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Incursões

Instância de Retemperação.

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20
Fev19

Estes dias que passam 387

d'oliveira

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O Carnaval está próximo (I)

mcr, 20/I/19

 

No Parlamento vai votar-se uma moção de censura. Perdida à partida. Só o CDS e p PPD a votarão pelo que, se a matemática (aliás, simples aritmética) não falha a chamada geringonça derrotará a proposta do CDS. Um jornal usa a feliz expressão “o ppd aplaude de mãos nos bolsos”. De todo o modo, como Rui Rio disse, nunca poderiam abster-se mesmo se esta moção sirva apenas a Cristas. Ao contrário do que afirma um emproado comentarista dominical, a iniciativa não é “um tiro no pé”. Cristas está apenas a tentar manter a base galvanizada, e é aí e no universo dos possíveis votantes do seu partido que ela joga. Passa para a multidão a ideia de que se bate em todas as frentes contra a “frente de esquerda”. Não só não se arrisca a perder votos mas é bem possível que recolha mais alguns.

O PPD, ao invés do que sugeria o mesmíssimo comentarista dominical, nunca poderia abster-se. Ao votar favoravelmente a moção pode não ganhar votos mas evita perdê-los e afasta temporariamente a ideia de que é, implicitamente, “muleta” do Governo. E evita divisões nas baronias social-democratas que se digladiam por tudo e por nada. Numa altura de escolha de candidatos às europeias, Rio não está disposto a fornecer argumentos aos contestatários.

Do lado dos vitoriosos, só o PS ganha verdadeiramente. Primeiro a moção não derruba o Governo; segundo, obriga o PC e BE a votarem por ele. Mesmo se o façam com esfarrapadas desculpas de “não fazer o jogo da Direita”.

(não refiro os Verdes ou o PAN por não terem neste jogo dos quatro cantinhos qualquer importância. De qualquer modo, os Verdes votarão de certeza com o PC e o dos animaizinhos coitadinhos há de encontrar alguma razão para fazer o mesmo).

 

O PC vai avançar com uma série de propostas claramente de época eleitoral. Uma delas diz respeito à gratuidade de medicamentos para pessoas com mais de 65 anos. Desconheço se há algum filtro para avaliar quem pode ou não pode receber essa ajuda. Assim, sem mais, corre-se o risco de ver os ricos (os ricos portugueses que, no resto da Europa não passam de remediados) passarem a ter uma regalia de que em boa verdade não precisavam. É verdade que o PC refere que tal gratuidade diz apenas respeito ao genérico mais barato. Todavia, mantem-se a ideia de que, descontos cegos dão vantagem sempre a quem mais tem.

 

Parece que, à boleia de uma lei do tempo do PREC, se avoluma a ideia de “requisição civil” de unidades hospitalares privadas. Para um momento em que começa a esboçar-se a hipótese de negociação com tais entidades, conviria talvez não deitar gasolina nas chamas.

De resto, a guerra da ADSE/privados começa a deixar perceber que o Governo e os exaltados radicais (entre os quais se encontra a actual Ministra) não dispõe de nenhuma alternativa viável à saída dos privados (o hospital da Cruz Vermelha, os hospitais das Forças armadas e as Misericórdias não estão todos localizados onde é necessário nem dispõem dos mesmos meios técnicos e de pessoal suficiente para suportar o eventual afluxo de pacientes).

Aliás, a estouvada criaturinha da Saúde ainda não percebeu, ou não quer perceber, que muitos dos utentes (pagadores) da ADSE poderão abandonar o instituto público (mesmo que exclusivamente financiado por nós utentes) e fugir para seguros de saúde privados (no meu caso até talvez viesse a pagar menos do que actualmente pago). Assim se concretizaria o sonho maior dos coreano-albaneses lusitanos que sempre detestaram a ADSE em nome de uma utopia estatizante e estalinista.

Sobre o tema, um cavalheiro de seu nome Eugénio Rosa, “representante dos utentes” (quem é que o elegeu? E porquê? Será, sequer, utente?) veio, sem corar, afirmar que os 3 privados que ameaçaram cortar com a ADES apenas representavam 0,003% dos convencionados! A criatura compara três grandes grupos hospitalares com qualquer pequeno laboratório convencionado!!! Isto ou é burrice supina ou mera má fé. O que me admira é que na “votação” que o alcandorou ao lugarzinho sempre apetecível (quanto mais não fosse pelas possibilidades de tentar controlar o organismo) de vogal terem havido algumas abstenções e um voto contra.

 

O meu percurso no ensino secundário (oh!, há quanto tempo!) dividiu-se entre o sector público e o privado (no caso um colégio na cidade onde vivi parte do 5ª ano, e duas estadias em colégios no 7º ano por birra e teimosia de um avô encarregado de educação). Só tenho a dizer em de ambos os sistemas e que tive sempre boas ou muito boas classificações nos exames nacionais a que na altura todos se submetiam. Esses exames eram sempre feitos nos liceus, convém acrescentar.

Ora, saiu, recentemente, mais um “ranking” do ensino secundário. Os resultados são dramáticos. As duas melhores escolas públicas (Clara de Resende –Porto- e D. Maria –Coimbra) aparecem em 33 º e 34º lugares. É óbvio que os colégios arrebanham os filhos dos mais ricos e remediados e a escola pública tem de se haver com os alunos vindos de meios mais carenciados ou menos favorecidos. As duas escolas públicas referidas estão situadas em zonas de média e alta burguesia. Todavia, há escolas públicas em meios pobres que se saem muito bem.

Os “rankings” valem o que valem mas para alguma coisa, mesmo pouca, hão de servir. E neste caso nem sequer constam escolas ditas estrangeiras (Liceu Charles Lepierre restantes escolas francesas, Colégio Alemão ou as escolas inglesas.) Além destas, uma há –cara muito cara: St Julians, Oeiras – que tem resultados estrondosos: os seus alunos entram nas melhores universidades inglesas (Oxford, Cambridge, Imperial College, London University College, p.ex.) sem qualquer dificuldade.

Percebe-se que muitos pais queiram assegurar o futuro dos filhos matriculando-os em escolas deste tipo mas nada disso pode querer significar que o privado seja apenas para “betinhos” como asseverava a filha de um comentador do “Público”.

As duas já citadas escolas públicas, 33ª e 34ª do ranking tem, indubitavelmente, uma frequência proveniente do mesmo estrato social dos jovens que vão para os colégios e isso não significa que os alunos vivam numa “bolha” (sic) que os não prepara convenientemente para a vida futura, como realça o articulista. Os eventualmente futuros licenciados tem toda uma universidade para se homogeneizarem mesmo se vindos de situações muito diversas. Quanto mais não seja pelo facto de à universidade já só chegarem os que querem e podem lá chegar. A alegada falta de estudantes vindos dos meios mais desfavorecidos só se resolve mediante uma séria política social escolar (bolsas de estudo, residências, cantinas, empréstimos e outros incentivos). Tudo coisas que são exactamente o contrário da estúpida redução de propinas que acaba por aproveitar muito mais aos ricos do que aos pobres. As propinas são essenciais para as débeis finanças das Universidades e nem sequer são o principal custo do ensino superior.

Dir-se-á que tudo isto são meros acidentes de percurso no actual Governo de “geringonça”. Que há um futuro radioso mais adiante, bastando para isso olhar para as promessas de investimentos brutais que aí virão. Se vem ou não, já não é coisa para esta legislatura e a próxima sabe-se lá como será. O PS já esteve mais próximo de uma confortável maioria (ou mesmo da absoluta) e agora tem perdido algumas plumas. A remodelação de há dias mostra que Costa adoptou a táctica do “quadrado” e preenche as saídas com gente sua, cada vez mais sua. Ninguém acredita que a saída de Maria Manuel Leitão Marques para o Parlamento europeu fosse necessária (ainda por cima atrás de uma luminária que de saldo governamental apresenta um milhão de promessas e nada realizado. A aparente “esquerdização” tão apregoada pode tirar um par de votos ao BE, e pouco ou nada ao PC, cujos votantes descreem do chamado voto útil. Mas esse caminhar afasta o partido do abstracto “centro” que é onde tradicionalmente se ganham as eleições. Rio ainda não perdeu estas eleições (aliás, que me lembre já ganhou outras bem difíceis) e pode mesmo ficando atrás do PS causar mossa ao partido de Costa. Tudo poderá depender da abstenção e esta, em claro avanço desde há mais de vinte anos, prejudica sempre o “centrão”. Tudo depende da evolução da economia europeia já que a nossa regista resultados bem menos lisonjeiros do que Centeno apregoava. As promessas podem muito mas perdem eficácia quando são em demasia. E por cá não passa dia sem mais uma mão cheia delas. E disso, diz quem sabe, está o inferno cheio.

* a gravura: carnaval brasileiro claro. Os carnavais indígenas são tão clamorosamente pobres e desconsolados que nem um exaltado patriota consegue pô-lo em destaque. 

 

 

 

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