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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 741

d'oliveira, 01.10.22

De  regresso à esplanada e aos temas de sempre  

mcr, 30-9-22

 

Não sei porquê mas ao escrever o título do folhetim veio-me à memória gasta um a canção dos “The Animals”, “before we were so rudely interrupted”.  De facto, durante anos eu marchava para os cafés da manhã, de computador a tiracolo. Lia o jornal e escrevia o folhetim admirando a paisagem do jardim, os cães à solta, de quando em quando a miudagem também solta, louvado seja Deus, correndo incansável, livre e feliz...

Histo de locais a que nos habituamos, sigo dois grandes escritores americanos que os leitores lucrariam em conhecer. O primeiro é o poeta Lagfston Hiughes (1901-1967) que, aliás se tornou também conhecido e célebre como ficcionista, dramaturgo e cronista. 

O segundo é Damon Runion (1880-1946) jornalista e contista de grande talento e cujos escritos deram argumentos para uma boa dúzia de filmes. DR. Escrevia sobre a malandragem nova-iorquina da época e era senhor de um humor e de uma inventiva invulgares. Há um livro dele traduzido e umum outro em que são também antologiados, Erskine Caldwell e William Soroyan, edição  dos anos cinquenta sob o título “modernos contistas americanos”,numa tradução excelentede Victor Palla, arquitecto, fotografo, escritor homem de cultura e de coragem. É dele o “Lisboa cidade triste e alegre” e na arquitectura deixou obras que se tornaram muito conhecidas, sobretudo os primeiros e mais bonitos snack-bares lisboetas do “picnique” ao “galeto”vque ainda hoje existem. 

Ora ambos os autores americanos que referi situam muitos dos seus personagens em pequenos bares no meio de Nova Iorque seja na Broadway, seja no Harlem. 

Runyon põe o seu narrador num bar chamado Mindy’s sitio onde passam quase todas as suas pitorescas personagens. Hughes. Utiliza outro bar, o “Paddy’s,” como centro de conversas de um seu fabuloso personagem, Simple que, em dezenas de textos, deixa uma vasta teoria de vida e de crítica social, impregnada de humor e, ao mesmo tempo, de combate ao racismo norte americano. 

Acontece que eu encontrei ambos os autores (lendo-os claro) no início dos anos sessenta e fiquei desde essa altura rendido aos seus últilos talentos. De certo modo, mesmo sendo verdade que tenho o meu porto seguro na esplanada (depois de outros que o antecederam e a que fui fiel), tenho a impressão que este é um lugar de ode posso mirar o mundo. E isto dura pelo menos desde o final dos anos noventa.  

Depois veio o raio da pandemia e foi o que se viu. Fechou tudo, parou tudo, e, no meio do caos que se seguiu, mudaram-se hábitos e costumes. E reelegemos o dr. Rebelo de Sousa. 

Reelegemos é um modo de dizer. Eu não o reelegi, não o elegi e felizmente, mas seguramente, nunca mais terei de fazer qualquer escolha que o envolva. 

Ora, foi na esplanada do costume, pela manhã que há dias debati com o Manuel Simas Santos o tema Rebelo de Sousa. Somos amigos e cúmplices de algumas aventuras no tempo da outra senhora e desde há uma boa década, vizinhos. De modo que sempre que coincidimos na hora do café e da primeira leitura do jornal vamos trocando opiniões nem sempre coincidentes mas nem por isso antagónicas. 

Desta feita ambos concordamos que o dr. Rebelo de Sousa é dose! E que, para além disso, que já é demasiado, não resiste a mirar-se num espelho (como a madrasta da pobre Branca de Neve) a perguntar se há alguém no mundo mais inteligente do que ele. E mais interventivo, por boas ou más razões. O Sr. Presidente da República, por muito constitucionalista de formação que tivesse sido, tem uma visão do alto cargo que ocupa que se confunde com a de árbitro, censor, crítico e opinante sobre todos os actos fdo Governo. É excessivo e muitas (demasiadas) vezes inconveniente. Em boa verdade, ao considera-lo ainda a 2ª eleiçãoo vinha longe, como candidato natural até do PS(!!!),  Costa fez a sua própria cama oelo que não choro por ele. O que me espanta é que as intervenções sobre tudo e mais alguma coisa que se devem ao Sr Presidente, sempre que no intervalo de duas selfies lhe apontam um microfone, são cada vez mais narizes de cera, declarações inodoras, insípidas mas não exactamente incolores. E, sobretudo, bem vistas as coisas, parece que por vezes fere a Constituição ou pelo menos parecem-lhe secantes. 

Os leitores terão reparado que Sª Exª é um activo e quase diário comentador da política nacional. Será que o antigo professor da faculdade de Direito ainda não perdeu a mania de dar notas aos políticos, particularmente, aos do Governo? 

Por aqui, já critiquei (e não me arrependo) por várias vezes algumas tiradas presidenciais mesmo se, por acaso, estivesse de acordo com elas. Só que o Presidente da República tem outro papel e nõ me parece saudável o excessivo empenho em indicar caminhos ao poder executivo. Mas infelizmente não há quem lhe diga serena e respeitosamente que o que é demais é demais, ponto, parágrafo. 

Foram anos a mais de comentador televisivo e, sobretudo, de dispensador de expressões ocas mas que pelos vistos agradavam a muitos espectadores. Ser uma estrela dos comentários de domingo não é exactamente o mesmo que ser presidente da república mas pelos vistos anda por aqui alguma confusão.