Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 1020

d'oliveira, 22.10.25

 

Nascido para a liberdade, vivendo-a  e lutando sempre por ela

(Frncisco Pinto Balsemão)

mcr, 22-10-25

Com a morte de Francisco Pnto Balsemão  encerra-se definitivamente a geração dos fundadores da democracia portuguesa tal qual a conhecemos e tal qual a gozamos.

E ao falar de democracia não me refiro apenas ao período inaugurado no 25 de Abril com o golpr militar . Vou uns anos atrás, mais exactamente a 1969, dará em que houve uma tentativa de certo modo arriscada de modificar o status quo poitico. De facto,  a União Nacional entendeu manter o régie modificando-lhe alguns aspectos , renovando timdaente o seu pessoal político e ensaiando uma vaga modernizaçãoo que peservando o essencial, tornasse, no possível mais atraente ou menos repulsiva a situaçãoo gerada pelo Estado Novo que se mostrava francamente esgotado.

Não era só a guerra colonial  que, de todo o modo, embora não ganha aparentava não estar perdida. (peço que meditem na minha plavra “aparentava”). . Havia uma crescente preocupação com  os movimentos estudantis que desde 62 – ou até antes, luta contra o decreto 40900, finais de cinquenta; para além do esforço mitar que significava ter, no mínimo cem mil homens jovens em armas, o país assistia auma emigração galopante que nualment  mobilizava um igual número de portugueses, na maioria homens com o sem o serviço militar feito. Sáo tambºem estes os anos do começo do afluxo turisitico  que, quizessm as autoridades ou não, modificava hábitos e costumes. É igualmente a época da entrada maaciça  de mulheres na vida fabril , da fuga do campo e do interior. Por mais cautelas que se tomassem, a Europa entrava nas casas (mesmo poucas mas também nos cafés e locais de reunião, pela janela da televisãoo. Os emigrantes que vinham passar férias traziam também eles notícias de sociedades ricas felizes e em paz.

Não admira pois, que, a União Nacional, rebaptizada, Acção Nacional Popular, sentisse o vento e tentasse passar a mensagem de renovação mesmo que “na continuidade”. 

Em 1969, a crise de Coimbra , mesmo não mobilizando completamente as duas restantes cidades universitárias vinha provar que uma revolta juvenil podia ser bem sucedida  e um par de autoridades universitárias e um Ministro podiam ser derrotadod. 

Nas eleições de 1969, a Oposição, entendeu ir à luta até ao fim. Não se tratava de pensar num vitória mas esse esforço tinha dois objectivos, mostrar que o medo  poia ser vrnc e, paralelamente lançar as bases de uma oposição também la renovada e ambiciosa.

Sou testemunha disso por variadas razões, activista e dirigente estudantil, e membro igualmente activo da oposição política onde acabei porme tornar fiscal às urnas na freguesia dos Olivais Coimbra.

Na altura, não dei demasiada importância ao aparecimente de uma dúzia de candidatosdo regime que desde o primeiro dia destoaram do resto das forças representadas na Assembleia Nacional. 

Essa dúzia de vozes discordantes rapidamente se tornaram conhecidas. Não vou, agora, mentir e dizer que lhes dávamos grande importância mesmo se se reconhecesse que aquele fenómeno, ampliado pela gritaria do ´ultimo quadrado de fieis de Salazar  que uivava escandalizado e enfurecido peranye algumas tímidas críticas ao regime. A “ala liberal”,  de que Balsemão fazia parte, atrevia-se, repontava, quase acusava e a histeria dos defensores do culto salazarista crescia, transbordavs, aparecia (mesmo que censurada!) nos jornais  mais liberais (entre todos a Republica e o Diário de Lisboa)

Continuando este claro testemunho de uma juventude que desapareceu, a ala libral, não tinha o nosso apoio mas  permitia-nos falar de “contradições” dentro do regime, um pouco na esyeira do ue se passa em Espanha com a ala tecnocrata que ia penentrando no governo franquista. 

Usei a palavra “contradições” que, na época estava muito na moda sobretudo entre pequeno número de progressistas e marxistas.

Convenhamos que, a imprensa internacional, alertada pelas guerras de África, não perdia pitada  destas pequenas escaramças no seio do regime.

Obviamente, como nós, de resto, esperávamos, o abcesso  durou pouco tempo. Os liberais saíram pratiamente todos do parlamento e em 73 já não se falou em recrutar críticos de qualquer espécie  para tornar menos irrespirável o ar da Assembleia. 

E é justamente em 197 que surge nas bancas i “Expresso”, jornal que leio desde o primeiro número. E quando digo que o procurei e comprei não estou a significar que deixei o Diario de Lisbos, “O comercio do Funchal” onde colaborei . Apenas o untei ao “Le Monde”, ao “L’Express” |a excelente revista espanhola “Triunfo” e amais alguns títulos de índole jornalístico cultural mas sempre politicamente empenhados

E láestava o Balsemão como primeiro directoe e fundador de um jornal que, mais de cinquenta anos depois, faz parte da minharespiração informativa semanal.

Depois, cveio o 25 A e a criação do PPD. E láestam Sá Carneiro, Magalhães Mota e Balsemão. O PPD não foi, não é, da minhafamília política mas passados estes cinquenta anos não lhe retiro dignidade política. Tenho (mais correctamente: tinha) amigos, bastantes, naquelas fileiras como também os tenho ou tinha nas trincheiras comunistas. A discirdância política não apaga amizades antiquíssimas, lutas comuns, momentos de aflição e solirariedade  que foram muitos e por vezes muito duros e sofridos

E recordo como se fosse hoje, uma provável inventada anedota sobre Balsemão que punha em cena Sá Carneiro e Vasco Pulido Valente, duas pessoas que conheci mas que ninca foram amigos meus. A coisa passa-se durante a formsç~so de um governo em que Sá Carneiro  convidava Pulido Valente para o elenco governativo. Ao convite, VPV teria dito que sim desde que lhe fosse dado um lugar igual ao de Balsemão. Intrigado Sá Carneiro perguntou-lhe a que se referi e Vasco respondeu, “Mulher bonit, tio rico e Porsche à porta!”

Provavelmentem a historieta é falsa mas dá um certo toque aquilo que muitos (e invejosos) tinham contra Balsemão alguém “bem nascido. Simpático masbeneficiando à partida de vantagens para que não contribuira-

Antes esta historieta que talvez nem seja tão malévola quanto a pinto, e bem menos achincalhante do que o famoso “lélé da cuca” apodo injusto, ingrato, maldoso   e indigno  com que foi descrito um homem que assumia funções políticas no Governo. E que deixa, nesse cargo, o rato de uma revisão constitucional , democtrática, corajosa que definitivamente consagrou a democracia portuguesa libertando-a de uma ganga revolucionária  e tutelada por militares.  O político Balsemão usou da mesma liberdade e da mesma corgem que o membro da ala liberal e o jornalista em tempos difíceis souberam usar

Depois, e apesar de tentarem criar-lhe a fama de menino bm eis que Blsemão foi lents, cuidadosa e brilhantemente construindo um império de comunicação social  que não tm parlelo na história democrática portuguesa.   A SIC e as suas diferentes estções são hoje mesmo com defeitos  do melhor que se faz em Portugl. O Expresso é um jornal onde os jornalistas tem uma liberdade invejável  e sem muitos exemplos no resto da imprensa escrita.

Durante estes cinquenta e tal anos, fui assistindo a uma pequena série de milagres,  jornalsitcos e não só, atrvés dos quais sempre se vislumbrava a sombra amável e digna de um homem que  manteve até ao fim um absoluto respeito pela sua liberdade e sobretudo pela liberdade dos outros

Amanhã vai aenterrar alguém que, noutros temos, se chamaria um “homem bom”. 

E “homens bons deste calibre são raros , muito raros.

Cada vez mais raros... 

 

(nota: há muito anos publiquei num suplemento do “Expresso” uma meia dúzia de crónicas. Como já sucedera com a revista Vértice, nos anos dificieis, com “O Comércio do Funchal “ (idem)  e com  O Jornal” consideri que ao me darem aguarida me honraram mais do que eventualmente mereço. E isso foi suficiente  para mim.)