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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 325

d'oliveira, 07.04.15

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A morte de um amigo, os cem anos de uma estrela nova e lembrança de um português atípico

 

Morreu no domingo o Professor Doutor Humberto Baquero Moreno, autor de um vasta obra historiográfica onde se deve destacar o sue extraordinário texto sobre a batalha de Alfarrobeira. Aquilo é um tijolo de erudição, de sageza, de curiosidade que merece visita séria mesmo se a prestações que a obra tem mais de mil páginas.

Tive a oportunidade de o encontrar diferentes vezes, de conversar muito sobre coisas que me entusiasmavam e que ele, com delicada bonomia, me ensinava, me corrigia me entusiasmava. Até me propôs, faz trinta anos agora, que me matriculasse em História que foi sempre para mim o meu sonho e o meu remorso. Ainda há poucos anos deu-me a honra de ser o primeiro assinante da minha candidatura a sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa. Tanto bastou para que dois dirigentes dessa inestimável associação apusessem as suas assinaturas na modestíssima proposta. “Quem vem recomendado pelo Professor Baquero não necessita de mais nada para estar aqui”, disse-me um dos distintos dirigentes da SGL. E lá estou, menos vezes do que quereria, aproveitando para frequentar aquela belíssima biblioteca e aquele agradabilíssimo restaurante de comida caseira que na rua só tem um rival: o restaurante da Casa do Alentejo. Isto na categoria do baratinho que para grandezas lá está o Gambrinus entre outros.

Nas últimas vezes em que nos cruzámos era notória, penosamente notória, a sua crescente cegueira. Logo ele homem de escarafunchar arquivos e livros velhos. Mas não desistia: vi em sua casa um diabo de uma maquineta que tornava garrafais as letras e, eventualmente (já não recordo) servia ainda para escrever. Baquero Moreno morreu na sua trincheira de sempre, a da investigação.

A minha segunda referência é para o centenáriodo nascimento  da eterna Billie Holiday, Lady Day, extraordinária jazzwoman em todo o sentido da palavra. Eu, sempre que encontro um disco (ou uma compilação) cujo nome não me soe, compro-o logo. À cautela, não vá perder alguma pérola (e que fez ela senão pérolas?) ainda não ouvida. Claro que assim repeti muita coisa mas isso não é, não foi e não será, problema: há sempre alguém que a não conhece e que com a oferta da peça repetida me fica grato.

A primeira vez que a ouvi terá sido no filme “Eva” do grande Joseph Losey. Uma das heroínas (qual?) passa o tempo a ouvir “strange fruit” uma composiçãoo de Billie Holiday onde o tema do racismo surge impetuosamente. Já lá vai mais de meio século mas a impressão profunda permanece.

Para quem não conheça Billie Holiday, recomendaria “Lady day and Pres, 1937/1941", uma edição cuidada da Fremeaux (disco duplo) que mereceu as melhores classificações de tudo o que era revista de música. Tem, sobre outras selecções, a imensa vantagem de ver a cantora associada a Lester Young, (the President, Pres) outro génio absoluto. Advirto que não me responsabilizo pelo risco de viciação em qualquer destes artistas que, aliás, nesse mesmo capítulo não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Billie viria a morrer devido a problemas de álcool e parece que a polícia teria estado à porta do seu quarto de hospital onde faleceu para a prender por posse de drogas.

O terceiro desta minha lista é Sevinate Pinto. Foi exemplar como funcionário público. Imaginativo, inteligente e grande trabalhador, deixou marca por onde passou. Foi um dos nossos peritos em agricultura e devem-se-lhe trabalhos cuja importância não é de desprezar.

(à margem: ontem, segunda feira, no programa “olhos nos olhos”, Capoulas Santos mostrou notáveis qualidades de exposição sobre matéria agrícola, mormente a nova PAC para a qual terá contribuído dedicada e profundamente. Tiro-lhe o meu chapéu. Dá gosto ver que, nessa intricada matéria, um português deu cartas e levou a cabo uma missão “impossível".)

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