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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 625

d'oliveira, 06.01.22

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Votar em segurança

mcr, 6-01-22

 

Ontem foram quase 40.000 infecções, hoje será pior, para a semana podemos andar pelas 100.000 e lá para fins do mês se a progressão for deste teor não se sabe quantas pessoas  ainda andarão por aí sem estar a braços com o ómicron.

Perante esta situação, certas criaturas com responsabilidades deitam as mãozinhas à cabecinha pensadora e disparatam.

Já se põe a hipótese de gente infectada ir até às assembleias de voto para exercer o seu sacrossanto direito de eleger.

Ocorre, porém, que nessas mesmas assembleias irão juntar-se os que querem votar, estão ainda livres da infecção ou reinfecção.

Por muito que se queira a ocasião faz o ladrão ou seja o contágio é facilitado pois por muita máscara e alguma pouca distância a coisa complica-se e a segurança torna-se uma palavra vã.

Diz-se que ainda seestá a tempo de uma proposta legislativa a levarão parlamento para permitir a ultrapassagem das medidas de segurança, incluindo aquela dos sete (em vez de dez) dias e recolhimento, quando em muitos países esse prazo já caiu para cinco.

Ora se é posta a hipótese de uma medida ad-hoc, urgente, valeria eventualmente pensar em atirar as eleições para os fins de Fevereiro, data em que, presumivelmente o pico da vaga já terá sido ultrapassado.

Não sei se isto é possível mas tenho por mim que em tempos excepcionais, medidas excepcionais.

O direito a votar não pode violentar o direito à saúde, sobretudo com uma pandemia que  já matou milhares de portugueses.

É claro que, desde o dia da marcação das eleições já se poderia ter pensado em soluções sensatas, simples e seguras para assegurar a votação. Para o futuro já aqui deixei a ideia de permissão total do voto postal . Se noutros países existe, porque não também por cá?

Que diabo, não deve ser difícil pensar num esquema seguro e fácil para as pessoas tranquilamente cumprirem o seu dever, o mesmo é dizer exercerem o seu direito.

A ideia de aligeirar (e de que maneira) as precauções que agora existem é que me parece destemperada. Temo mesmo que muita gente, ainda livre de infecções, se recuse a ir até aos locais de voto onde estariam presentes cidadãos infectados.

Eu voto desde 1969 (ano em que a Oposição entendeu ir até ao fim numas eleições claramente duvidosas, com cadernos eleitorais fechados a milhares, dezenas, centenas de milhares de eleitores obviamente suspeitos) Fui aliás como eleitor e como fiscal da CDE mesmo se pouco, ou nada, pudesse fazer. De resto, em centenas de mesas de voto não tínhamos ninguém que se atrevesse a ir em nomeados democratas. Ou seja: a apresentação de alguém como delegado da “oposicrática” era cartão livre para ser alvo de informação política. E, de facto, lá encontrei um processo em que o cidadão mcr era acusado do hediondo crime de fiscal pela democracia. Verdade seja dita que quando me ofereci para tal tarefa já sabia os riscos que corria, a pouca eficácia de tal acção e a normal solidão dos que se arriscavam. Mas eu tinha 27 anos e a esperança enlouquecida num mundo diferente, numa vida diferente e na liberdade. E isso me bastava- hoje, tantos anos depois, ainda me lembro dos que, constando dos cadernos eleitorais nem à votação iam por medo de serem reconhecidos como opositores ao regime. Agora campeiam por aí os sobreviventes inchados de democracia e de progressismo!...

Votei sempre mesmo que isso me adiasse viagens de férias (eu costuma muito ir para Paris sempre nessas épocas) ou me obrigasse a regressar apressadamente às vezes só para ir votar. Nunca falhei uma eleição, nunca. Não quero falhar esta mas também não me apetece ser infectado. vou ter que reflectir cuidadosamente sobre os prós e os contras dessa ida. Com a idade que já me pesa não quero correr o risco de ir para o hospital ou para uma UCI. Já me bastam os achaques da idade para lhes acrescentar mais essa aventura hospitalar. Deixo esse prazer aos que, não se vacinando, vão em larguíssima proporção ocupando os serviços dependentes do SNS. As últimas estatísticas dão 80% de não vacinados nas UCi e 70% nas enfermarias. Mas os pobre diabos acham que tudo isto não passa de uma conspiração...

Vê-se que não sabem nada de nada e que usam a palavra conspiração sem lhe perceber o significado.

Mesmo que biblicamente se ofereça o reino dos céus aos pobres de espírito, espero que os estúpidos não entrem. Que fiquem cá fora a entre choro e ranger de dentes...

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