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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 707

d'oliveira, 26.06.22

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Marcha pela guerra

mcr, 26-6-22

 

A exígua manifestação promovida pelo PC e respectivas organizações satélites que, ontem, percorreu um par de ruas é um monumento à hipocrisia, à má fé e um insulto aos cidadãos portugueses que eles tomam por estúpidos.

Reclamar a paz (“com conversações...”), sabendo de antemão que qualquer tentativa de diálogo foi varrida da mesa pela Rússia que nem nas poucas vezes em que delegações suas e da Ucrânia se sentaram a uma mesa  deixou de atacar, bombardear, destruir e matar cidadãos indefesos, é um exercício de hipocrisia e e mentira absoluto. Quando há conversações há, pelo menos, uma temporária suspensão de hostilidades. Ora tal nunca ocorreu como é fartamente sabido.

O sr Jerónimo de Sousa que afirmando não ser a favor de nenhuma das partes (mesmo se uma é invasora e outra invadida !!!) e com a experiência de quem participou numa guerra injusta, recusa referir a palavra invasão (pelo menos no extracto televisivo a que tive acesso pois aí voltou a falar em “operação”)

O espantoso no meio disto tudo é que ninguém confronta esta criatura com o facto do “partido irmão” russo ser um dos mais ardorosos defensores da “intervenção especial”, de ter proposto na Duma o reconhecimento das repúblicas separatistas fantoches, de ter expulsado da sua pequena coorte quatro deputados provinciais que na sua região se pronunciaram contra a guerra.

Boa parte das pessoas mais velhas, Jerónimo incluído são ainda do tempo da invasão da Checoslováquia pelos “exércitos “irmãos” e do Afeganistão. Nestas duas alturas nem uma destas tristes personagens foi capaz de uma crítica, um reparo, um lamento pela sorte do povo e do país invadidos.

Dir-se-á que, mesmo aceitando que nesta manifestação a destempo e contra a moral e a ética, havia também algumas pessoas de “boa vontade” movidas pelo horror à guerra e pelo desejo de concórdia. É possível se bem que quase inverosímil.

Como é possível ser tão cego, tão imbecil que não se veja na convocação da manifestação uma tosca operação de falsificação do que se passa, do que todas as televisões mostram diariamente. Como é possível ignorar largos milhões de refugiados, inclusive em Portugal, de quase 10 milhões de deslocados internos, dos mortos visivelmente executados, das cidades reduzidas a destroços à semelhança de Stalingrado?

Como é possível fingir que a Ucrânia é um coio de nazis quando na Rússia há dezenas de organizações tão ou mais fascistas todas unidas no apoio a Putin?

Como é possível continuar a referir um apoio incial da NATO quando se sabe que esta arrastou os pés e só depois de se verificar uma inesperada e forte (e legítima) resistência ucraniana é que foi enviando , e a conta gotas, armamento defensivo que tem chegado tarde e más horas e cuja falta provocou não só a queda  de Mariupol ou Severdonetsk ou de zonas limítrofes da Crimeia?

Como é possível não perceber que há um sentimento generalizado e mundial contra a intervenção que por várias vezes se materializou na ONU e nas respectivas sessões gerais ou das suas diferentes agências?

Só me referi aos “inocentes ´uteis” (tropa habitual deste género de manifestações pindéricas. Os outros, os que sabem, que organizam, que mexem os cordelinhos estão apenas de má fé e o seu preito à Rússia vem já de outros tempos, do tempo do “sol da terra”, do país dos “trabalhadores”, das “conquistas revolucionárias”  do gulag .Esta gente ainda não digeriu a implosão da URSS, o desastre contínuo de uma economia que nunca permitiu uma vida folgada à gigantesca maioria do povo, silenciada pela bufaria, pela polícia política, pela deportação de grandes grupos humanos como ocorreu na Crimeia, na Estónia em Kaliningrado, antiga Prússia oriental transformada num  enclave de populações russas transferidas para ali depois da expulsão em massa dos habitantes originais.

É verdade que não são uma multidão, que de ano para ano vão perdendo apoiantes e militantes, que de legislatura em legislatura perdem deputados, que o número de Câmaras vai diminuindo a cada  eleição autárquica. E, por espantoso que pareça, é nas suas antigas regiões que florescem com maior força as tentativas conseguidas de implantação da extrema direita que eles dizem combater. Os extremos tocam-se, mimetizam-se porque, ao fim e ao cabo, assentam na mesma grosseira mistificação política ideológica e histórica. E no desprezo pela gente comum, mormente pelos mais fracos e mais desprotegidos (a que eles, os sábios, os esclarecidos, chamam “lumpen proletariado!)