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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 596

d'oliveira, 20.10.21

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Sair do pântano

mcr, 20-10-21

 

 

Os sinais de crise “orçamental” agravam-se sem que se perceba exactamente se o PC e o BE (e o restante “Portugal dos pequeninos -Pan e verdes-) vão ou não chumbar a proposta já na generalidade.

Eu ouvi atentamente o Sr. Presidente da República mas a sua extrema defesa da continuação deste governo, com ou sem contribuições dos aliados gerigoncistas, convence-me pouco. Suponho que é possível marcar eleições rapidamente e, de todo o modo, o Governo ficaria em gestão até elas se realizarem e surtirem os efeitos desejados.

O que mais me impressiona neste xadrez a três, é a ideia de chantagem do BE que quer à viva força, endividar o país por mais uma ou duas gerações. Não se trata de propor medidas que se esgotem no actual ou futuro exercício orçamental mas sim de deixar uma pesada factura perpétua que alguém, depois de nós, irá pagar.

O que mais me surpreende é que este tipo de propostas pressupõe que a torneira de Bruxelas continuará a jorrar incessantemente  Ora, o BE (e mais ainda o PC...) detestam a União Europeia, acham que a soberania nacional sai beliscada  (o PC já se deve ter esquecido das loas que entoava a forçada inter-relação URSS-países de leste (ditos graciosamente “socialistas” e mantidos naquela esfera pelos diferentes contingentes russos estacionados nesses países em nome da solidariedade operária e dos amanhãs que cantariam). O Pacto de Varsóvia era algo de sentido único porquanto era necessário defender a pátria dos trabalhadores e da revolução de Outubro, mesmo à custa da criação de um “no man´s land” de países sem governos democraticamente eleitos.

Acabada a URSS foi uma corrida às independências com o resultado que se conhece. Os bálticos voltaram-se para os seus antigos parceiros comerciais. A Polónia e Hungria (e a Eslováquia, recentíssima) tornaram-se países de democracia iliberal, curiosa nomenclatura que esconde como os velhos hábitos se mantiveram e a Europa apenas lhes serve para conter a Rússia e abonar mesadas importantes. A Jugoslávia implodiu, a Roménia  a Bulgária e a Albânia tentam fugir da miséria em que viviam. Panorama pouco brilhante  onde só se vislumbra um traço comum: a extrema direita campeia alegremente, a xenofobia corre por arrasto, os emigrantes são mantidos a uma conveniente distância.

Não cito o caso da Ucrânia, pois esse país, ainda está uma situaçãoque definia o México: longe de Deus mas muito perto dos EUA. Substituam-se os EUA pela Federação Russa e logo se percebe como é que as coisas correm por esses sítios. No que diz respeito ao Cáucaso, basta recordar como é que a Geórgia tem sido amputada de territórios que se tornaram meros prolongamentos da velha Rússia czarista.

Não sei se os actuais militantes do PC ainda se lembram como era o mundo entre 1945 e 1990 mas recordo a famosa resposta de uma jovem deputada do PC que, perguntada sobre algumas minúcias deste tipo, respondeu que as ignorava...

Portanto, e a ser verdadeira a apregoada intransigência, dos dois partidos da extrema Esquerda, teremos que o Orçamento não passará. Que o Governo cairá. Que haverá, em seu tempo, eleições legislativas.

Valendo as sondagens o (pouco)  que valem, pode-se antecipar que estes dois partidos pagarão forte e feio o derrube de um Governo que trouxeram ao colo durante anos.

Confesso, à puridade, que tal resultado é mais do que merecido, Resta, porém saber para onde irão as vozes que perderão. Algumas das zonas suburbanas e do Alentejo, poderão cair na escarcela do Chega (tal reviravolta sucedeu em França, Itália e Espanha. Na ex-RDA o partido que mais se afirmou foi a Alternativa para a Alemanha, cuja presença na antiga RFA é absolutamente residual.

E o BE poderá igualmente ser batido como aliás, ainda agora foi muitas vezes pelo Chega que averbou cinco vezes mais eleitos do que o bloco. Nada indica, bem pelo contrário que as zonas de pequena e média burguesia que acharam o BE encantador continuem com a mesma simpatia pelo que parecia ser um partido iconoclasta de uma esquerda não pc.

Na mesma linha o PS não perderá votos, ou poucos, pois aparecerá como vítima da maquinação dos seus camaradas da geringonça.

Eventualmente o PSD subirá mas não o suficiente para –mesmo agregando outras forças de Direita- poder bater os socialistas. De todo o mofo, o Governo que sairá desse eventual prélio eleitoral poderá ser mais frágil do que o actual e, menos inclinado a usar a muleta esquerdista que, batida duramente, preferirá a velha via de partidos de protesto.

Tudo visto, eleições agora não mudarão especialmente o panorama geral e apenas atrasarão a tomada urgente de medidas que, de todo  o modo, tem sido sistematicamente adiadas, postergadas ou reduzidas a puros gestos de cosmética política sem eficácia real e duradoura.

E os dois últimos países na cauda da Europa terão mais e mais possibilidades de nos ultrapassar. Não porque se tenham particularmente desenvolvido mas apenas porque nós nos continuamos a afundar. Por alguma razão, um dos grandes livros da nossa época de ouro se chamou “história trágico marítima”. Corremos para o naufrágio com a orquestra de bordo a tocar desafinada mas com muito "sentimento....

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