estes dias que passam 620
Isto vai dar “raia”
mcr, 27-12-21
O sr ministro Pedro Nuno, o Governo, e os saudosas das glórias imperiais deitam foguetes: a União europeia deixou passar a TAP.
Deixou mas com umas pequenas exigências e um buraco de 3500 milhões fora o que ainda aí pode vir.
É curioso que poucos referem o escândalo daquela coisa no Brasil que nunca foi rentável, excepto paa os bolsos de alguns que, também ninguém refere.
A perda de slots 1ue seguramente cairão na escarcela de alguma concorrente melhor, mais barata e mais rentável também não aflige ninguém.
Lembremos que, nos restantes aeroportos importantes e m conjunto mais turísticos que Lisboa nunca a TAP fez algo de jeito e nem por pelo que vir agora clamar que se salvaram milhares e empregos ligados aos aviões e ao turismo não tem qualquer significado. Nunca estariam perdidos porque nunca dependeram da TAP. De resto, com qualquer outra companhia também estariam quase todos a salvo visto que as dormidas, as estadias, o catering a venda de combustível tudo ficaria igualmente protegido.
Pior ainda: este esforço medonho que é suportado pelos contribuintes vai no sentido de salvar algo que, mais cedo ou mais tarde vai cair no bolso de uma grande companhia (a Lufthansa, por exemplo) onde a bandeirinha portuguesa servirá tão só de enfeite. Tanto condenaram o governo Passos por privatizar e agora ninguém, o Pedrinho à frente, confessa o que é óbvio. Estão a salvar uma companhia falida para a entregar de mão beijada a quem a saiba gerir.
A peregrina ideia de que as “comunidades portuguesas” na diáspora se babarão de patriótico gozo por viajar na TAP é uma pura miragem. Esses portugueses que, em boa hora, foram procurar futuro lá fora, sabem o valor do dinheiro e embarcarão na empresa que a menor custo lhes proporcione um serviço idêntico ou melhor.
Os PALOP outra miragem imperial e saudosista só precisarão da TP se outra companhia não procurar os seus aeroportos. Aliás, o “palopismo” desenfreado que anima o neo-colonialistas imperiais só existirá enquanto Portugal for refúgio das elites ladras, local de emigração de alguns pobres e entrada mais ou menos franca na Europa
Dir-se-á que esses países acolhem trabalhadores e técnicos portugueses. É verdade mas a questão que se põe é esta: quem mais, brasileiros incluído, fala português? Alguém vira, muito luso-tropicalmente, dizer que os portugueses se integram bem. É o velho argumento do “império” mesmo se parcialmente verdadeiro. Com mais um empurrãozinho haverá quem diga que os “tugas” são uns gajos porreiros, misturam-se sem problemas com os locais e são baratos. Mais um esforço e dirão que os portugueses praticamente nunca foram colonialistas ou racistas, o que teria algo de verdadeiro se os compararmos com belgas, alemães, ingleses que nesse capítulo apenas foram superados calvinistas holandeses que inventaram o apartheid.
(e mais não digo, embora – e só com os meus botões – me vá rindo com o embaraço dos que, de quando em quando, cá tem um acesso de virtuosa indignação anti-racista e colonialista.)
O ministro rejubila, as pessoas de bem acham que teve uma vitória mas o meu problema é, exactamente, o mesmo de Pirro: quanto é que ma vai custar esta vitória?
Quanto ao dinheirinho empatado até ao momento, por mim dou-o por perdido. Isto de já ter visto outros negócios da China tem esta nefasta consequência:: incredulidade redobrada..
2022 está a bater à porta. Esperemos que o ano comece melhor do que este, que a pandemia seja menos gravosa para a saúde e a vida dos portugueses. E lembremos que, finalmente, ontem, pela voz de Marques Mendes, sempre foram apresentados os resultados da vacinação nos internamentos e nos óbitos.
A percentagem de vacinados em ambas as situações é como se previa baixam muito baixa, em relação aos desenvoltos adversários das vacinas que, pelos vistos, começam a perceber que a burrice e a histeria conduzem às UCi, a valentes chatices nas enfermarias e mesmo ao cemitério. Lamento dizer-lhes: boa viagem já que aprendem à sua custa, mesmo infectando outros, que os anseios de liberdade gritados tolamente dão nisto.
Sei que a quadra pediria mais generosidade mas relembro que até a bíblia recomenda que “a paz na terra” seja “para os homens de boa vontade”. Isto é, não para todos mas tão só para os que se esforçam por ser solidários...
