estes dias que passam 1025
25 N para todos os paladares
mcr, 25-11-25
esA data é quase uma capicua mas pouco passa disso.Tenho lido (e ouvido) demasiadas opiniões sobre o que há 50 anos ocorreu.
Em boa verdade, a grande maioria dos opinantes era demaiado novo naquela época ou nem sequer tinha nascido. Também, a grande maioria fala ou escreve (e provavelmente vive e sempre viveu) fesde Lisboa. Não quero afirmar peremptoriamente que conhece mal ou desconhece o resto do país mas tenho fortes, fortíssimas suspeitas que julgam que o país é Lisboa e arredores e que io resto é mera paisagem.
Li com especial atenção e algum (bastnte) espanto as entrevistas de dois militares . De um lado um dos vencidos (Duran Clemente) de outro ou dos vencedores (Rodrigo de Sausa Casteo). O primeiro em duas páginas do Publico ultrapassa em muito o patético e e o absurdo na sua versão de “protecção da televisão” contra a famigerada direita radical.
Na altura foi patético mas hoje parece que é apenas pateta.
Sousa e Castro deixa uma pérola que mais parece das de cultura. Entende a ocasião como um ajuste de contas entre militares. Não digo que o não foi mas apenas que não foi só isso.
Em boa verdade, desde, pelo menos, a manifestação da Fonte Luminosa (que terá sido a maior e mais significativa manisfestação retintamente civil desse ano e de fui involuntária testemunha -saira do cinema Império à hora da concentração- e senti-me aturdido pela quantidade de gente que não parava de chegar) que se assistia a uma forte escalada de desacordo, provavelmente repúdio, pelas vicissitudes da “comuna” de Lisboa. Pouco antes tinha vindo a Lisboa para uma reunião que ocorreu com gente do GIS, saída do MES e o mínimo que aí ouvi foi de que se estava às portas de uma “nova versão do golpe de Praga” . A expressão era de Jorge Sampaio mas os restantes interlocutores não discordavam. A reunião ocorreu na casa do Zé Manel Galvão Teles. Eu fora convidado a sair da pacatez portuense para contribuir na análise da situação. Apenas me recordo de dizer que sem Benes e com um partido comunista que tivera mais ou menos 12% dos votos
não me parecia que um golpe a que chamei “de Lisboa” tivesse èxito. Mesmo que se lhes jutasse as votções do MDP/CDE (4%) do MES. UDP e PSP /menos de 3%) . O bloco PS. PPD e CDS ultrapassava os 71% e isso dizia muito (ou tudo) sobre as disposições do povo e mais ainda sobre a eventual reacção a uma intentona dita de Esquerda.
Não vou referir a existencia de focos agressivos mas mais que minoritários de Direitm sequer de uma pequenamultidão de párocos às ordens de um clérigo bracarense provavelmente do seu bispo enquanto outros membros da conferencia episcopal observavam interessados e complacentes a agitação do que já não era apenas uma minoria sediciosa. A “maria da fonte de 75” ia muito além dessa frentinha de Direita As sedes do PC e do MDP/CDE iam sendo destruídas sistematicamente e mesmo as de outros partidos de Esquerda sofriam ataques. Em Agisto evárias sedes doda OCMLP (o” grito do povo”) deixaram deestar defendidas, o seu recheio foi evacuafo porqu, diziam os militantes “não se luta contra o povo”. Aliás, em algumas localidades. militantes de extrema erquerda ajudaram a atacar as sedes rivais.
A mascarada ddas manifestações populares (que atingiu o clímax com o artificial aparecimento dos SUV que não passavam de um pequeno amontoado de criaturas a cumprir o serviço militar que na altura era um espectáculo risível e indisciplianado.
É verdade que nesse Verão de todos os prodífios se assistiu à criação da FUR (Frente de Unidade Revolucionáia que huntava o MES, a LCI a Luar o MDP/CDE o PRP e mis uns pequeníssimos e insignificantes gropúsculos) onde o pCP entrou imprudente e saiu rapidamente. , na
Por outro lado e como se viu a queda de Vasco Gonçalves (a quem tinha sido prometida uma “muralha de aço” fantasiosa), com um Verão quente que incendiava todo o norte e centro do país (mais de 60% da população), e depois do aparecimento das famosas “mocas” de Ro Maior, sem falar no realinhamento dos militares moderados, nas oscilações de Otelo e na conhecida distância da Marinha
As eleições para a Constituinte tinham tido um resultado expressivo. E isso terá sido decisivo para o grupo dos 9 e seus aliados
É de crer que, por muito voluntarismo que houvesse no PC e simpatizantes isso desse que pensar.
Já na altura se sabia do pouco (ou nenhum) entusiasmo da URSS por uma “cuba europeia.
Todavia, ainda nos meses que antecederam Novembro o cerco à S Bento e as manifestações sindicais correspondentes faziam prever o pior a pontos de o Governo ter pendsado transferir-se para o Norte, a exemplo daviação militar. Não era a guerra civil iminente mas por todo o lao se assistia ao espectáculo de partidos ou pelo menos de muitos militantes a armar-se como mais tarde se viu aquando da prisão de Edmundo Pedro, militante importante do PS a ser preso enquanto tentava deolver armas cedidas por militares.
Há ainda, e isso não terá causado especial espanto ou menos ainda indignação, quando foi conhecido o assalto (e sequente roubo de mil armas de guerra) em Beirolas. Pelos vistos, “essas armas estariam em bos mãos” expressão que é atribuída a Otelo Saraiva de Carvalho.
A ameaça de manifestações violentas ou quase insurrecionais não eram apenas ou “so fumaça” (Pinheiro de Azevedo dixit). O Governo levou a cabo uma greve que o mesmo Pinheiro de Azevedo defendeu afirmamdo que estava farto de ser cercado e sequestrado.
Poder-se-iam multiplicar os exemplos prenunciadores de enfrentamento civil violento. Basta ler a imprensa europeia de que apenas respigo uma capa do L’Espresso (Agodto de 75) que dizia (sic) Portogallo: colonello falce e martelo.
Convenhamos: a 25 de Novembro a Esquerda militar e os pequenos partidos seus aliados sofreram uma derrota definiyiva.
O PC também não deixou de ser derrotao pela sua política um pé dentro outro fora (Domingos Lopes dixit).
Não é improvável que alguma direita revanchista tenha sentido que o sonho de eliminar o PC não se concretizasse. Porém, no essencial saiu vitoriosa por muito que isso custe a alguns comentadores. Ao consolidar a democracia e ao fazer reressaar os militars à sua reserva pol´tica (mesmo persistindo o Conselho da Revolução) o golpe ou contra-golpe de 25-11-75 não é oo contrario do 25 A mas bem mais certo o seu corolário e mesmo a sua reafirmação.
Não houve guerra civil mas nunca antes ou depois nestes cinquenta anos passámos por uma ameaça tão semelhante.
O facto de MeloAntunes, a grandecabça pensante do grupo dos nove, ter declarado que o partido comunista não seria eliminado apenas vem constatar a sua derrota estratégica. Os subsequentes cinquenta anos tem demonstrado que a ameaça comunista foi devagar mas continuamente perdendo força e sobretudo foi reduzindo o partido às suas bases naturais de Lisboa ao Alentejo. Nunca tivera força substancial no Norte e no Centro mas a partir dessa data perdeu influência. O mesmo , de resto, sucedeu a todas as restantes forças de Esquerda como se comprova pelos resltados eleitorais tanto nas legislativas como nas autárquicas.
Houve organizações de Esquerda que desapareceram pura e simplesmente mas as restantes ou as reconvertidas não estão de boa saúde política . Provavelmente isso não é fruto direct0 do 25 N mas tão soda natural evolução do país eda democracia que se foi consolidando.
Quanto à famosa Direita que agora se apresenta sob as cores do Chega , seria bom verificar quais os territórios onde se tem impkantado e de como em muitos deles substituiu directamente partidos de Esquerda.
No dia25, entendi convidar um colega e amigo, companheiro daminha primeira prisão e de Coimbra para almoçar num restaurenate ( Ziriguidum, na Ribeira)onde se dizia que a Direita se eeunia. E lá fomos, ele com algum receio e eu com vontade de desafiar. De facto aquilo estava pejado de malta socialista ou do PSD. Estava na moda e comia-se razoavelmente. É provável que alguns dos almoçantes reparassem em nós mas fora um cumprimento do José Luís Nunes hosso contemporâneo em Coimbra e deputado do PS o almoço foi absolutamente pacífico. Entretanto nesse mesmo dia tivemos notícia que outros conhecidos e camaradeas de várias lutas se tinham clandestinizado ou, pelo menos, retirado para locais menos visíveis. Todavia ninguém os procurava ou sequer os acusava. Numa semana tudo tinha regressado a uma certa normalidade mesmo se uma cadeia portuense tivesse recebido vários “ hóspedes inesperados (obrigado Heirich Boll) que por lá se mantiveram um par de semanas. Eram vencidos do 25 N e çrovavelmente, já não me lembro, militares. Alguns meses depois, na eleiçãoo legislativa os mesmos três partidos PS, PPD e CDS averbavam 76 % dos votos, enquanto o PC atingia os 14& e a UDP com pouco mais de 1% elegia um deputado. Ou seja, mantinha-se praticamente idêntico o resultado de 75 (constituinte) sendo que ao PC se teriam juntado grande parte dos votos do agonizante MDP/CDE.
Se apenas olhássemos pararesultaos eleitorais poderia pensar-se que o 25 N não acontecera ou, então, que depois de um Verão violento e de um Outono escaldante tudo voltara à normalidade
E se levarmos a nossa observaçãoo um pouco mais longe, poder-se-á tentar dizer que a ”revoluçãoo portuguesa” seguiu as pisadas de muitas revoluções do sec XIX e que depois de 1910 e 1926 o país entrou num período de normalidade política que se espera (eu espero) se poderá manter por muitos e melhores anos.
E isso devemo-lo a muita gente avários militares corajosos, a outros políticos eminentes (soares em primeiro lugar) mas também a crescentes multidões que a partir da Fonte Luminosa e em crescendo entenderam dizer com firmeza o que queriam ou seja um rotundo não à aventura voluntrist de pequenos ou maiores grupos que pensavam tomar o Palácio de Inverno ou a Bastlha inexistentes em Portugal. Estavam enganados, eram ignorantes mas ainda esbracejam, Debilmente,mas esbracejam. Nesta época de frios já invernais isso pelo menos aquee-os momentaneamente mas seria mais prudente vestirem qualquer coisa confortável e quente.