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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 652

d'oliveira, 22.02.22

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Não há novidades sob a roda do sol

mcr, 2202-o2-22

 

 

A menos que depois se passou na Geórgia com o aparecimento das repúblicas “independentes” da Ossétia do Sul e da Abcásia.ainda alguém se espante. Estas zonas foram  fraudulentamente retiradas graças a sublevações “espontâneas” prontamente reconhecidas pela Rússia e por mais três ou quatro Estados (Nicarágua, Venezuela, Síria e Nauru!!!). Depois a Rússia enviou para essas zonas “forças de manutenção de paz” , expulsou  os georgianos  E deixou cair uma férrea cortina de silêncio sobre os territórios.  A seu tempo serão integradas na Federação russa sempre por livre vontade unânime dos seus habitantes.

Agora tocou a vez A duas regiões do leste da Ucrânia também já reconhecidas pela Rússia. E também já podendo contar com a entrada de forças de manutenção de paz para evitar tropelias do exército ucraniano.

Daqui a algum tempo, a minoria russófona da Letónia, queixar-se-á  de maus tratos, rebelar-se-á e   irá engrossar  a lista de territórios autónomos à volta da mãe pátria russa. 

Tudo isto com o aplauso unânime da Extrema Direita europeia, do “partido comunista da Rússia” infame autor da proposta de reconhecimento dos novos países.

Por cá, iremos seguramente ter quem apoie esta libertação à`Direita e à Esquerda.

Já ontem, em comentário, duas senhoras, uma do BE e outra de uma coisa parecida, acusavam os EUA e os imperialistas europeus  de não quererem a paz. Estas escerebradas criaturas, nascidas provavelmente depois de 74, nunca devem ter ouvido falar da década de 30 do século passado, das contínuas cedências a Hitler que o levaram de anexação  em anexação à 2ª Guerra. E muito menos terão notícia da gula da então União Soviética que, de conluio com a Alemanha nazi, engoliu parte substancial da Polónia e os três pequenos países bálticos ao mesmo tempo de tentava retirar (como retirou) a Carélia à Finlândia. Finda a guerra, eis que a URSS se instalou na antiga Prússia Oriental onde permanece, com o aval de todos,  desde essa época. Nada na história deste território teve alguma vez algo a ver com a Rússia czarista, mas tão só com a Alemanha. A Polónia e a Lituânia.

Nesta história medonhadevoracidade imperial, verifica-se que nada mudou naquele enorme país, desde os tempos do czar Ivan. A mesma sede de terras, de súbditos (súbditos sempre, jamais cidadãos) o mesmo desprezo pelas etnias não russas, outra (ou  mesma) espécie de sub-humanos sejam eles tatars ou chetchenos ou quaisquer outros que na famosa, longa, sangrenta caminhada paa o leste foi a colonizaçãoo russa. E a mesma doberba autocrática que espreita de lá dos muros do Kremlin uma realidade quase imutável a que, pelos vistos nenhuma democracia chega ou comove.

Haverá, seguramente, entre os leitores, alguém que tenha vontade de me lembrar a grande literatura de Toslstoi a Soljenitsin ou Brodsky, a grande música a pintura extraordinária como se eu a não tivesse em conta. Tenho, caro leitor, tenho, como também tenho a história trágica de um grande número deles, exilados, presos, deportados, privados da nacionalidade, desaparecidos na voracidade dos grandes expurgos, na imensidão os dos campos gelados da Sibéria. Também a Alemanha  os teve e desde sempre, também ali, a barbárie ultrapassou  a imaginação.  Kant, para não ir mais longe e para recordar um habitante do que é agora território russo, liberto de populações alemãs nativas, não desculpa Himmler nem sequer o faz compreender. O suicida Maiakovsky  não salva Beria nem Brodsky limpa Brejnev.

Estamos já preparados, habituados a ver surdir grandes homens de países invitáveis para uma boa parte dos seus indígenas.

Neste exacto momento, enfim , nestes dias, assistimos a mais outra acusação do dissidente Navany que provavelmente, certamente, lhe duplicará a pesada pena de prisão que já o atingiu. Não morreu do envenenamento  morrerá na cadeia.

Se os cidadãos são assim tratados porque haveria de  ser melhor a sorte dos estrangeiros, sequer dos ucranianos que, na revisão histórica de Putin são afinal russos ou quase russos desleais à grande mãe pátria  que já Stalin citava aflito e assustado pela invasão dos seus até ali fieis amigos nazis.

Ao contrário da Bielorússia onde um ditador de opereta mas ditador na mesma e sangrento, a Ucrânia, expulsou o homem do Kemlin que fazia as vezes de presidente. Imperdoável! Intolerável...

A história sem fim, recomeça . Ou isto é parado já, ou, como dizia o poeta (alemão e comunista) amanhã a sorte caberá aos que hoje se calarem.

(ainda há dois três dias, alguns “comentadores” “isentos”  e amantes da paz, afirmavam que os americanos exageravam na profecia de uma real ameaça de invasão russa. Agora só lhes falta uma encenação como a de Dantzig)