . Mas do percurso sinuoso do homem que ajudou Stalin, se serviu de Trotsky, inventou a “Tcheka” e a NEP, perseguiu anarquistas e socialistas revolucionários caiu vítima de um atentado destes e está mumificado no muro do Kremlin como a “santinha da ladeira” poderia estar se os seus devotos tivessem os meios faraónicos que os seus fieis (e menos fieis) gastam para o manter tão fresquinho num monumento lúgubre que, actualmente, serve de pano de fundo para noivos e noivas imortalizarem o nó.

Enquanto a senhora porta voz do PS acusa os apoiantes de Rio, vão morrendo às dezenas e diariamente os velhos, os pobres os relegados para o vagão jota da Democracia.

E Ventura lá vai amealhando votos...