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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 708

d'oliveira, 30.06.22

Como um naufrágio perto da costa

 (“mal acomparado”)

mcr, 30 -8-22

 

Os leitores benévolos notarão que escrevi ml acomparado propositadamente pois vou por em comparação duas situações que não são totalmente iguais mas que tem, no fundo, uma espécie de justificação idêntica.

Suponha-se que um barco carregado de imigrantes naufraga a dois passos da costa. Enquanto não chegam salvadores profissionais um turista prepara-se para se lançar à água para tentar resgatar um dos que debatem entre duas ondas. Alguém lhe diz que a sua tentativa é inútil porquanto quanto muito conseguirá salvar uma criatura e há mais umas dezenas que estarão praticamente condenadas.

 

Isto não tem nada a ver com a crise dos obstetras (outras se perfilam para lhe suceder)  mas prece mesmo a frase da srª Ministra que enquanto vai dizendo o costumeiro avisa que nem com todos os obstetras existentes no país se resolve esta actual crise. 

(e note-se que este país não é para recém nascidos que são poucos, muito poucos mesmo para sequer se pensar atingir um saldo demográfico medíocre)

 

Eu não sei se faltam assim tantos obstetras mas vou conceder que talvez, que os números ministeriais estão, por uma única e irrepetível vez, certos.

Mesmo assim seria de boa prática tentar recrutar, seja lá de que maneira for, todos quantos sejam recrutáveis. Assobiar para o lado, rasgar os vestidos, cobrir a cabeça de cinza ou fornecer explicações esfarrapadas é que não. 

O meu pai, uma espécie de João Semana partejou mulheres por todo o lado. Eram pobres ou, no caso mais tardio, de Moçambique, estavam no meio do mato a léguas de qualquer sítio onde sequer houvesse um enfermeiro. Uma fogueira, um recipiente duvidoso onde se aquecia uma pouca de água, um facalhão  que só Deus sabe se cortava ou não foram algumas vezes os únicos meios para trazer um menino a este mundo. As mais das vezes a parturiente, ou os seus não falavam português. Socorriam-se do “pisteiro” de caça do meu pai , que se passeava por aqueles sertões afastados de tudo para caçar, como intérprete. Ao que sei as coisas correram sempre tão bem quanto possível e com os escassos meios de bordo. Não foram muitas as ocasiões mas andarão ou não por esses matos de Deus um par de criaturas que provavelmente morreriam porque o médico só por acaso ali estava a passar e os problemas do parto eram demasiadamente graves para os conhecimentos das mulheres da aldeia. 

Ou seja, e para concluir: se não há obstetras num determinado momento, vai-se à procura deles ou de quem tenha pelo menos os rudimentos do acto médico.Ou recrutam-se médicos na Cochinchina, na Moldávia, na Índia,   sei lá onde. 

E, sobretudo assume-se (com todos os efeitos práticos daí decorrentes)  que o “sistema está doente, muito doente e que há que refazer , e rapidamente, tudo ou quase tudo. 

Est srª Ministra já por várias vezes mostrou que detestava tudo o que lhe cheirasse a “não público” mesmo que alguns resultados de gestão sejam avalizados pelo Tribunal de Contas. Com elogios e garantindo excelentes resultados para o Estado.

 O TC é uma voz a clamar no deserto da auto-suficiência, da arrogância e do autismo ideológico. 

É “pró que estamos...

 

(ha poucos dias um deputado do PS com responsabilidades na sua bancada falou sobre “PPP” na saúde e acusou o PSD de nunca ter sequer lançado uma. E guinchou esta afirmaçãoo que afinal era falsa. Melhor era uma mentira. Ao que depois se averiguou a primeira “ppp” da saúde é do tempo de Cavaco Silva.

Todavia, conviria ainda lembrar que se as “ppp” foram obra do PS porque raio de razão  foram elas abandonadas, vilipendiadas mesmo quando os resultados eram bons? 

A pergunta é meramente retórica porque com eventuais respondedores como o deputado “mal informado” não vale a pena gastar mais cera. O defunto é ruim!