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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

16
Mai18

Estes dias que passam 371

d'oliveira

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  1. Alguém acredita?

 

Alguém acredita que cinquenta malfeitores de cara tapada, urrando como possessos. Entrem portas adentro do Centro de Estágios do Sportinge comecem a desancar toda a gente com que se cruzam, sobretudo jogadores (“meninos mimados” segundo o execrável presidente do clube), treinador, restante equipa técnica e mais uns avulsos pertencentes ao pessoal?

Alguém acredita que, depois terem severamente espancado as suas vítimas e rebentado com o mobiliário, se retiraram em autêntica ordem militar, como um gang bem organizado mesmo se a GNR tenha já encontrado uma vintena de canalhas?

Alguém acredita que tudo isto, esta autêntica conspirata que faz ir de vários sítios para Alcochete os gloriosos cruzados da invencibilidade do clube o tivessem feito espontânea e livremente, inspirados tão só pela indignação gerada por uma derrota (ainda por cima justa) no Funchal, frenta a um clube que raramente permite que os adversários ganhem no seu terreno?

Alguém acredita que a campanha contínua (nas redes sociais) do senhor Bruno de Carvalho é apenas uma mera coincidência? Que as ameaças explícitas ou implícitas a jogadores e treinador (alegadamente ameaçado, ontem mesmo, de “processo disciplinar) não produziram na cabeça esparvoada e façanhuda dos trauliteiros sportinguistas, o efeito perverso que conduziu ao raid às instalações?

Alguém acredita que os disparates e tolices avançadas no “Expresso”, neste último fim de semana pelo presidente do Sporting não tiveram efeito nestes perigosos pobres diabos que em alcateia entenderam fazer justiça?

Será que ninguém tem acompanhado a campanha tonitruante e em crescendo do dito Carvalho que dispara em todas as direcções, desafia tudo e todos e ameaça meio mundo jactando-se de ser um vago familiar do almirante que mandou à merda os manifestantes da construção civil nos tempos nada gloriosos do PREC?

Ninguém viu como os estádios e as suas redondezas são cada vez mais palco de violência entre adeptos, contra adeptos (o caso famoso do polícia que espancou miserável e cobardemente um pai indefeso à frente do filho)? Ninguém viu o que as televisões mostraram há escassos dias em Guimarães quando quatro imbecis atacaram um cidadão que mesmo derrubado no chão continuou a ser alvo de pontapés?

Ninguém viu o que se passou nas garagens do estádio quando outros inflamados sportinguistas entenderam insultar, ameaçar e agredir várias pessoas?

Será que ninguém se recorda já do adepto assassinado por atropelamento junto de um estádio? Ou daquele outro assassinado dentro do estádio por um engenho lançada da bancada adversária?

Ou das dezenas e dezenas de agressões praticadas em campeonatos inferiores por adeptos que atacam árbitros, ferem árbitros, ameaçam-nos e às famílias? Tudo isto e muito mais tem sido mostrado até à exaustão e ao vómito pelas televisões.

E nestas, é ou não verdade que num desses programas de discussão de futebol longos, maçudos e gritados, houve já quem em plena emissão resolvesse passar às vias de facto. Volta que não volta, e apenas para recarregar as minhas baterias de indignação e anti-futebolísticas, passo por essas medonhas exibições de parvoíce, de auto-suficiência, de gritaria e imbecilidade. Domingo passado, num delas havia uns vociferantes que uivavam e se interrompiam, vermelhos como tomates fora do prazo: ninguém percebia o que queriam pela simples razão de que a tremenda gritaria não permitia perceber fosse o que fosse.

E o moderador que fazia?

Assistia encantado. Provavelmente, a direcção da emissora gosta de escândalo de vitupério de briga. Aquilo sim, aquilo dá mais visibilidade à casa desgovernada que paga a estes maus actores e piores comentadores para que o chinfrim atinja o seu máximo esplendor.

É o futebol. O futebol à portuguesa, traduçãoo em calão de um outro também violento e inglês que pelos seus excessos condenou as equipas britânicas a uma longa ausência das competições europeias.

Num país civilizado, onde os Direitos, Liberdades e Garantias são respeitados e defendidos, todos estes casos teriam resposta pronta e imediata mesmo antes dos morosos processos na Justiça. Os órgãos federativos deveriam, mesmo em fase de inquérito, interditar o estádio ou pelo menos não permitir espectadores nele e, muito menos, transmissão televisiva integral do jogo.

Num país civilizado as imagens degradantes de um presidente a atirar fumo (ou a cuspir) para cara de outro deveria ter imediatas e duras consequências. Não tem. Pelo contrário, os órgãos de informação precipitam-se, avidos e alucinados, sobre qualquer desbragdo que diz o que quer sob pretexto de que assim, como maluco, pode ser ouvido e, pasme-se!, respeitado. Onde é que esta criatura tem a cabeça? Que ética, que moral, que decência o movem?

A infâmia de ontem irá ter alguma consequência? Ou, amanhã, tudo continuará na mesma mansa, resignada, vil e apagada tristeza?

E já agora: um senhor advogado que adora o Sporting mas não a violência, garante que na pátria triste há três milhões e meio de adeptos sportinguistas! Só. Como o Benfica se gaba de ser o maior clube português e o Porto o representante do populoso norte a população nacional há de rondar uma farta dúzia de milhões de habitantes pois há que ter em conta os adeptos dos mil clubes desde o Braga ou os Vitórias até à minha pobre e esforçada Naval 1º de Maio. Anda tudo maluco ou isto é apenas o efeito da primavera que tarda mas incendeia o cérebro de comentadores e jurisconsultos? Antes isso que fogos propriamente ditos que virão inexoráveis atacar populações indefesas que votam pouco e mal e vivem mal e pouco, quase nada.