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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 529

d'oliveira, 01.02.21

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Os dias da peste 166

para acabar com a conversa fiada

mcr, 1 de Fevereiro

 

 

As presidenciais já nem novidade são mas ainda há quem as comente como se tivessem ocorrido em Marte. Só assim, a essa distância medonha, é que se explica que haja quem insista em ver ainda menos do que eu que saí duma operação às cataratas e ainda não tenho s lentes definitivas.

Eu tenho estima, leio-me dia sim dia não, pelo historiador Rui Tavares. Discordo dele muitas vezes, o que aliás também sucede com o seu companheiro de página José Miguel Tavares. Mas leio ambos com simpatia porque acredito na sua honradez jornalística e na vontade de elucidar os leitores e debater lealmente pontos de vista.

O problema é quando as opções eleitorais, no caso a candidatura de Ana Gomes. Tavares (Rui) resolveu apoiá-la, no âmbito de um mirífico projecto de unidade de Esquerda que ele vem perseguindo sem êxito desde há muito. Aliás contraditoriamente como a história recente demonstra: Tavares foi euro-deputado pelo BE, zangou-se e, em vez de sair entregando o lugar a um substituto, fez todo o resto do mandato como independente, Depois fundou o “LIVRE” projecto tão generoso quanto fora da realidade. Nesse capítulo teve a a aventura daquela candidata que levou ao colo entre juras de amor partidário e que lha pregou bem pregada. Recentemente, andou a apelar a uma unidade da Esquerda como se, historiador que é, não percebesse nada da história destes últimos dez anos (não são precisos mais) em que a Esquerda nunca se encontrou, antes andou ao encontrão, mesmo se para ultrapassar uma notória derrota do PS tivesse inventado a Geringonça.

Todavia, o ano passado, essa fugidia unidade levou “para tabaco” culminando com a bizarra – e uso uma expressão suave – questão do orçamento. O BE votou contra e o PC limitou-se a abster-se, o mesmo é dizer que nenhum deles concordava com o orçamento do parceiro socialista. Com amigos assim não parece necessário andar à procura de adversários.

Entretanto, as eleições estavam no horizonte. Tavares relembra que preveniu que deixar o terreno livre a Marcelo sem ter em linha de conta uma Direita Radical era um risco temível. Vai daí, meses depois, anunciou com estrondo que, face à inexistência de um candidato do PS e ao aparecimento de Ana Gomes estaria com esta última (uma das razões porque simpatizo com os dois Tavares é porque eles remam contra a corrente e apoiam perdedores. Com uma diferença: eu sei que são perdedores e que vão inexoravelmente perder.).

Pelos vistos, Tavares ainda esperava ou sonhava com uma concentração de votos na candidata, como se o PC e o BE se pudessem dar ao luxo de não ir a jogo para marcar posição.

É verdade que, provavelmente, Ana Gomes canibalizou alguma da esperada votação em Marisa Matias o que foi suficiente para ter mais um pequeno punhado de votos do que o candidato Ventura.

Vejamos isto mais em pormenor:

Em primeiro lugar nisto de presidenciais só vale o primeiro lugar. O resto é fantasia, não há prémios de consolação, não há prémio da “montanha” nem Taça europa. Ponto, parágrafo.

Segundo: avançar com o desiderato de, numa eleição deste tipo, travar o candidato da Direita é pobrete, não alegrete e não tem sentido nenhum. À uma porque não se trava coisa nenhuma, depois porque, só longinquamente se podem tirar ilações fazer transposições do voto para autárquicas (as próximas) ou legislativas que estão longe.

Terceiro, ter mais votos que o dito candidato é tão pueril (ou estúpido) quanto a aposta daquele (bater a Esquerda Reunida, entendo nesse salsifré PC, BE e Gomes ou seja ter mais de 21%).

Quarto, vir vangloriar-se do facto da candidata ter tido mais uns escassíssimos milhares de votos do que a personificação do diabo, esquecendo que muitos desses votos foram “roubados” a Marisa, numa espécie de tentação pelo “voto útil” e um engano de alma ledo e cego ou enganar os leitores.

É evidente que, depois de Costa, com a sua habitual habilidade táctica (mas sempre sem estratégia consistente), ter afiançado o voto maioritário do PS em Marcelo (o seu melhor aliado possível e o eu principal sustentáculo), este ganharia as eleições limpamente, sem apelo nem agravo, à primeira volta.

Em suma, inventou-se uma corrida que nada tinha a ver com a real de modo a tirar dos pobres resultados qualquer coisinha para dourar a pílula.

Portanto, e para abreviar: Ana Gomes não ganhou coisa nenhuma, não travou o Ventura, não lançou o pedronunismo, não fez o pleno dos “não constistas” do ps (Isabel Moreira correu votar no candidato do PC e não terá sido a única) Inclusivamente não conseguiu como o seu pretenso adversário, sequer ir à 2ª volta, voto pio ridículo atentas as realidades em jogo.

Eu não sou adivinho, menos ainda uma Cassandra, para vir dizer que Ana Gomes já foi, perdeu a última possibilidade – ja tem 66 aninhos!!! – de riscar, mas também não lhe antevejo um futuro político radioso. Já tinha uma forte dose de anticorpos na sociedade portuguesa mas o “roubo” de votos ao BE não deve ter melhorado as coisas. De resto, ao fim de uma campanha que resta do discurso político de Gomes? Quem souber que responda.

 

A tempo: uma livraria alfarrabista on line chamada “narrativaobvia” tem uma campanha de venda a bom preço de livros de poeasia (entre eles notei o “Fel” de José Duro mas há mais, muito mais) E anda por aí um novo livro de Miguel Manso (“Estojo”). Vale (muito) a pena.

? Na vinheta: máscara Bembe, usada pela sociedade Bwami” ligada aos ritos de iniciação). Pigmentos vermelhos, brancos e castanhos, madeira 60x20 cm. Sº/3º quartel do sec XX. A etnia Bembe habita o nordeste da República Democrática do Congo, um território onde se imbricam, miscigenam e confundem várias etnias. Esta máscara é a última a aterrar cá em casa

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