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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 742

d'oliveira, 03.10.22

Continuando a conversa anterior...

Mcr, 3-10.22

Um velho amigo meu franco-brasileiro por vocação e amor desmesurado por brasileirinhas na flor da idade, pai de catorze filhos devido justamente a esse sentimento amoroso, afirmou-me que, no caso das eleições brasileiras havia mais uma prova de que “o povo  gosta de caciques fortes e ferrabrazes” (sic). “Todos os povos”, acrescentou. E vai de avançar com uma longa teoria de ditadores desde Mussolini, um fanfarrão com fortes leituras socialistas, até Mao  que, segundo ele, sempre se mostrou como mais um imperador sinuoso e cruel. No meio lá vinham Stalin, Hitler “outro fanfarrão audacioso” e uma série de africanos e latino americanos.

Então na América latina o “homem macho mesmo pega em todo o terreno. Nem precisa de ser militar! Mas sendo ainda é mais fácil!”

Bão me atrevi a perguntar-lhe como é que a família dele teria votado  mesmo sabendo que mais de metade dos filhos estão fora do país e tem, nunca é demais alguma prudência, a dupla nacionalidade. 

Não me admirei, depois destas confidências bem humoradas dos múmeros que Bolsonaro, um perfeito boçal que não conseguiu passar de capitão. 

Nunca acreditei numa vitória à primeira volta tanto mais que, de há anos a esta parte, tenho verificado que a Direita não vai muito em sondagens e assobia para o lado quando inquirida.

Que é inquientante o número de cinquenta e tal milhões de votos no actual manda-chuva. É. que isso era plausível, também. Quanto mais não fosse porque, Lula não é exactamente for que se cheire. Está velho, cansado e os anos de mensalão e actividades paralelas deixam rasto.  

Dir-me-ão que, apesar de tudo, é melhor que Bolsonaro. Não tenho a menor dúvida mas como (felizmente)  não sou brasileiro nunca me vi obrigado a escolher entre os dois. E depois, sempre na minha longínqua perspectiva, Lula tem um passado de luta, de irreverência de heroísmo que não se enxerga no capitãozeco e apagado deputao durante anos e anos. Dir-se-ia que Bolsonaro nasceu ontem e graças à confusão deixada pela governaçãoda “presidenta” Dilma  sobre cuja qualidade é preferível um misericordioso silêncio. 

Portanto, vamos andar sobressaltados mais um inteiro mês porquanto a diferença não é enorme entre os dois candidatos. 

Aliás, mesmo com uma vitória de Lula o sobressalto continuará pois também se elegeram governados estaduais e deputados  e, se os números dos dois presidenciáveis refletem alguma tendência, temos um Brasil dividido ao meio e, obviamente, ainda mais ingovernável.

Claro que a análise terá de passarpara um patamar mais fino pois os Estados não todos iguais em importância. Digamos que S Paulo, rio de Janeiro. Minas Gerais, Baía  e Rio Grande do Sul são eventualmente os mais importantes mas mesmo aí não stão ainda clarificadas as tendências de voto.

Depois, relendo as declarações dos candidatos não se vê com clareza uma ideia política simples e óbvia, uma linha de rumo perceptível nem mesmo, custa dizê-lo, distinções fortes e definitivas entre as políticas propostas. 

De todo o modo, as políticas do PT e presumíveis aliados são mais democráticas do que as do partido liberal e do indivíduo ignorante que se apresenta ao sufrágio. Isto, aliás, se com excessiva bondade, considerarmos que as posturas bolsonaristas ainda albergam ou aceitam tiques democráticos, coisa que está por provar.  

Há, porém, um aspecto positivo a realçar. Apesar da compra maciça de armas (entre 700.000 e 1.000.000) por parte da população (a que tem dinheiro para as comprar, note-se...) não há notícia de confrontos e as coisas terão decorrido ordeiramente. Convenhamos: isto não chega para nos pormos a saltar de alegrai mas é claramente um bom sinal de convivência. 

 No caso do Brasil, tudo o que não é mau, acaba por ser bom!