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Incursões

Instância de Retemperação.

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22
Fev19

Estes dias que passam 388

d'oliveira

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O Carnaval está próximo 2

mcr 22/2/19

 

Carlos, o bombo da festa

 

Não conheço o dr. Carlos Costa de sítio nenhum e é bem provável que nunca me venha a cruzar com ele. Dele apenas sei o que sabe qualquer cidadão que tenta estar informado. E que tenha acompanhado, desde há um par de anos, a sua trajectória como Governador do Banco de Portugal. Cabelos brancos, ar cordato, fala afável e segura, perfil discreto são bons argumentos mesmo que não sejam suficientes para definir um cargo que, por força de lei (e mais ainda depois das regras adoptadas pelo Banco Central Europeu –BCE-) tem de tutelar prudente mas firmemente o sistema bancário português.

CC começou já há bastante tempo por ser acusado de “não ver”, ou ver enviesadamente, o que se passava em certos bancos, nomeadamente o Espírito Santo.

A carreira deste banqueiro que passou pela CGD durante um curto período – e não o pior nem o mais descarado- começou a ser contestada depois de Passos Coelho lhe ter confirmado o mandato para onde fora indicado pelo sr. Sócrates. Ou seja, para certa gente, ele era bom durante o “socratismo” mas mau logo que o passismo despontou! Bizarrias.

Costa foi acusado de nada ter lobrigado no cafarnaum do BES. Tal e qual como Constâncio cuja miopia bancário-política foi idêntica. Só que Constâncio, além de ser socialista, foi para a Europa e Costa ficou por cá a ver o terramoto acontecer.

O segundo (nem falemos da mortal inimizade de Centeno) ataque (aliás pluripartidário) a CC consistiu em tentar embrulhá-lo em financiamentos medonhos da CGD a gente “acima de toda a suspeita”. Aliás, apenas a um, visto que o grosso dos desvarios criminosos ocorreu posteriormente com os resultados que se conhecem (se é que já conhecemos tudo!...). Costa teria estado numa reunião alargada (ora toma: eis que a CGD, tal qual o comité central do PC tem também “reuniões alargadas, provavelmente com os mesmíssimos efeitos de encenação vagamente teatral e realmente sem qualquer importância...) E que nessa reunião se teria atribuído a um empreendimento algarvio uma forte soma sem atender ao risco, às garantias e a tudo o resto. Na versão de Costa o que houve foi tão só uma reunião onde sem se conhecer destinatário, se enunciaram princípios que justamente previam a existência necessária de um sindicato bancário e o escrupuloso acatamento do parecer da comissão encarregada de avaliar o risco. Posteriormente, já sem Costa, na nova reunião mais estricta (ai não!) decidiu o financiamento.

Quando alguém é acusado de algo, compete ao acusador provar sem lugar a dúvidas a acusação. O acusado poderá depois defender-se. No caso de Costa, pelo que se vai sabendo, a versão dele parece ser a mais consistente enquanto a acusação não conseguiu até agora provar a sua participação na efectiva concessão desse mal paradíssimo crédito (lembremos que, na altura, era o dr. Constâncio o governador do BCP e o cuidadoso vigilante das tropelias bancárias...).

Bizarramente, o dr Costa também foi acusado de passar férias no mesmo empreendimento turístico. Dez anos mais tarde! Arre que demorou a cobrar algum hipotético favor. A isso, Costa responde afirmando ter pago totalmente a semana ali passada. Competiria aos acusadores provar que lá esteve à borla mas isso, a estes, terá parecido ser supérfluo!...

Quanto ao caso BES, a coisa parece também extraordinária. Passos Coelho, honra lhe seja, não quis acudir ao senhor Espírito Santo. Todavia, é Costa quem merece os ataques desesperaos do senhor Espírito Santo que, pelos vistos, está “bem” acompanhado pela gente que subitamente (terá sobre ela, numa surpreendente noite de nevoeiro, descido o Espírito Santo à semelhança daquela outra vez há dois mil e tal anos?).

Entretanto Costa, António, parece recusar-se a alinhar n companha contra o actual Governador. Primeiro é quase impossível correr com o homem; depois, este está a um ano de terminar o seu mandato; finalmente, as regras do BCE são, em caos deste tipo, claras. Todavia, fundamentalmente, enquanto Carlos vai apanhando de todos os lados, António põe o lombo a salvo e tenta passar por entre as gotas da chuva.

A riqueza da nação

No ano de 2018 houve 29.500 famílias a pedir a intervenção da Deco por não terem possibilidades de pagar as dívidas contraídas.

Estas, em média, atingem os 924 euros (contra 850 no ano anterior)

A média de créditos concedidos anda pelos 62.770 euros (contra 60.500 em 2017)

A taxa de esforço média das famílias que pedem ajuda está nos 80% quando no máximo não deveria ultrapassar 35%

O rendimento médio das famílias nesta situação situa-se nos 1150 euros (menos 50 do que no ano anterior) Isso significa que o rendimento disponível fique em níveis quase inimagináveis:226 euros.

Estes dados foram obtidos no “Público” de quarta feira.

O tremendo retrato que daqui sai deveria preocupar-nos a todos e, sobretudo, os arautos da maravilhosa vida que o país está a ter. Deveria ser esfregado na cara (eu ia a dizer no fcinho) de certas forças políticas que aora andam numa roda-viva pelo país a explicar os benefícios que trouxeram à pátria neste quadriénio que está findar.

Outros sinais (aumento da dívida pública, baixa nas espectativas sobre o défice que não atingiu a meta governamental “por culpa dos estivadores de Setúbal”... ) deveriam ser levados a sério.

Porém, como o inefável Pangloss, Costa (António) apregoa os êxitos e varre para a sargeta tudo o resto. E nele vão mais 30.000 famílias subitamente empobrecidas.

Não vou afirmar que o desvario despesista seja todo culpa de quem governa mas o discurso “irritantemente optimista” destes anos pretéritos alguma mossa há de ter produzido neste desastre, aliás anunciado.

No rol de despesas verificadas há uma componente forte dos débitos pessoais e de cartão de crédito. O crédito à compra de habitação também ocupa um lugar importante, obviamente. E não deixa de ser preocupante o facto de o rendimento médio das famílias ora em causa ter bio de 2017 para 2018 (50 euros).

Faço notar que o artigo (2 inteiras páginas) refere o facto dos solicitadores de auxílio virem da média burguesia, das classes de idade compreendidas entre os 25 e os 65 anos com maior incidência na faixa 40-54 anos.

E, mais grave ainda, entre quem pede ajuda há 33,3% e 39,6% de pessoas com o 2ª ou 3º ciclos. Não se trata pois de ignorantes, de iletrados mas sim de gente com educação. A eles juntam-se 18,7% de licenciados o que complica ainda mais o retrato e aumenta a ameaça de ruptura social.

 

CTT (a regra e a excepção?)

Há 2 semanas zarpei para Lisboa e só quando estava a chegar é que descobri que não trazia qualquer documento (cartão de cidadão, carta de condução, livrete) nem, pior, dinheiro vivo ou os cartões de crédito. A falta de dinheiro, desde que chegasse a casa da família estava resolvida. Aliás fui ao meu banco e obtive um cartão de crédito provisório. No que toca ao resto dos documentos a coisa era mais complicada. Era uma quarta feira pelo que ou os recebia no ddia seguinte ou máxime na sexta ou ficava numa situação difícil. A todo o momento, quem guia pode ter algum acidente e a primeira coisa que nos pedem são os documentos.

Indaguei na estação de correios se havia meio de receber com rapidez os documentos em falta. Havia, graças e louvores se deem a todo o momento ao divino Sacramento! Há um expediente chamado correio expresso que permite receber no dia ou na manhã seguinte até às onze horas (no caso da expedição ocorrer depois do meio dia) o qur for enviado. Até há seguro!

No momento em que os CTT apanham pela medida grande, há que reconhecer que este serviço – não sei se recente se antigo – funciona. E funcionou impecavelmente. Antes das 10 horas da manhã de quinta voltei a ser um cidadão “documentado” e menos angustiado. Sei que isto não tranquiliza quem, em vez de uma estação completa de correios, tem agora uma “loja” cuja eficácia desconheço. Mas convém também noticiar que nem tudo é mau no actual serviço.

 

Que é que ele quer?

O senhor Corbyn não para de me surpreender. Por mais noticiários ingleses que tente ver ainda não percebi se quer sair ou permanecer na Europa. Se ama desveladamente os judeus ou se, como alguns péssimos sinais indiciam, os quer muito longe dele. Se quer derrotar a Sr.ª May ou se alimenta no seu já cansado coração à beira dos setenta anos um derriço pela dama. Se vai fazer –como até agora se verifica – frente comum com a gentinha conservadora do Brexit ou se tem um projecto crível e viável para uma Grã Bretanha cada vez mais irreconhecível.

Já não questiono as suas opções políticas, sobretudo o regresso impossível a um passado socialista que se alimentava da Escócia boa votante e dos sindicatos que burocratas como ele mesmo foram varrendo para o caixote do lixo da História.

A recente deserção de meia dúzia de deputados (a que se junta uma outra desta vez “torie” de três deputadas) e as declarações deles deixa Corbyn ainda mais desconfortável. Digamos que a sua carreira -aliás obscura – no Labour pouco ou nada promete aos britânicos. May, de resto, acompanha-o nesse cortejo fúnebre.

Se a Europa, por uma vez organizada e de acordo, não parece disposta a aturar muito mais tempo a Sr.ª May, tão pouco se agita entusiasmada com Corbyn. Nem sequer os socialistas e social-democratas do Parlamento Europeu.

Basta-me uma pergunta que propõe Corbyn para a fronteira do Ulster com a República da Irlanda?

 

“aperta o teu coletinho

 

O filósofo francês Alain Finkrelkrault foi há dias violentamente insultado por vários “gillet jaunes” que não só o ameaçaram como o tentaram agredir. Um dos seus atacantes é, aliás, uma criatura ligada ao movimento salafista, o mesmo é dizer, um fanático islamista. Ao mesmo tempo, e em vários locais por onde os coletes passaram, apareceram inscrições anti-sionistas (Nem Simone Veil escapou) .

Já por aqui deixei escrito que esta gente que todos os sábados se reúne e se manifesta não passa de um agrupamento ocasional de descontentes que assume a “jacquerie” como se fora uma revolução. Não o é, pese embora a opinião de muitas luminárias “progressistas”, dessas que estão sempre à espera de um terramoto social. Em França, a saudade da revolução é uma constante e, a cada par de anos, anuncia-se um novo e miraculoso movimento salvífico que dura o tempo da estação amorosa dos pirilampos. Não é oiro mas apenas purpurina. Em boa verdade, grande parte dessa inteligentsia francesa que que sente periódica mas subitamente o orgasmo revolucionário, é profundamente reaccionária e acaba sistematicamente nas academias, nas mordomias e na boa consciência. Todavia, o mito revolucionário (basta lembrar os anos da “ocupação”, a vergonha imensa da colaboração que foi quase unânime -nem o PC escapou no primeiro ano!...- ) foi cuidadosamente alimentado por muita da mais lida historiografia oficial e oficiosa. Desde então é o que se sabe: um sobressalto, umas vagas barricadas ou nem isso, gritaria nos media e aí está pret a porter mais uma revolução, sempre a boa, a definitiva.

Desta feita, são os coletes amarelos que pedem tudo e o seu contrário e, pelo caminho, vão – e não poucas vezes – pilhando, destruindo, incendiando o que lhes está pelo caminho. Pouco a pouco mas com segurança vão aparecendo os sinais de uma extraordinária, mas não surpreendente aliança entre a extrema direita e a extrema esquerda (leram bem: extrema esquerda, a França insubmissa e outras patacoadas idênticas) numa clássica condenaçãoo de tudo o que ameaça o modo de vida conformista e conservador francês (ecologia aí compreendida, claro). .

Por cá, houve uma erupção benigna dessa acne revolucionária: apareceram umas tristes e solitárias criaturas que depois do estrondoso anúncio da sua vinda se juntaram num pequeno grupo junto ao Marquês de Pombal. Eram mais os polícias que os manifestantes à volta os lisboetas prosseguiam imperturbáveis a sua vida de todos os dis. Nem os turistas, sempre ávidos, tiraram fotografias. Aquilo era demasiado pobrete, nada alegrete e reles.

Em França, a coletagem já está em maré decrescente mesmo se em certos programas (cfr “28 minutes” /ARTE) ainda apareçam alguns raros exaltados adeptos daquela bagunça ideológica. De facto, e no fundo, bem no fundo, o que dali sobra é o racismo, o nacionalismo exacerbao e uma profunda incultura política. Só.

E esperemos que mesmo nos estertores da agonia, este cego e incerto movimento não acabe com alguma morte que será sempre a de alguém que nada tem a ver com as razões de descontentamento sentidas por quem se vê excluído.