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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 498

d'oliveira, 13.11.20

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“Saturday night, sunday morning”

mcr, sexta-feira, 13

 

O título do folhetim de hoje, é roubado a um excelente filme de Karel Reisz um realizador britânico que começou na década de 50. Trata-se de um filme emblemático da “nova vaga” fílmica inglesa e revela sem contemplações o universo fechado e desprovido de futuro de uma boa parte da classe operária britânica que descrê doa anos de ouro que lhe prometiam.

O Reino Unido, mesmo ganhando a guerra, perdera um império e o “rule Britania rule the waves” já só era um voto pio para cantar a plenos pulmões em concertos carregados de melancolia.

 

Foi, sei lá porquê, essa a imagem que me assaltou ao ver (sem som, manias da CG!...) imagens de uma manifestação de donos e empregados de restaurantes na “baixa” do Porto.

O fecho dos fins de semana (e isso não se limitará ao de amanhã e ao próximo, podem estar certos...) dá cabo de mais de 50% da facturação semanal dos restaurantes.

Preparam-se dias extremamente difíceis quer para patrões (e uma forte maioria é também gente humilde) quer para empregados. Compreendo demasiadamente bem o desespero que vi no semblante de muitos manifestantes. O excelente dono da minha pequena esplanada disse-me hoje que agora o movimento diário é menor do que o dos feriados. Está no limite, nunca abriu ao domingo, mas o sábado vai arrombar-lhe um pouco mais o precário equilíbrio que tenta manter.

É, por isso, que ainda me irrita mais a história do Congresso do PC. Em primeiro lugar podia perfeitamente ser adiado que daí não vinha mal ao partido, ao ideário (o mesmo de há cem anos, ou quase), à língua de pau e a tudo o resto. A teimosia na manutenção da data é, aposto cem contra um, a moeda de troca para votar o Orçamento, ou seja é a centésima trigésima primeira medida (escondida) de alteração do orçamento na especialidade.

A opinião pública não perceberá, como já não percebeu a festa do Avante, esta insistência escudada nos direitos políticos. Quem não pode visitar os familiares num lar, quem não pode reunir os filhos (ou os pais) ao almoço de fim de semana, quem não pode sair à rua sem justificação, não estará disposto a perceber a excepção desse futuro fim de semana. E muito menos a reintrodução das limitações logo a seguir.

Estivessem as legislativas mais próximas e aposto que tudo se comporia...

Todavia, há muita gente que se lembrará disto. E isso poderá custar nova redução de votos e deputados. O “chega” deve estar a esfregar as mãos pois é sabido que onde o pc definha é a direita mais dura que prospera, como se prova pelos exemplos francês e italiano e até espanhol.

Bom fim de semana se é que tal é possível.

* a vinheta: manifestação na "baixa" do Porto