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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 488

d'oliveira, 16.09.20

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O dr. Costa anda perdido...

mcr, 16 de Setembro

 

 

Perdido, confundido, enganado, esgrouviado, enfim um desastre.

Eu, fazendo um esforço hercúleo (de Hercule Poirot) para activar as minhas pequenas células cinzentas até percebo os delírios a que a paixão clubistas pode levar.

Por defeito meu, e por ser marxista tendência Groucho, nunca fui capaz de permanecer num clube que me aceitasse. Até para o bridge, essa paixão antiquíssima. Eu explico: há nesta invicta cidade, vários locais eminentemente respeitáveis onde se joga bridge. O lógico seria que eu me fizesse sócio para poder, sem necessidade de andar desesperado à procura de parceiros, encontrar um trio de almas gémeas para psaasr um par de horas amenamente divertido. Foi por isso que fui sócio do Ateneu, do Clube de bridge e de um outro amável local situado na Gandra, ali mesmo ao pé de Miramar. Nada feito, pagava as quotas e nunca lá punha o mimoso pé. Até em Moledo me associei a um clube fartamente exclusivo. Durante anos fui lá uma vez por ano. Pagava as quotas e bebia uma bica. Mais nada. Alguma vez, entrei em torneios e, tirante uns que se passavam em Espanha, onde havia prémios simpáticos em boas pesetas, que davam para a viajem, estadia e para um largo par de livros comprados na volta, nunca mais participei em torneios.

Minto, ainda participei num, por equipas que começou da melhor maneira: ao fim do primeiro dia estávamos em primeiro lugar. O pior foi que um dos parceiros ficou tão eufórico que se embebedou miseravelmente. A segunda jornada foi homérica e absolutamente inesquecível. Alcácer \Quibir multiplicado por dez!

Ao clube da Granja nunca fui. Do Ateneu desisti rapidamente porquanto (e isto passava-se no tempo da outra senhora) vi-me metido sem saber numa lista maçónica e da oposicrática que ainda por cima ganhou as eleições. Ora eu, por muito que a oposicrática me agradasse nunca me revi vestido de avental. Até costumava dizer que os únicos aventais que suportava eram os das peixeiras de Buarcos que, nas festas, ostentavam aventais lindíssimos. Eu, para sociedades secretas nunca dei. Lá tive de no próprio dia da comemoração da vitória pedir a demissão do clube. Houve quem levasse a mal...

No capítulo desportivo, a minha simpatia vai para a Associação Naval 1º de Maio, da Figueira. Fora os jogos a que assisti em miúdo levado pelo meu pai nunca mais soube nada do Clube que agora navega numa obscura divisão distrital. Aliás, a minha simpatia deriva disso mesmo. De nada saber da vida associativa, e em homenagem ao meu pai que durante anos presidiu à Naval. Acumulava com as funções de médico pro bono e houve mesmo uma época em que terá conduzido um enorme automóvel onde se amontoava metade da direcção e da equipa. O último jogo de futebol que vi foi uma final da Taça de Portugal entre o Benfica e a Académica no ano da crise. Em boa verdade, a malta ia manifestar-se o que aconteceu (com a cumplicidade de alguns benfiquistas). Aterrado com os possíveis desenvolvimentos, o Presidente da República nem lá pôs os pés. Perdemos o jogo mas isso era o que menos interessava.

Portanto, não frequento estádios há 50 anos, aliás 51...

Tenho dos grandes clubes, enfim, os “nossos” grandes, a pior das impressões. Adeptos e direcções fazem-me pele de galinha. Tenho, dessa gentinha uma ideia que não me atrevo a revelar para não ser alvo de procedimento criminal.

Por isso, a ideia excelsa de Costa fazer parte de uma enorme comissão de honra da candidatura o homenzinho tonitruante que governa o Benfica, conseguiu surpreender-me. Ao fim e ao cabo, tinha do político uma ideia pelos vistos mais elevada (e estou a falar de baixas altitudes, convém avisar)do que a que, na realidade, se fica. A tal comissão tem, dizem-me centenas de criaturas, o que torna a presença de costa ainda mais vulgar do que aquela que eu, mal ou bem, sempre lhe atribuí.

Eu, sobre o futebol pátrio, apenas sei que enche as televisões de criaturas vociferantes que, dias a fio, se insultam, interpelam, interrompem num espectáculo grotesco onde ninguém se salva. Não que eu seja um assíduo, sequer ocasional, telespectador mas os acasos do zapping conseguem dar uma ideia da mediocridade obscena daquilo.

Ver o Primeiro Ministro associado aquela gentinha, e, mesmo se nunca o tenha tido no meu coração, foi algo de extremamente deprimente.

Eu não quereria juntar-me ao coro de condenações tanto mais que muitas delas me cheiram a esturro. Mas a coisa que parece consistir numa espécie de homenagem a uma criatura devedora de milhões ao BES e acusada de uma série de traficâncias que pelos vistos vão brevemente a julgamento.

A explicação mais óbvia seria a de um acesso de loucura do dr. Costa mas as suas posteriores desculpas, arrogantes desculpas!, raiam os limites do bom senso. Ou então, a criatura julga-se o DDT nova versão. O PS tem dado sinais superlativos de arrogância provavelmente porque se vê a dois passos do poder. Só essa hipótese traz-me náuseas.

E por aqui me fico que não vale a pena gastar mais cera com tão ruins defuntos

 

Vamos antes referir a espantosa doação da biblioteca de Alberto Manguel à cidade de Lisboa. Não sejamos avaros de palavras: trata-se de uma doação importantíssima, de importância internacional manifesta. É um acervo de 40.000 volumes de enorme qualidade. Lisboa, Portugal, os leitores estão de parabéns.

Não conheço o palácio onde a biblioteca vai ficar instalada mas dizem-me que é um local excelente e um bom aproveitamento de um edifício vazioe em risco de se degradar.

A ideia de se criar um Centro de Estudos sobre a História da Leitura, cuja direcção caberá a Manguel é outra boa notícia. Eu, leitor empedernido, conheço alguns livros de Manguel e só posso dizer bem. Eis alguém que fala do que sabe e sabe do que fala. Não foi por acaso que ele foi leitor desse fabuloso Jorge Luís Borges!

A vinda deste extraordinário espólio literaário para Lisboa não salva Medina da imitação burra do seu colega portuense: ambos curvam a cerviz aos pod(e)res futeboleiros das respectivas cidades, mesmo se apenas sejam autarcas. Bastaria lembrar a estas luminárias que as respectivas cidades tem mais clubes de virtude igualmente controvertida. E sobretudo que o turvo reino da bola está inçado de casos e de suspeições pouco sadios. De todo o modo, mesmo se uma mão não apaga o que a outra fez, posso atrever-me a dizer que isto é um ponto a favor de Medina. Se foi ele, ou alguém por ele, a ter a ideia de trazer Manguel, interessa-me poico. Mal estaria a democracia se só exigisse aos autarcas a ideia de tudo o que de bom fazem. Acolher sugestões inteligentes é também uma boa virtude.

Assim o senhor Costa ouvisse quem o pressiona para renunciar à mais que duvidosa honra de pertencer a uma lista ridícula de apoio a uma homenzinho como o sr Vieira.