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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 637

d'oliveira, 28.01.22

 

 

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A África deles

mcr, 28-01-22

 

Burkina Faso, Mali... quem se seguirá? Os golpes de Estado em África não são excepção mesmo se ainda não são propriamente a regra. Entre Estados falhados (e são uma multidão, apesar do que piedosas criaturas tentam dizer) Estados em permanente conflito civil (desde a República Centro Africana ao Congo), Estados de partido único, é difícil encontrar  exemplos virtuosos e credíveis.

Entendo que esta situação é a fonte de muita da desesperada imigração que se aventura por mar aberto em chegar à Europa, a tal Europa colonialista, racista e, por vezes, muitas vezes, negadora de entrada.

Tirando as ex-colónias portuguesas, cujo retrato (excepção feita a Cabo Verde) neste contexto não é brilhante, a descolonização operpu-se há pratiamente oitenta anos, tempo que pareceria suficiente para criar estruturas saudáveis, desenvolvimento económico e social, o melhorar o nível sanitário e social,  eliminar o analfabetismo, entre outras funções que competem a um Estado moderno.

Não vou afirmar que nada foi feito mas vou, sem qualquer hesitação, dizer que se poderia ter feito muito, mas muito, mais. Todavia, muitas das novas elites sociais, políticas e culturais destes países enquistaram-se num poder absoluto, despótico, opressivo e ignoraram a maioria da população que vive ou sobrevive uase como nos tempos em que o colono branco fazia e desfazia a sua lei. Há mesmo zonas em que o colonialismo é uma saudade, de tal modo as condições de vida pioraram (e nem vale a pena referir o Zimbabué...).

É isso, e não a herança do colonialismo, que fundamenta a fuga precipitada de jovens mais instruídos, de famílias inteiras abandonadas no meio de campos de batalha aberta ou latente, enfim o desespero e a perda absoluta de esperança em viver em África.

Ora, na mesmíssima Europa que para todos os refugiados económicos sociais raciais (que há também conflitos éticos inexplicáveis) é uma meta, é que se levantam as vozes de alguns europeus e africanos contra as condições de vida e o menosprezo dos africanos que sobrevivem em ghettos,     que tem os piores empregos e acusam os europeus, os países europeus, enfim a sociedade ocidental de todos os males mas sobretudo de racismo.

Eu lembraria que esse diminuto grupo de africanos (de que o sr Mamadu Ba é um claro exemplo) desertou dos seus respectivos países, não constando que fosse alvo de qualquer tipo de perseguições.

Desistiram dos seus países, também eles levados pela miragem de um paraíso além mar mesmo que nem sequer tivessem os mesmos motivos dos que, vítimas de tudo, se metem ao mar em esquifes infames pagando somas absolutamente exorbitantes a mafias africanas (é bom chamar a atenção para este pormenor) que prosperam nas zonas de risco e são, porque africanas e a operar em África, inalcançáveis pelas polícias europeias.

Bem para a europa como missionários não reparando que nos seus próprios países reina em muito maior grau o mesmo (ou semelhante) especto de defeitos que encontram nas terras que os acolhem e protegem.

Quanto aos seus cúmplices europeus não vale a pena qualquer referência especial. O masoquismo político e social é uma das doenças das velhas civilizações e acaba por refletir de um modo vagamente rouseauano um conservadorismo tacanho e alguma incapacidade de enfrentar os problemas de modo a resolvê-los. São “penitentes” de um mundo a que se não habituam e julgam que o reino dos céus se obtêm assim. É com eles que, em boa verdade, o reino dos céus se alcança. Basta a pobreza de espírito.  

na vinheta: máscara Bwa,  povo Bwa (BurkinaFaso) 

 

 

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