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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 688

d'oliveira, 11.05.22

Mais ignorante, mais trapalhão ou simplesmente distraído?

mcr, 11 de Maio de 2022

 

Ontem deixei aqui um post que, de certa forma, continuava  um anterior  intitulado “Queres fiado?”

Descobri com a conhecida estupefacção dos ignorantes/trapalhões ou distraídos (escolher a versão que preferir) que esse texto deveria andar perdido na net porventura no encalço de Alice ou da rainha de copas.  

Ora esses perdido folhetim era de certo modo essencial para melhor se perceber o que eu queria com o segundo. 

Está perdido. Não tenho, contra o costume,  cópia e não me sinto capaz de voltar a escrevê-lo. Todavia, a minha teses era a seguinte: como o Estado paga mal a médicos e professores, em alguma altura, chegaria o momento da verdade, ou seja o momento em que a falta desses profissionais provaria que o SNS na versão actual e o ensino na mesma versão  não só não protegem os pobres, sequer os remediados como os prejudicam. Paralelamente aumenta o fosso entre ricos epobres graças aos colégios privados e aos hospitais igualmente privados. 

Além disso eu sustentava que a baixa do preço das propinas apenas aliviava os riscos e de pouco servia os pobres.  De facto quer no ensino secundário quer no universitário (sobretudo neste) as propinas eram um meio de amealhar mais uns tost\oes que fazem falta, uma falta aflitiva, nos cofres dessas instituições quer para melhorar o miserável serviço de bolsas  quer para, eventualmente, investir nas famosas e prometidas residências universitárias que ao não existirem condenam os estudantes de baixos rendimentos a procurar um ensino alternativo de qualidade inferior.  I

Isto é uma verdade como um punho, ao mesmo tempo que igualmente verdadeiro e pungente é  facto de as escolas privadas obterem ano após ano e cada vez mais,  um índice de qualidade que por mais voltas que tentem dar-lhe, significa apenas que os ricos (nos colégios privados) tem acesso a um ensino bem melhor do que o dispensado pela escola pública. É verdade que a escola pública não escolhe os alunos (que vem de estratos diferentes mas não menos verdade é que  os resultados estão à vista de todos. Em países civilizados, qualquer estudante que se distinga pode concorrer a bolsas e, em muitos casos, as escolas e universidades privadas oferecem-lhe bolsas bastante razoáveis. Compreende-se que assim seja pois um lote de alunos de alta qualidade distingue e promove o estabelecimento de ensino. 

No capítulo da saúde a já  crónica falta de médicos em certas zonas do país  tem muito a ver com o preço da habitação. Resultado: em Lisboa ou no Algarve recorre-se a tarefeiros (também mal pagos, pelas empresas com que tem contratos) com a agravante de serem sempre menos, muito menos, dos que os necessários.  

Por outro lado, os hospitais públicos estão a rebentar pelas costuras, tem gigantescas filas de espera  e há especialidades em que o paciente corre o risco de aguardar anos (anos!!!) por uma consulta. 

É por essas e por outras que quem é rico  ou tem a hipótese de pagar um seguro de saúde (que nunca é barato) prefere bater à porta do hospital privado. Eu próprio, felizmente utente da ADSE (que uma estão nomeada pelo Estado teima em estragar aquilo que vive exclusivamente das nossas contribuições)  prefiro recorrer ao serviço privado. Em pelo menos num caso, o tratamento dos olhos contra a “mácula” bem que optei pois quando se descobriu a maleita, o mínimo de espera que teria (sem contar com o facto de o covid estar a dar-lhe na máxima força ...) andava por largos meses. Pago uma brutalidade mas já vou no 10º ou 12º tratamento, as coisas vão correndo bem e a doença está controlada. 

E juro que não gosto de esbanjar dinheiro ou menosprezo os profissionais do SNS. Aqui trata-se de uma urgência (pelo menos sentida por mim) e com os olhos não convém brincar. 

Em ambos os casos, saúde ou educação, seria bom deixar o preconceito ideológico na gaveta e tentar por todos os meios optimizar as soluções possíveis. O Estado pela mão da geringonça entendeu, entre outra medidas absolutamente populistas, acabar com as taxas moderadoras. O resultado , de resto esperado, está à vista: segunda feira, 9 de Maio, o Hospital de S João teve 1200 pessoas a demandar a urgência!!! 

E bo parte delas, com o aval de serviços também públicos que mandaram os doentes para o hospital sem sequer cumprirem a norma legal. 

Ao mesmo tempo, longe de diminuir o número de cidadãos sem médico de família, aumentou. Já ultrapassa largamente o milhão de pessoas. Com a reforma próxima de algumas centenas de médicos e com os concursos a ficarem desertos, isto vai aumentar exponencialmente, queira a arrebatada Ministra ou não. 

Era este o cenário que eu comentava e que andará perdido sei lá onde. 

Aproveito para pedir desculpa a algum(a) eventual leitor(a) que foi à procura de um texto que , como o rei Sebastião, não surdirá nunca do nevoeiro. 

E a minha conclusão era simples: médicos e professores não podem nem devem ser tratado como amanuenses da funçanata pública. Primeiro porque os serviços que prestam não são fungíveis, depois porque, pura e simplesmente, não estão dispostos ao vexame de trabalhar sem condições, sem ordenado decente e sem perspectivas de carreira. 

E a 2ª conclusão adivinha-se: neste estado de coisas os ricos safam-se sempre e os pobres aguentam...