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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 492

d'oliveira, 05.10.20

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Se algum Deus existisse...

mcr 5 de Outubro

 

Bolsonaro e Trump teriam rido o mesmo destino de dezenas ou centenas de milhares de outros infectados pelo vírus. Vá lá escapariam à vala comum mas da certidãozinha de óbito não escapavam.

Eles menos rezaram a pandemia e, pior, menosprezaram os afectados. E desqualificaram aberta e despudoradamente todos quantos alertavam para os perigos evidentes do covid.

Só que eles não são meros cidadãos dos respectivos países: são presidentes, eleitos provavelmente por muitos dos que morreram (ave Cesar morituri...).

E por serem presidentes, mesmo desdenhosos e incapazes de pensar nos seus desgraçados súbditos, tiveram direito ao mais refinados tratamentos, aos cuidados mais extremos, à inovação mais moderna.

É bom que se diga que qualquer destas duas desprezíveis criaturas terá gasto ou irá gastae (em tratamentos de ponta) ao Estado somas centenas ou milhares de vezes superiores às alocadas aos cidadãos normais.

E por isso escapam e sobrevivem. Para gáudio dos seus descerebrados apoiantes, muitos dos quais irão inexoravelmente morrer com o vírus e sobretudo porque no seu entusiasmo cego e fanático não se protegem minimamente.

Eu, como terão eventualmente reparado, desta gentuça falo pouco, questão de não sujar metaforicamente os pobres dedos que lá vão teclando estas palavras.

Por outro lado, como num imortal romance de ficção científica (“os marcianos divertem-se”, Frederic Brown, colecção Argonauta, Livros do Brasil, circa 1955/60), tento apaga-los da realidade concreta e com isso condená-los à não existência. Vê-se, porém, que a ficção científica é apenas isso, ficção, e há que aguentar com estas pragas presidenciais que não estão sozinhas, basta lembrar a Venezuela, a Nicarágua, a Coreia do Norte inter alia...

Os noticiários afirmam que Trump terá alta hoje. Claro que é uma “alta” política e, já se conhecem reacções contra de médicos que o acompanharam.

A pandemia pode fazer com que esta prodígio do analfabetismo político, este naufrágio da dignidade política, seja derrotado justamente pelo que ele destemperadamente escarneceu e negou. Todavia nem isso é certo qi a memória dos homens é curt, a cegueira fanática gigantesca e as ajudas externas (russas, por exemplo) podem desvirtuar uma eleição nestes tempos tumultuosos.

Bem que vimos mulheres, muitas mulheres, votarem num tipo que as despreza, as apalpa, as rebaixa. É extraordinário que no país que inventou o # me too #, que persegue com exagerada violência alegados predadores sexuais, existam tantas mulheres que apoiem a criatura. Pelos vistos o #me too# só funciona entre elites artísticas, vagamente de esquerda que, até à data, tem sido impotentes para conter o tsunami infamante e anti cultural do trumpismo. Hollywood fica seguramente noutro planeta que não nos Estados Unidos ou mesmo na Terra.

Á luz desta sinistra realidade, não me admira que um homenzinho professor de Direito, catedrático e tudo, compare o feminismo ao nazismo e o diga alto e bom som e o escreva nuns papeluchos que, felizmente, só são lidos nos soturnos gabinetes universitários.

Apenas refiro esta obscena realidade portuguesa porque, pelos vistos, há cavalheiros que até no Tribunal se safam de acusações de sexismo virulento.

Trump vai, pois, para casa mesmo se essa casa (branca) esteja pejada de infectados como parece ser o caso. Todos, claro, terão os melhores tratamentos e é duvidoso que partilhem a sorte dos milhares que apenas partilham com eles uma vaga cidadania americana.

Eu não tenho deus (nem mestre) mas com certeza absoluta, não partilho o que nas notas de dólar aparece citado (in God we trust). Não, nesse deus que vê isto com indiferença e com isso vai conseguindo tornar muita gente indiferente

na vinheta: a nota citada

 

 

 

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