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Incursões

Instância de Retemperação.

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07
Jul20

estes dias que passam 445

d'oliveira

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Os dias da peste

Jornada 111

Desconfinando...

mcr, 7 de Julho

 

 

Sair do buraco nunca foi fácil e deste é ainda mais difícil. Vejam o que se passa com a TAP, uma amante cara, velha e pouco fiel. O único ponto decente da “nacionalização” (não vale a pena andarmos a baptizar a coisa com outros nomes: aquilo é uma nacionalização disfarçada com um Pedrosa a fingir de sócio minoritário e uma imensa promessa de vir a ser um sorvedouro de dinheiros públicos) é a defesa de (alguns, não todos) empregos e de alguns (não todos) dos fornecedores.

Até nestes dois items o sr. Pedro Nuno dos Santos foi incapaz de ser rigoroso. A TAP vai emagrecer fortemente, o que significa menos tripulantes, menos pessoal de manutenção e de apoio, menos fornecimentos de toda a espécie. Portanto, aquelas contas gigantescas, aquele dilúvio de números atirados para cima dos deputados e de nós todos, são falsas. Falsas!

A segunda razão é a que deriva do facto de haver comunidades portuguesas espalhadas por esse mundo fora e a TAP ser o meio ideal de transporte de toda essa boa gente quando vem de romaria à pátria madrasta. Pelos vistos, não há outras companhias que voem dos mesmos locais!!!Este patético argumento, a que acresce aqueloutro de quando se embarca num avião da TAP logo nos sentimentos em casa, a comer cozido à portuguesa e sardinhas assadas com pimentos, tudo acompanhado por um tinto alentejano ou por um verde do verde Minho...

E depois, isto faria rir se não fosse tão ridículo e estúpido, há o “prestígio” de Portugal. Qualquer aborígene da Nova Guiné, ao ver um avião da TAP lá no alto, fica comovido e invejoso “ah lá vai um pedacinho do torrãozinho de açúcar...”

O problema é que já conhecíamos de ginjeira o Sr Nuno Pedro. Foi ele o imortal autor da frase em que os alemães ficariam de perninhas a tremer caso “o leão da Estrela” rugisse!

Uma criatura com este teor de patrioteirismo genial não daria sequer para cabo de esquadra nas ilhas Comores mas aqui subiu a ministro e é candidato a Secretário Geral!...

Na TAP todos vamos perder. Todos, não! O sr Neeleman saiu de carteira recheada, driblando o ministro que o ameaçava. 55 milhões fora o que posteriormente vai escorrer...

 

No fim de semana, em Albufeira, 300 jovens holandeses, finalistas do secundário, armaram uma barraca das gordas ao tentar festejar em grupo fim das aulas nos longínquos países baixos. Parece que virão mais umas largas centenas que obviamente, mesmo sendo menores, tentarão emborrachar-se alegremente na Oura.

Este é o turismo porque ansiamos e que permitimos.

Aguentem que é serviço!

 

Na “outra banda” perto de Lisboa um inteligente alugou uma vivenda para um “evento” alegadamente para dez pessoas. Apareceram 300, número repetitivo. O barulho fez a vizinhança chamar a GNR. Esta, pelos vistos, estragou a festa. Espera-se que tenha identificado todos e cada um dos festivos participantes para aplicar, a todos e cada um!, a respectiva multa.

Cheira-me que este é apenas um desejo pio meu.

 

A única boa notícia do dia é que parece que Bolsonaro contraiu o vírus. A segunda boa notícia que se espera é que o vírus cumpra galhardamente o seu dever e qua a criatura engrosse o número de baixas que enluta o Brasil. Por uma vez, que não morram só os pobres, os desprotegidos, os de baixo...

 

Finalmente, num zapping demasiado rápido e tardio, vi na RTP África uma criatura afirmar que em S Tomé, já nos estertores do Império, havia escravatura. Que havia uma situação miserável é uma verdade mas conviria usar melhor as palavras. E saber um pouco mais do assunto. Entrevistadora e entrevistada partilhavam com igual desembaraço e entusiasmo uma ignorância crassa que só dá argumentos a todos quantos negam o desastre que foi a colonização, sobretudo em S Tomé.

 

A reabertura da fronteira terrestre com Espanha permitiu-nos ouvir o dr. Costa num arrebatado discurso em portunhol. Os espanhóis devem ter ficados estasiados, agradecidos e um pouco confusos. Aplaudiram, demonstrando que não levaram a mal o assassínio da língua pátria.

Olé!