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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 519

d'oliveira, 22.01.21

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Os dias da peste 159

“Decrepitar...” diz ela

mcr, 22 de Janeiro de 2020

 

Uma das melhores amigas que fiz em Coimbra, faz o favor de me ler atentamente, de me corrigir docemente e de me telefonar de longe em longe. Era , na altura, uma mulher inteligente, culta e excelente conversadora. Felizmente, tais qualidades não se perde(ra)m, antes se tornam mais visíveis com a passagem dos anos.

Hoje, disse-me, num queixume sincero e sentido, que se sentia a “decrepitar”. Fora o bem apanhado da expressão, a criação de um verbo tão apropriada, havia nela um fatalismo que as maleitas da idade de certo modo justificam.

De certa maneira, isto, hoje, é uma resposta ao telefonema que me fez e a um recado que me mandou a propósito de Tony Hilerman o autor de policiais com índios da nação Navajo. Por ela, e com alguma razão, sempre que no romance aparece um branco é ele o culpado. Não é bem assim ma,s de quando em quando, é mesmo assim. Vou ter de capinar de novo os romances em causa para lhe indicar um em que o criminoso seja um membro da mesma tribo.

E por cá? Tudo como dantes, quartel general em Abrantes! As curvas continuam a subi impetuosamente e, vai uma aposta, subirão mais depois do acto eleitoral.

Entretanto sabe-se de espertalhice variadas:

O senhor presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz é, por inerência, presidente da dundação de um lar na mesma terra onde, no Verão se registaram 18 mortos. Dezoito!

Agora, o lar foi alvo de vacinação. Vai daí o espertalhaço. À pala de ser presidente da fundação, entendeu vacinar-se sem que ninguém lhe fizesse frente. Posteriormente o dr. Ramos veio dizer que esse gesto era abusivo. Francamente, dr. Ramos! Basta não lhe aplicarem a 2ª dose como aviso. Ao menos isso....

Outro espertalhão, desta feita m Cascais ou Carcavelos passeava-se com uma trla de cão nas patas. A policia perguntou-lhe pelo canídeo e a resposta foi pronta: fugira!...

E a multinha pelo passeio a desoras, pela falta de máscara e, já agora, pela esperteza saloia?

Isto, caros/as leitores/as, querida M., isto é o país que temos, o país do “desenrascanço”, da Europa que nos, dizem eles, admira. Nis piores momentos há de tudo, sobretudo o espectáculo da rataria a fugir do barco que se afunda.

O meu amigo W (Vladimiro de baptismo mas com um avô russo banco) manda-me um mail sobre as eleições. “se eu fosse adepto da teoria da conspiração”, diz-me, apostaria que estas eleições, neste momento, são feitas para tentar que haja 2ª volta”.

E, de acto, se há gente que vai pensar duas, três ou quatro vezes, antes de arriscar air de casa para ir votar, são sobretudo votantes conservadores em Marcelo. Tudo o que é radical fará das tripas coração só para abater o “representante da Direita”.

Eu não sou fã do dr. Rebelo de Sousa, nunca votei nele e não será desta que o farei mas permita-se que diga aqui, alto e claramente, que o jovem Marcelo Rebelo de Sousa, esteve, nos anos imediatamente antes do 25 de Abril, com a “ala liberal”, aliada objectiva e subjectiva da oposição portuguesa. A pode vigiou-lhe o casamento, registou “cantigas subversivas” e não sei que mais.

Olhando para muitos abencerragens da esquerda pura e dura, não vejo que a PIDE estendesse sobre eles o mesmo olhar perscrutador. É que havia muito oposicionista in pectore, em segredo que todos os dias iam dizer para a retrete, em tom baixo, quão inimigos eram do regime. Bastou chegar o dia 26 de Abril e ei-los que surdiram como coelhos da toca onde estavam encafuados a lutar contra a noite fascista.

Para terminar, arrisco uma previsão, baseada nos 14.000 infectados e 234 mirtos de hoje: as escolas vão ficar fechadas muito mais que duas semanas. Com sorte, reabrirão na Primavera. Deus queira que eu me engane e que muito antes se restabeleça a ordem normal.

Fica aqui escrito para memória futura.

Até lá, querida M, volto a reafirmar esta velha e cúmplice amizade de mais de cinquenta anos. E que ela dure...

Leitores cuidem-se