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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 583

d'oliveira, 27.03.21

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Saída precária 13

Os pobres que paguem a crise!

mcr, 27 de Março

 

Haverá seguramente ainda quem se lembre do slogan tremendo “os ricos que paguem a crise” que uma esquerda desmiolada inventou sem perceber que, os ricos tem uma larga experiência de se furtarem a essa trabalheira, o dinheiro desaparece mais depressa que a neve o sol de Agosto, que, num país pelintra como Portugal, os ricos são poucos e pouco abonados em dinheiro rápido (aliás fácil d sonegar aos émulos de Robin dos Bosques).

Quem assistiu ao PREC viu como os ricos mesmo indo para a cadeia (e muitos foram sem mandado, sem processo, sem acusação definida numa espécie de imitação dos velhos processos d odiado regime deposto) não trouxeram ao povo , aos trabalhadores, ao proletariado e aos seus aliados naturais nenhuma fortuna. Claro que foram ocupadas terras no Sul, nacionalizados bancos e empresas para além de uma parafernália de coisas que tinham caído nas mãos dos bancos desde tipografias a estúdios fotográficos, lojas de vária espécie, um par de jornais falidos e mais uns centos de negócios que só estavam na posse dos bancos porque estavam a garantir dívidas e falências.

Os ricos saíram das cadeias ao fim de algumas semanas ou meses, desandaram para horizontes mais clementes onde, os mais avisados, tinham escondido a parte boa das fortunas e quando regressaram compraram por tuta e meia o que lhes fora tirado e reconstituíram em menos forte os pequenos impérios que a vindicta popular e analfabeta lhes tirara. As propriedades voltaram às mãos dos “agrários” e as cooperativas e outra unidades vagamente imitadas da desgraçada experiência soviética desapareceram. O Alentejo deixou rapidamente de ser vermelho e hoje é o que se vê. O “chega” chegou e ameaça varrer muita autarquia comunista (aliás já são cada vez menos...)Em dois anos a “revoluçãoo” portuguesa deixou de estar na modo, fechou o turismo revolucionário e apenas ficaram duas vagas mas sinistras organizações que assaltaram umas dezenas de bancos e mataram outras tantas criaturas, a maioria das quais por engano, por incúria, por estupidez. Revolucionários de fresca data foram sendo apanhados sem grande esforço, delataram amigos e camaradas, alguns estiveram algum tempo na cadeia e os chefes foram amnistiados e passeiam por aí tal qual os pides que, também, não foram demasiadamente incomodados. Menos incomodados ainda foram os milhares, os muitos milhares, de bufos e denunciantes, que uma lei iníqua furtou à justa ira das vítimas. Portugal, por vezes, rima com Carnaval ou com pantanal (se me permitem citar o engenheiro Guterres... ).

Desta feita, à falta de ricos (ninguém iria incomodar as criaturas dos vistos golden, ou os reformados dos países ricos que, instalados no Algarve ou nos Estoris, gozam uma tranquila reforma - varias vezes superior às melhores portuguesas- com o beneplácito do Estado e desolação da senhora Ministra das Finanças sueca) houve quem se lembrasse dos pobres.

E vai daí para acudir ao desastre do Património Cultural lembraram-se de criar uma “raspadinha” para obter uns dinheirinhos para remediar o medonho estado de coisas nesse capítulo. Ora, a raspadinha é em cerca de 76% usada por criaturas de baixos rendimentos que, coitadas, além de ignorantes, ainda acreditam no milagre das rosas. Não vale a pena explicar-lhes que só por bambúrrio é que o euro(ou dois, ou mais) raspado traz dinheiro que se veja. Todos os dias, assisto, na papelaria onde vou pelo jornal, à cena pouco edificante de pessoas modestas a rasparem freneticamente uns papeluchos de cores garridas na esperança de multiplicarem o seu parco investimento. Se eventualmente conseguem ganhar o mesmo que investiram não guardam o dinheiro antes o voltam a pôr em circulação, digo em raspação. E saem desolados mas determinados a voltarem no dia seguinte para raspar mais outra quimera.

Aquele euro, ou dois, ou mais, faz-lhes seguramente falta sobretudo se nos lembrarmos que ao fim do mês sempre representa uma soma de relevo para uma economia nos limites.

O Ministério da Cultura, uma ficção curiosa dirigida por outra ficção ainda mais surpreendente, entende que nos casos da raspadinha “em causa “não há prevalência de jogo patológico”, o que seria motivo para rir se, de facto, não fosse algo para lamentar. E lamentar duplamente: pelo burrice patológica revelada e pela perda económica de quem raspa.

O jornal Público revela que os jogos sociais em 2020  tiveram os seguintes resultados: 600 milhões (30% do total) para os beneficiários da acção social da Santa Casa. Nessas seis centenas de milhões, um terço )mais de 200 milhões) vai para os “mediadores”. Ou seja cada posto de venda terá recebido em média 43.000 euros.

E assim, afirmam, sem corar, os cavalheiros da Santa Casa, se garantem 16.000 postos de trabalho.

Eu só conheço o meu quiosque. Quem vende o jogo vende tudo o resto, desde jornais e revistas a toda a série de artigos de papelaria e ao resto que também por lá há, brinquedos, pequenas coisas úteis ou quase enfim o habitual. Não creio que a excelente empregada que todos os dias me entrega o jornal dependa da jogatina que vende e que é o paraíso de quanta empegada doméstica lá vai deixar o seu óbolo à Santa Casa...

Dir-se-á que já que os humanos são jogadores não vai grande mal em aproveitar esse defeito para ajudar outrem. Talvez, mas considerar nesse capítulo uma função essencial do abusivamente chamado Ministério da Cultura vai um passo e grande.

Uma vez, há quantos anos!, vi numa parede de um palacete uma inscriçãoo “isto foi construído com o sangue e o suor dos trabalhadores da empresa X”. Doravante, quando forem restaurar algum edifício abandonado (normalmente sem curar de saber o que depois farão dele!...)

Sempre poderão inscrever numa placa discreta que a obra de restauro foi financiada pela ignorância e pela eventual falta de qualidade de vida de umas centenas de pobres que nunca fruirão da coisa salva da ruína... E dizer que tal foi feito durante o consulado da actual inquilina do palácio da Ajuda.  Já que não pode associar o seu nome a qualquer coisa mais interessante, sempre passará à posteridade com esta raspagem ao pouco dinheiro de quem o não tem...

Os apóstolos do pagamento da crise pelos ricos estão calados como ratos. Et pour cause...

PQP!