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Incursões

Instância de Retemperação.

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diário político 232

d'oliveira, 19.12.20

Da responsabilidade e dos perigos de a alargar excessivamente

d’Oliveira fecit 19 de Dezembro

A responsabilidade, contudo, não acaba na directora do SEF ou no ministro. Vai até ao primeiro-ministro e ao Presidente da República. Vai até ao Parlamento e aos partidos. E vai até cada um de nós enquanto cidadãos. Quantos, políticos e cidadãos, se indignaram ao longo destes longos meses com o caso? Nem as redes sociais fizeram grande eco... O meu camarada JCP publicou um útil post sobre a vergonha do aeroporto. O excerto com que abro este meu comentário é, quanto a mim, interessante, provocatório mas perigoso. Quando algo de repelente sucede, há que buscar os seus agentes. É evidente que, neste caso, tudo se desmoronou no exacto momento em que houve uma tentativa, canhestra aliás, de falsificar os dados. Todavia, rapidamente, se começaram a conhecer os contornos sinistros do crime. Nessa altura, a primeira reacção de quem mandava no SEF seria não só mandar fazer um rigososo e rápido inquérito, suspender os elementos criminosos já conhecidos, contactar com urgência os familiares da vítima e pedir responsabilidades a quem de direito. No caso, a directora do SEF. Era imperioso apresentar ao ministro a sua demissão que poderia até não ser aceite. Isso não ocorreu. Aqui entra a responsabilidade do Ministro: a extraordinária atitude da Directora só poderia levar a um resultado: demissão. Isso não ocorreu. A inacção do Ministro durante tantos meses mereceria uma conversa de pé de orelha com o 1º Ministro. Houve? Até agora, tudo leva a crer que não. Mesmo assim, e os leitores sabem que não sou meigo, uma medida de demissão contra o Ministro parecia eventualmente demasiada. Só começou a parecer mais grave, depois de se verificar que o Ministro não só não fazia nada mais que os mínimos mas sobretudo nem esses cumpria. A saber um contacto com a família da vítima e medidas contra a Direcção do SEF. Depois da conferencia de imprensa do Ministro, das palavras de Costa, começa a fazer sentido a crítica ao Governo. Porem, no caso do Presidente da República . onde já vamos! – já começa a sentir-se algum exagero de JCP. Claro que o dr Rebelo de Sousa, tem o hábito de intervir superlativamente a propósito de tudo e de nada. Por isso o seu silêncio foi difícil de aceitar. Mas daí até ima assunção de culpa .... E o parlamento? Teria ficado bm alguma reacção. Tanto mais que há parlamentares que não perdem ocasião. Ah, se Ihor fosse negro!... Não era. E assim os anti-racistas sempre alerta não se mexeram. O ucraniano era branco, loiro, europeu e isso não entra nas categorias a proteger nesse novo canon da indignação por medida. Tamvém aqui atirar sobre o parlamento parece excessivo. Não que não ficasse bem um pedido de esclarecimentos, um comentário mas não podemos alargar tanto a rede de culpados, de respomsáveis, de cúmplices. E no que toca aos cidadãos, aos nove/dez milhões de cidadãos começa a raiar o exagero. E houve, JCP dab, houve muitos cidadãos que, logo que começaram a informar-se, começaram a protestar. Aliás, foi essa pressão cidadã repercutida por vários jornais que desencadeou, que obrigou os responsáveis directos a sair da toca. Foram os protestos cidadãos que demitiram a criatura do SEF. Foram os protestos cidadãos que alargaram o âmbito dos inquéritos. São os protestos cidadãos que dão coragem ao aparecimento de novas queixas, que esbatem o medo de muitos que foram maltratados pelos torcionários do SEF. E começa a tornar-se evidente que as maçãs podres nessa polícia são muitas mais do que os três acusados e meia dúzia de cúmplice. E, finalmente, é bom não esquecer que este crime ocorreu durante o decurso de um gigantesco desastre que tocou e toca todos. Entre a angustia da infecção, o medo do desemprego, o desconhecimento sobre o futuro, os portugueses talvez não tenham dado ao acontecimento toda a atenção que ele merecia. Daí até à culpa colectiva, à responsabilidade vai um passo de gigante que me recuso a dar. Uma culpa colectiva, dilui as culpas individuais e isso poderia conduzir à desculpa oi à indiferença. E JCP decerto que não quer isso, bem pelo contrário pois escreveu este texto que comento agora. Foi excessivo o que não esconde a generosidade. E pede reflexão o que, nos tempos que correm, é essencial Agora é tempo de julgar, de castigar, de reformar o que é reformável e de garantir que nunca, mas nunca, mais nos envergonharemos colectivamente. E isso requer os culpados objectivos e só esses. Quanto aos outros, e especialmente o Ministro começo a desconfiar que não vale a pena. Ele ainda não percebeu. Quanto ao 1º Ministro também ainda não distinguiu exactamente quais as fronteiras entre a política e a amizade.

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