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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 636

d'oliveira, 23.01.22

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Demasiadas e perigosas coincidências

mcr, 23-01-22

 

 

Há no processo movido contra rui Moreira  coincidências que, por mais boa vontade que se tenha, custam a engolir.

Comecemos pelo facto de este estranho processo ter tido desenvolvimentos surpreendentes, a começar pelo facto de em certa altura ter sido abandonado por se entender que não tinha pés para andar. Depois, ao cheiro de novas eleições, sabendo-se que Moreia as ganharia com toda a facilidade, eis que o processo volta ao palco e recomeça tudo onde justamente tinha ficado, ou seja, em nada.

A meritíssima juíza de instrucção (qua a defesa acusa de não ter querido ouvir uma testemunha cujo depoimento acabaria de uma vez por todas com as veleidades acusatórias) entendeu que o processo tinha mais que (dois) pés para andar e que era quase certo que haveria uma condenação.

Ao longo do processo em tribunal, o desfile de testemunhas foi dramático para a Acusação.  Aquilo parecia um tosco castelo de cartas que à mínima e fugaz brisa cairia.

Como caiu.

Dir-se~á que Rui Moreira viu a sua honra ser reconhecida e restabelecida mas mesmo que isso seja assim, este processo, por mera coincidência, claro, teve um efeito útil para os adversários do actual Presidente da Câmara do Porto.

E esse foi  a perda da maioria absoluta que era de tal modo evidente que os dois  partidos mais importantes viram-se e desejaram-se para arranjar candidatos credíveis. E não arranjaram. As desistências (então no caso do PS a situaçãoo atingiu cumes insuperáveis e pandémicos!...) foram mais do que muitas e provaram à evidência que o eleitorado portuense esmo com a ameaça de perda de mandato para o candidato independente teve força suficiente para impor uma maioria relativa e...esmagadora.

Longe de mim, desfiar aqui a suspeita de que o MP foi movido por “motivos políticos”. Não tenho quaisquer provas disso mesmo se também não tenha provas em contrário.

Fosse como fosse, o resultado do atempado processo foi esse: uma maioria mais do que robusta não atingiu algo que parecia de uma simplicidade infantil e que a falta de comparência de adversários credíveis mais que comprovava.

Pelos vistos o MP irá eventualmente recorrer. É com ele mesmo que pareçam existir muitos mais processos e situações a que urgiria deitar a mão.

Também não vou, longe de mim tão bizarra ideia, vir afirmar que aqui há um indisfarçável mau perder.

Isso seria transpor para uma magistratura vícios e tolices humanas de que seguramente tão grave instituição está longe de partilhar.

Mas que fica a suspeita ai disso não restam  especiais dúvidas   e bastou-me ouvir animados comentários na esplanada do costume para aquilatar da condenação geral  que, até as televisões timidamente mostraram.

De todo o modo, mesmo que Rui Moreira afirme que não está interessado numa carreira política futura, a verdade é que um dos efeitos deste longo e sinuoso processo foi o de abrir brechas em tal possível futuro projecto.

As pessoas, mesmo as mais livres e desembaraçadas acabam por pensar que “não há fumo sem fogo” e que se esta situação picaresca existiu é porque algo de inusitado a provocou

Conheci Rui Moreira durante as discussões sobre o futuro da Cadeia da Relação. Foram apenas dois breves encontros em que, para minha surpresa, RM foi favorável à tese da Direcção Regional de Cultura do Norte contra uma maioria de intervenientes que acabaram por ter ganho de causa anos depois e graças a uma proposta que na altura nunca esteve em cima da mesa. Nunca mais o vi  nem falei com ele. Vinte anos depois viria a apoiá-lo na corrida À CMP.

Uma vez esclarecida a minha não relação com Moreira, sempre direi que votei nele apenas por o achar o mais capaz (como se tem provado) candidato. Moreira impôs-se depois dos candidatos do PS e do PSD se terem mostrado medíocres para não dizer algo inda mais forte. E pelos vistos estou acompanhado por uma forte multidão que, como eu, continua sem entender como é que o processo de que finalmente saiu absolvido começou e, sobretudo, continuou.

 

(a propósito de coincidências temporais também vale a pena referir que, finalmente!, a Câmara de Lisboa foi condenada pela entrega de dados pessoais de manifestantes a embaixadas estrangeiras. Se esta condenação, mais que previsível e fácil desde o início, tivesse sido proferida em tempo útil, alguém acredita que Carlos Moedas não tivesse obtido uma maioria absoluta? Fica a dúvida.. Assim é Moedas quem vai pagar o desvario e a vergonhosa entrega de autenticas denuncias políticas a países que não são, de nenhum modo, fiáveis e democráticos nas suas relações com os opositores políticos. )

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