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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 702

d'oliveira, 06.06.22

Esperar, verbo português

mcr, 6-6-22

 

Dois anos é, neste momento, o tempo de espera por uma junta médica. 

Não é uma surpresa, sequer uma singularidade nacional mas apenas um dos males que nos toca a todos. Melhor que toca mais uns que outros.

Ou seja, e para resumir: que toca os mais velhos, os mais desprotegidos, os mais doentes.

Parece que a lei (uma palavra oca e sem sentido quando se fala de saúde)impõe um prazo máximo de dois meses.  

Alguém, pelo SNS, pelo Ministério da Saúde, pelo raio que os parta, onde vê escrito meses lê anos.

A srª Ministra jura que está a trabalhar para modificar a situação. Obviamente que também está na lei que compete aos ministros trabalhar.

Pelos vistos a lei esqueceu-se de acrescentar a que ritmo deve ser levado a cabo o trabalho ministerial. E o resultado está à vista. Alguém avança neste intricado caminho, que normalmente apanha as pessoas em fim de vida ou em forte aflição, a passo de caracol. 

A culpa, claro está, é dos portugueses que adoecem, do anterior /anterior governo, o de Passos ou, talvez, de Cavaco Silva, sabe-se lá.

Alguém num depoimento ao jornal afirmava que a morte vem primeiro que a junta e muito antes da reforma por invalidez.

E não e pense que este caso (ou se escândalo) é caso úínico (aparente rari nantes in gurgite vasto... para dar um toque de latim a algo que nem sequer causa chinfrim). 

O português vai ao centro de saúde por uma consulta ou, pior ao hospital para onde o despacham rapidamente. E fica a saber que essa entrevista pode demorar meses quando não demora anos.

Quem tem dinheiro faz um seguro (e o número de segurados privados  já ultrapassa os 20% dos portugueses, devendo a isso acrescer os ainda privilegiados utentes da ADSE (utentes e pagantes pois o Estado não mete um cêntimo nesta instituição embora nomeie os dirigentes...) que sempre que podem se refugiam no hediondo sector privado onde são atendidos a tempo e horas. 

 

Eu, quando soube que tinha uma valente chatice nos olhos, comecei, no privado, claro!, o tratamento em seis dias. Seis dias. Um médico amigo que só trabalha no público disse-me que, com sorte (e alguma cunha) conseguiria ser atendido ao fim de seis meses...Perguntei-lhe se o poderia citar e os leitores calculam a resposta. 

Isto significa que a saúde em Portugal só corre bem para os ricos. Os outros esperam. Esperam e desesperam.

No caso das juntas há quem morra antes o que sempre é dinheiro poupado pelo Estado. Poupança não intencional supõe-se não vá alguém pensar que um deus ex-machina anda por aí a abater gente inútil ao efectivo com o fito de minorar o deficit.

Assim estamos, aqui estamos: em Portugal, o jardim à beira mar plantado, o “torrãozinho de açúcar” citado por Eça. 

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