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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 631

d'oliveira, 14.01.22

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21 anos depois….

mcr, 15-01.22

 

Claro que este título é roubado (ou, pelo menos, inspirado num romance de Alexandre Dumas: “20 anos depois”, sequência  dos “Três Mosqueieiros”, esse clássico absoluto que ainda hoje é alvo de sucessivas edições nas mais desvairadas línguas.

Dumas, aliás, merece esse fervor público pois, além de notável efabulador, trouxe até nós essa figura excepcional que é d’Artagnan, gascão, mosqueteiro do Rei, servidor fiel, leal  do Cardeal. Primeiro e ,sempre, de Luis XIV que o cumulou de honrarias, foi testemunha do seu casamento e sentiu profundamente a morte do velho soldado no cerco de Maastrich.

Além do mais, dumas, foi um arauto da unificação de Itália pondo ao serviço de Garibaldi um barco e fundos importantes. Dorme, e bem, no Panteão (para onde foi transferido há poucos anos) o sono eterno. 

Esclarecido o título vamos ao que interessa e que é bem menos glorioso.

O príncipe André de Inglaterra foi acusado por uma criatura cujo nome não interessa, de a ter forçado a ter ralações sexuais em casa de um ricaço americano, entretanto morto na prisão. A forçada sedução teria ocorrido há 21 anos  quando a alegada vítima andava pelos seus risonhos dezassete.

A mim, inveterado “machista” que já gostou , só aqui, onze textos sobre violência de género, o que me surpreende é este dilatado tempo sem queixas, sem processos, sem denúncias, quando afinal já morreu quem poderia ser testemunha “idónea” (???!!!) dos factos.

Os tribunais americanos, pelos vistos, aceitam como bons os argumentos da denunciadora e não questionam , sequer levemente, esta longa desmemória de mais de duas décadas.

Nada me liga ao príncipe, à realiza britânica, mas, que diabo!, vinte anos são vinte anos e temo bem que a única prova dos factos seja a palavra da auto-proclamada vítima.

Este tipo de casos, demasiadamente comum na América, tem sempre um efeito imediato: arruína duradouramente o (bom) nome das alegadas vítimas e, bastas vezes se resolve, fora da sala de audiências. Para isso, para o arquivamento do processo, basta um “acordo” financeiro generoso entre o “abusador” e a ingénua e desolada vítima. Até o sr Cristiano Ronaldo foi alvo de um turbulento processo deste teor que, ao que se sabe, acabou em nada, ou melhor acabou numas dezenas ou centenas de milhares de dólares transferidos para a pobre rapariguinha, aliás experiente nestas questões de sexo, que, veja, bem, aceitou ir até ao quarto do atleta para ter com ele uma conversa sobre futebol, golos e qualquer outra coisa sempre longe do sexo!

claro que um membro da família real inglesa é sempre um bom alvo para qualquer pesquisadora de ouro e, já agora, para uma mulher perto dos quarenta anos  que subitamente se recorda de uma façanhuda aventura em casa de um conhecido “womaniser” entretanto , felizmente, desaparecido.

Isto poderia dar tema a um bom romance policial porventura a uma das novelas que tem por herói Perry Mason, cavalheiro hoje desconhecido do público leitor mas que deu para uns bons quarenta livros da extraordinária colecção Vampiro, sem falar nos filmes e na série televisiva do mesmo nome.

Todavia, aqui o herói não é uma resgatada figura pública da história de França mas um filho sem especial importância da Rainha, longe da linha de sucessão mas demasiado peto para que um escândalo não deixe de ter consequências...

 

*na vinheta: obras de Dumas, quase todas em português, o “Dictionnaire Dumas” –extraordinário! – e as “Memórias de d’Artagnan”, versão portuguesa  (edições Ultramar, s.d.) e de Richelieu (Jean de Bonnot, 1982), tudo literatura aprazível e bem longe do romance de faca e alguidar que envolve o príncipe e a sua actual acusadora.